quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lendo as Entranhas: Um Rondel

Ok. Este é mais um texto do Neil. O nome é ligeiramente óbvio, trata-se de um Rondel. Aprendi com este conto a colocar sempre uma introdução (leia citação [amo citações. Vou procurar um blog só de citações e seguir]) no início de um texto. Ainda não concluí o Parecer Crítico, depois posto ele.
Lendo as Entranhas: Um Rondel
Neil Gaiman
-Quero dizer - disse ela - que ninguém pode fazer nada para não envelhecer. -Uma pessoa não pode - retrucou Humpty Dumpty -, mas duas podem. Com a adequada assistência, você pode para aos sete anos.
-Lewis Carrol, Alice no País dos Espelhos
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino-
As cartas e estrelas que tombam por vontade própria.
O amanhã se manifesta e traz a conta
Para cada beijo e morte, as pequenas e as grandes.

Queres saber o futuro, amor? Então espera:
Responderei tuas impacientes perguntas. Ainda-
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino,
As cartas e estrelas que tombam por vontade própria.

Irei até ti esta noite, meu bem, quando for tarde,
Não me verás, talvez te arrepies.
Esperarei até que durmas, então tomarei o que é meu,
E será teu futuro numa bandeja.
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino.


Lendo as Entrelinhas: Um Comentário
Apesar de dizer que só postaria o parecer depois, resolvi fazer isto logo. Neil escreveu isso para uma antologia sobre os perigos de se prever o futuro. Ele ia escrever um vilancete (que é horrível de se escrever. É o pior de todos que já escrevi.), porque faz eco (repetição). Resolveu, então, escrever um Rondel. Ora, eu já disse que um Rondel é delicioso de se escrever. É fácil, é repetitivo, é simples, é delicioso! Temos muitas formas de prever o futuro. Listarei algumas: ♠ Tarot. É uma das formas de adivinhação mais antigas que existem, mas nem por isso, antiquada. Vem da interpretação de cartas (ou laminas ou arcanos). Existem muitos baralhos. Místico, Marselha, Golden Dawn, Thot (ou de Crowley), Anjos etc. ♠ Leitura de Entranhas: antigo método de adivinhação. Os celtas eram os melhores nesta. É bem simples: pega-se um animal, pega-se uma faca ritualística, enfia-se a faca na barriga do animal e lê-se as entranhas. É esta a que é referida no Rondel. ♠ Runas. A pessoa pega as runas (geralmente quatro ou nove, de marfim ou de ébano. Gosto mais das de ébano) e joga para cima. Elas tem entalhes de um lado. A base é a seguinte: se todos os ntalhes caem para baixo, é "não". Para cima, é "sim". Daí, pode-se chegar a muitas conclusões. Esta é a utilizada por Lilin em Stardust, de Neil Gaiman, quem mais? Nota: elas vem da velha Mitologia Nórdica, a mais interessante de todas. Foram criadas por Odin, o Patriarca. ♠ Oráculo. Haviam dois tipos: ♣) A pessoa ia para o Oráculo e dizia sua dúvida para um sacerdote. Ela dava a oferenda e o sacerdote transmitia a dúvida da pessoa para a Pítia (em termos básicos, uma médium) que estava em frente a uma fogueira aonde algumas ervas queimavam. A Pítia então transmitia uma suposta "mensagem dos deuses" para o sacerdote que a interpretava e dizia para o contratante. Quanto melhor a oferenda, melhor a interpretação. ♣) O homem escolhia uma virgem grega linda e, através de bebidas e drogas, levavá-a a um extase onde ela dava mensagens divinas. Depois disso, a Oráculo serviria a apenas ele, pois ela não seria aceita como Oráculo por outro homem, visto que sua virgindade já havia sido perdida. ♠ O método de Nostradamus. Este eu falarei posteriormente. ♠ Folhas de chá. O consultado (chamemos de contratante) bebia chá de folhas. Depois, utiliza- se a borra que fica no fundo da xícara para a previsão do futuro. Cada forma diferente, um significado diferente. ♠ Bola de Cristal. O vidente olha a Bola e, através dela, visualiza cenas do futuro de uma pessoa. Este método me parece o mais... Irreal. ♠ Leitura das mãos. Também pode ser encontrado como Quiromancia. Na linhas existentes nas mãos é possível visualizar as aptidões de alguém. Mais informações aqui, ali e nesse outro. Atualmente tenho me aventurado no Tarot. Mas também gosto de runas. Mas adivinhações são altamente complexas. Não queira comprar um kit de algo e já sair por aí fazendo leituras do passado/presente/futuro só porque já leu um livro de Tarot. "E será teu futuro numa bandeja.". Pode ser o teu futuro e/ou a tua cabeça numa bandeja. Cuidado. Não mexa com as coisas antigas se não puder ajudá-las. Ouça os conselhos... Paz!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Preço da Verdade

Este post é curto e é um pequeno desabafo sobre a situação atual do mundo (e um exagero na 1ª linha). Tem umas duas semanas, mais ou menos, marquei com dois amigos para irmos ao cinema. Hoje. Ontém, liguei para um deles para confirmar tudo, e o animal do Kabbalista disse que não podia ir. Então, depois, conversei com o outro se iamos ou não. A mudança entre um pessoa e outra está nas cores da conversa. A dele é azul e a minha vermelha. Ele disse "Olha... É melhor ir na Quinta-Feira..." "Mas o cinema vai estar lotado, você já foi num Shopping num feriado?" (o feriado, no caso, é dia dos professores). Depois de algum tempo, voltamos a conversar.Cara. ".. Eu tenho que estudar." "Estudar pra quê?" "Física... Matemática..." "Você vai ter um feriadão de quatro dias, e ainda quer ficar estudando mais?". Aí, finalmente ele abriu o jogo: "Ah, eu não estou a fim.". Fiquei morrendo de raiva. Não era porque ele não queria ir não, porque eu fui mesmo assim. Não preciso de pessoa alguma para ir ao cinema assistir um filme. Foi simplesmente porque ele não me disse logo porque não queria ir. O que que custava o camarada dizer "Olha, Castro, eu não tô a fim de ir.". Pronto. Acabou. Dot. O problema foi a mentira (de pernas curtíssimas) que ele inventou. Fiquei pensando sobre isso um pouco, cheguei à conclusão de que ele não está errado. O mundo que nos faz ter de fazer isso. Se as pessoas fossem um pouquinho menos desmoralizantes, não achariam que uma verdade tão tola poderia incomodar alguém. Depois, se tiver paciência, volto a escrever sobre isto. Desculpe aos leitores se não tenho papas na lingua. Não ligo para verdades, mesmo que venham a machucar um pouco. A alternativa é pior.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Como se escrever um Rondel

Rondel é um tipo de verso (a.k.a poema) que tem dois tipos. Ensinarei aqui o mais simples, não o da Wikipédia. Vou começar antes falando da palavra Rondel. É de origem francesa (mais especificamente, Francês Arcaico). Vem de roont , algo como "pequeno círculo". A origem da palavra não poderia ser melhor. A palavra Rondel também pode designar um tipo de adaga ou de escudo. A adaga era mais ou menos assim: Assim como um Soneto ou Sestina, a forma dele não varia nunca. E é bem simples: a quantidade de sílabas métricas é livre, há uma repetição imensa. E não é de palavras, mas sim de versos inteiros. São três estrófes, sendo as duas primeiras quartetos e a última um quinteto, totalizando treze versos. Menos que um Soneto. E é aí que entra a parte fácil: os dois primeiros versos da primeira estrófe se mostram os dois últimos da segunda e o primeiro de todos fecha. A estrutura de um rondel é assim: 1 2 3 4 5 6 1 2 7 8 9 10 1 Em breve (será realmente breve, palavra de Castro) postarei Lendo as Entranhas: Um Rondel, do Neil Gaiman.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Onde Deus vive

Posto isto como uma resposta à postagem anterior do Kabbalista.

O conto é de Paulo Coelho, o escritor mais vendido do mundo, salvo engano. Se chama Onde Deus vive. Apesar de não ser muito fã do cara, postarei isto aqui para ganhar duas moedas do meu amigo... :P

De qualquer forma, lá vamos nós!

Entre a França e a Espanha existe uma cadeia de montanhas. Nesta cadeia de montanhas existe uma aldeia chamada Argeles. Nesta aldeia existe uma ladeira que leva até o vale.

Todas as tardes, um velho passeia por ali.

Quando fui a Argeles a primeira vez, não reparei; da segunda vez, vi que sempre cruzava comigo. E cada vez que eu visitava aquela aldeia, reparava em mais detalhes - a roupa, a boina, a bengala, os óculos.

Hoje em dia, sempre que me lembro da cidade, também penso no velhinho - embora ele não saiba disto.

Uma única vez conversei com ele. Querendo brincar, perguntei: “Será que Deus vive nestas lindas montanhas a nossa volta?”

“Deus vive nos lugares onde deixam Ele entrar”, foi a resposta.

My Immortal...

Evanescence é ótimo. É meio sinistro, mas simplesmente ótimo. E a Amy Lee... Ela tem uma voz linda e profunda. A maquiagem é gótica, sombria e misteriosa, mas... Linda. Este é um bom jeito de se definir a melódia de My Immortal: Linda e profunda. É uma história de Amor e Dor. Nossa heroína sente uma dor inefável após a perda de alguém. Pode ser alguém amado que se foi, pode ser um filho, pode ser uma irmã. Segundo alguns comentários que li (e que não foram confirmados), esta música pode ter relação com a morte da irmã da Amy Lee. Todas as pessoas que já amaram platônicamente podem se identificar com esta música. Todas as pessoas que já perderam alguém que amaram podem se identificar com esta música. Todas as pessoas que já sofreram por alguém querido que está doente podem se identificar com esta música. Vou tomar como base alguém apaixonado para escrever a maior parte deste comentário. É mais fácil, embora não queira dizer que eu pertença a este grupo. É mais teórico. Depois irei pegar o fio de sofrimento por alguém que está doente. "Estou tão cansada de estar aqui Reprimida por todos os meus medos infantis E se você tiver que ir, Eu desejo que você vá logo Porque sua presença ainda permanece aqui E isso não vai me deixar em paz" "É uma delícia estar apaixonado, mas é horrível não ser correspondido. Isso vai acontecer na vida de todo mundo várias vezes, apesar de pensarmos quando estamos sofrendo que vai ser a última". Estas palavras são da melhor escritora que conheço atualmente, apesar de ela não gostar do que escreve. No fundo, todos os nossos medos são infantís. Você tem medo de algo que não consegue entender ou compreender. E não acho que minha interpretação deste verso esteja boa. Quando você se apaixona e não é correspondido, uma hora você irá se curar. Mas enquanto você não se cura, a Dor é uma personalidade própria, com nome, sobrenome e meia vida (muito longa, por sinal). Você fica desejando que seus sentimentos vão embora. E eles irão. E, no final, você perceberá que o vazio que você sente é pior do que a alternativa. A presença dela(e) continua nos seus pensamentos, te torturando. "Essas feridas parecem não querer cicatrizar Essa dor é muito real Isso é simplesmente muito mais do que o tempo não pode apagar" A dor é extremamente aguda! Como disse minha amiga "quando sofremos, pensamos que vai ser a última". Ora, "há muito que o tempo não pode apagar". Shakespeare disse justamente o contrário, num texto maravilhoso. Mas eu acho (e estou acompanhado por algumas pessoas) que há muito que o tempo não pode apagar. A dor de se perder alguém é uma dessas. "Quando você chorou eu enxuguei todas as suas lágrimas Quando você gritou eu lutei contra todos os seus medos Eu segurei a sua mão por todos esses anos Mas você ainda tem tudo de mim" Uma pessoa que ama se sente tentada a sofrer por seu amor. Se ele tem algum mal, sofre duas vezes, pois sente o que a outra sente e por não poder fazer algo para melhorar. "Você ainda tem tudo de mim". Quando se dá adeus a alguém, não se pode deixar tudo ir embora tão rápido. É impossivel. Um amigo meu, outro dia me perguntou "Ei, Castro, você ainda tá nessa?", ao que eu respondi "Cara, eu gostaria que pudesse ser tão simples assim. O frio que se passa não sai tão facilmente assim.". Metade disto é verdade. A outra metade é um pouco de prosa. "Você costumava me cativar Pela sua luz ressonante Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás Seu rosto assombra Todos os meus sonhos, que já foram agradáveis Sua voz expulsou Toda a sanidade em mim" Aqui, Amy Lee já está se curando do "mal" que é o Amor Platônico. A pessoa amada começa a perder o encanto que tinha. Os sonhos que tivemos com ela(e) se tornam assombrosos, a voz começa a não ter mais tanta força em nossos corações. "Eu tentei com todas as forças dizer a mim mesma que você se foi Mas embora você ainda esteja comigo Eu tenho estado sozinha todo esse tempo". O fim de tudo. A pessoa vai embora e tudo o que continua é um pouco de dor reincidente. Agora, vou contar um segredinho: há umas duas semanas (dia 26/09/2009) uma pessoa que adoro ficou doente. Sofri muito por conta disto. A música também fez sentido para mim naquele momento. Ok, agora deixarei vocês. Todos os românticos, platônicos, amantes, pessoas no luto e sofredores em geral, saibam que não estão sozinhos. Se cuidem! Ouçam Evanescence! P.S.: este post marca o início da divulgação do Blog e de uma parceiria (no caso, com um canal do Youtube).

Onde Deus Reside

O grande rabino Yitzhak Meir, quando ainda estudava as tradições de seu povo, escutou um de seus amigos dizer, em tom de brincadeira:

“Eu lhe dou uma moeda se você conseguir me dizer onde Deus mora”.

“E eu lhe darei duas moedas, se você me disser onde Deus não mora” – respondeu Meir.

Necessita explicação?

Sabor de fel (ou do porque não tomar certos remédio em jejum)

Pois bem, este post é curto e grosso. Se você, como eu está fudido doente e tomando uma porrada de remédios, recomendo-lhe que evite tomá-los em jejum (exceto sob safa prudência de seguir as prescrições médicas). É sério, não dá certo. Hoje (dia seis de outubro de 2009) eu decidi tomar (acho que a doença unida a miríade de drogas para "saná-la" me causaram "acefaléia") levodropropizina e dipirona sódica em jejum. Nem precisei esperar muito tempo. Coisa de 5 minutos e as eructações com um sabor de polímero ou qualquer outra coisa plástica vinda dos laboratórios de Satã me causou um baita engulho. Não sei quanto tempo isso vai durar, mas espero que elas não durem tanto quanto dura um deus (um período pelo menos 28 vezes maior que a minha expectativa de vida (e desculpas pelo parênteses duplo mas imagino que eu vá viver alguns anos a mais que a maioria dos brasileiros já que eu sigo o lema anti plim-plim)). Até lá o jeito será eructir com a cavidade bucal escancarada afim de evitar o demoníaco e incógnito sabor oriundo dos maléficos laboratórios do adversário de Adonai.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Suma Sacerdotiza (Papisa)

Arcano 2

“O trunfo número dois do Tarot retrata uma sacerdotisa de antiga e misteriosa origem. Diante de nós, no arcano número dois, está sentada a Mulher. Vista na seqüência das cartas do Tarot ela se segue ao Mago, que é um sábio revestido da dignidade sacerdotal, ou mago, podemos pensar nela como Suma Sacerdotisa, nome aliás que lhe dão alguns baralhos modernos.”

Adaptado do livro Jung e o Tarô

Analisando a imagem da Papisa (Suma Sacerdotisa) no tarot de Waite vemos primariamente uma mulher completamente diferente daquela que se vê no baralho de Marselha. Enquanto a mulher representada no tarot de Marselha parece extremamente séria e embebida em um pensamento ou segredo profundo, nossa Papisa do tarot de Waite parece muito menos preocupada com seu interior, com descobrirem seu último segredo.

A papisa de Marselha parece entregar-nos o livro (livro esse que representa toda a sabedoria encerrada no seu princípio feminino, o yang primário; princípio este que aprisiona a sabedoria da intuição, do poder divino na forma mais pura). A papisa de Marselha pálida como um espírito está pronta para compartilhar conosco sua sabedoria e seus ensinamentos. Já a suma sacerdotisa de Waite parece de alguma forma querer ocultar o supremo conhecimento (retratado por Waite como a Tora, nome que se vê escrito no pergaminho que ela guarda entre os braços como se o quisesse protegê-lo acima de tudo) dos que desejam apoderar-se do mesmo sem ser dignos.

A magia do Mago (primeiro arcano), assim como o seu sexo, se expõe na frente. Na papisa, sua magia velada e oculta como seus cabelos, está escondida pelas cortinas atrás dela. No baralho de Marselha, a papisa é o único arcano que ultrapassa os limites da linha superior, o que nos dá indício de uma ligação muito íntima com algo que está acima de nós. Uma ligação tão poderosa que transpassa os limites dados. Sentimos que o poder do mago está de certo modo sob seu controle consciente, que ele pode usá-lo apenas com o movimento da varinha que empunha. Não é esse o caso da suma sacerdotisa. A natureza do seu poder mágico está oculta até mesmo dela própria, logo atrás do véu, nas suas costas. Este é um dos pontos comuns dos dois baralhos supracitados.

A papisa (La Papesse) assim como a Suma Sacerdotisa tem parte do seu poder velado até de sua própria pessoa. O baralho de Marselha parece querer nos mostrar de onde vem esse poder. Tendo duas colunas atrás de si, onde está pendurado o véu que lhe esconde a natureza do seu poder, está o símbolo da dualidade (o número dois), indicação de que todo o poder do arcano nasce na aceitação da dualidade, do Yin-Yang. No baralho de Waite figura um simbolismo judaico fortíssimo. As duas colunas que sustentam a cortina que lhe oculta as origens são as colunas do templo de Salomão, onde figuram escritas as letras B e J (Beit – o lado escuro, yang; Yod – o lado alvo, yin). Os pilares representam em si os três pilares da Étz Chaim (Árvore das Vidas, na Kabbalah): Pilar da Misericórdia (da esquerda) e o Pilar da Severidade (da direita). Assim podemos fazer uma conexão entre o Yin – Severidade e o Yang – Misericórdia.

Mas nos falta um pilar. O pilar que ajunta ambos os apectos em um único e capaz de nos fazer experimentar os dois caminhos: o pilar do meio. E este pilar é exatamente a sacerdotisa. Se observarmos a cortina atrás dela, veremos desenhos, velhos símbolos de fertilidade. Mas se analisarmos a disposição dos maiores desenhos (as romãs), perceberemos que os mesmos estão dispostos de forma que seu desenho se assemelha a estrutura das Sephiroth da Étz Chaim. Assim perceberemos que foram suprimidas as Sephiroth do pilar do meio. Da’at, Tiphereth, Yesod e Malkuth. A correspondência das sephiroth não é muito complicada de se construir. Malkuth, o mundo, está onde se assenta a papisa no tarot de Waite. Seu mundo de ação é Malkuth e é nele que ela se encontra em plenitude. Yesod, a fundação, se encontra onde está a Torah. A Torah, onde estão escritas as graças e os segredos de Yahweh é a fundação para o mundo, Malkuth, onde se assenta a sacerdotisa. Tiphereth, a beleza e o centro da Étz Chaim encontra-se na altura do coração da papisa . No mesmo lugar onde vemos um crucifixo, símbolo pré-cristão que simboliza a união entre o mundano e o sagrado. O centro da Étz Chaim encontra-se no coração, no centro do significado da papisa. Encontra-se onde o homem, pelo sentimentalismo próprio da mulher, consegue compreender a si mesmo e unir-se ao sagrado. Mas nada disso aconteceria sem Da’at e Da’at não se ordenaria sem Tiphereth e Binah. A suma sacerdotisa usa uma coroa idêntica a da deusa egípcia Maat. A coroa toca Binah e Hokmah e tem seu adereço mais belo como Da’at. Da’at é o conhecimento bruto, sem compreensão, pois a compreensão é Binah. E junto a Binah temos Hokmah, a sabedoria. A sacerdotiza, une o conhecimento à compreensão e sabedoria para justificar toda o pilar do meio e talvez a própria Étz Chaim. Através da energia fria da água que a circunda e da lua que controla as marés, a sacerdotisa lava Malkuth da ignorância e da separação. Ela unifica o dual através da sua coroa e justifica a Yesod, a fundação, através do propósito que trás no coração: unir o homem ao sagrado.

domingo, 27 de setembro de 2009

A Sestina do Vampiro

Conforme havia afirmado na postagem anterior (há quase um mês), postarei aqui a Sestina do Vampiro. A partir desta postagem, passarei a procurar contos e textos para postá-los aqui. Junto aos textos postados, irei colocar um parecer escrito por mim sobre o texto. (Não que muita gente por enquanto queira ler, mas não custa muito publicá-los, correto?) Agradeço a um amigo por me dar disposição para postar isto aqui e mudar o relógio do blog. Pra falar a verdade, gostei mais do novo do que do antigo. Ele fazia um barulinho irritante...
A Sestina do Vampiro
Neil Gaiman
Espero aqui, nas fronteiras do sonho, todo envolto em sombra. O ar escuro tem gosto de noite, tão frio e vivificante, e espero pelo meu amor. A lua alveja a cor da sua lápide. Ela virá e, então, difundiremos neste belo mundo vivo a escuridão e o ressaibo de sangue. É um jogo solitário, a procura de sangue, mesmo assim, um corpo tem direito ao sonho e não desistiria por todo o mundo. A lua sangrou a escuridão da noite. Permaneço nas sombras, fitando sua lápide: Ressucita, meu amor... Oh, ressucita, meu amor? Sonhei com você enquanto hoje dormia e o amor significou mais para mim do que a vida - significou mais do que sangue. A luz do sol buscou-me, fundo sob minha lápide, mais morto do que qualquer cadáver, mas ainda um sonho até eu acordar feito vapor na noite e o pôr-do-sol me forçar a sair pelo mundo. Por muitos séculos ando pelo mundo repartindo algo que se assemelha ao amor - um beijo roubado e, então, de volta na noite, contente pela vida e pelo sangue. E vem a manhã e eu era só um sonho, corpo frio congelando debaixo de uma lápide. Disse que não iria machucá-la. Seria eu uma lápide para deixá-la vítima do tempo e do mundo? Ofereci-lhe a verdade além do seu maior sonho enquanto tudo o que você tinha a oferecer era o seu amor. Disse-lhe para não se preocupar e que o sangue tem gosto mais doce na asa e tarde da noite. Algumas vezes, minhas amantes erguem-se para caminhar à noite... algumas vezes, deitam-se, cadáver frio debaixo de uma lápide, e nunca conhecem as alegrias da cama e do sangue, de andar pelas sombras do mundo; em vez disso, apodrecem aos vermes. Oh, meu amor, sussurram que você se ergueu, em meu sonho. Esperei ao lado da sua lápide metade de noite, mas você não deixou seu sonho para caçar sangue. Boa noite, meu amor. Ofereci-lhe o mundo.
Vampiros são muito caros*
"No meu tempo, vampiros eram mais machos". Esta frase, dita por uma pessoa muitissimo inteligente e maravilhosa, sintetiza tudo. Stephenie Meyer simplesmente transformou vampiros, que são espertos como lobos, lindos como trigres, inteligentes como usros, e, sintetizando raposas. Ela os transformou em poodles*. O Neil reviveu os vampiros machos. Bampiros não são caras bons. Eles são caras sarcásticos, fortes, inteligentes e com humor britânico. Lembram o Garfield. Eles fazem o máximo que podem para conseguir o que querem. Eu acho que gosto disso. São solitários, mas se acharem um amor, lhes oferecerão o mundo. Eu simpatizo com este vampiro. Ele se apaixonou por uma mortal - a perdição de todo ser imortal - e sonha com ela durante os dias. Ele então lhe explica como funciona o mundo dos vampiros. Após explicar-lhe isto, ele passa à fase que mais gosto: ele a põe num pedestal. Ele se humilha. São sempre tristes canções*... A seguir vem a parte das recordações do que já fez antes de conhecê-la. Ele então começa a acordar. Percebe que tem muito a oferecer, e que, apesar de outras quererem, ela tem toda a preferencia. Ele nunca irá machucá-la, visto que ele prefere sofrer no lugar dela. "Na noite, todos os gatos são pardos"*. Durante a noite, o frio fica mais intenso, e o Amor, mais forte. Me responda uma coisa... Você já sonhou, e, quando acordou, se sentiu tão enganado por não poder fazer com o sonho se tornasse realidade? Nosso vampiro também passou por isso. Só quem já passou por isto sabe como é. Se você ainda não passou por isto, espero que nunca venha a passar*. Há algum tempo tive um sonho maravilhoso! Eu amei o sonho! Foi o pior sonho que eu já tive. Eu não queria despertar dele. Quando acordei... Que decepção! O vampiro é um monstro humano. Ele tem colo (ou bainha), tem soluços, sorri etc. Mas continua sendo um milagre*. Então o vampiro se cansa de esperar e sofrer pelo seu amor e simplesmente lhe deseja boa noite. Boa noite, meu amor/leitor. Bons sonhos.
*: O título é uma referencia ao poema Dragões são Muito Raros, de Ogden Nash. Assim que terminar um ou outro problema quanto à tradução, o postarei aqui. *: referencia à serie Luz e Escuridão, de Stephenie Meyer, que tem um vampiro no mínimo... Tresloucado. *: esta é uma referencia a duas coisas: -às antigas canções trovadorescas de Amor, que em breve irei apresentar algumas, e -à musica The Sun, de Maroon 5, que tem um trecho que é mais ou menos assim: "sometimes it's a sad song...". *: isto está deslocado, mas, por algum motivo, não acho que devo tirá-lo. *: mais informações sobre isto neste link... Você irá para o Yahoo! Respostas. *: mais uma referência ao poema Dragões são Muito Raros.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Como se escrever uma sestina

Recentemente pesquisei como se escreve uma Sestina (tipo de poema em que a ultima palavra de cada uma dos seis primeiros versos é repetida numa sequencia alternada nos versos seguintes e nas três linhas finais, palavras do Neil Gaiman) e não achei nada no Google. Resultado... Pesquisei um pouco no Yahoo! Respostas e me baseei no que Neil escreveu para ter uma ideia de como se escreve uma. Segue abaixo a explicação: A sestina consitui-se num poema de seis sextetos (seis estrofes de seis versos) e um terceto (uma estrofe de três versos). A ultima palavra de cada verso da primeira estrofe irá se repetir nos versos seguintes seguindo a ordem a seguir (espero que a formatação continue assim): 1 2 3 4 5 6 6 1 5 2 4 3 3 6 4 1 2 5 5 3 2 6 1 4 4 5 1 3 6 2 2 4 6 5 3 1 2 6 5 A propósito: uma sestina é uma MISÈRIA para se fazer. É 1000 vezes pior que um soneto. Em breve irei postar a poesia 'A Sestina do Vampiro', de Neil Gaiman.