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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Vida, Morte, Mortalidade.

A heroína da postagem
Olá, pessoas.

Estou eu tentando lembrar de onde é uma das melhores citações de Didi (Morte, Teleute etc de Sandman). A citação é a seguinte:

"Vida - e eu não acho que eu seja a primeira a fazer essa comparação - é uma doença: sexualmente transmissivel e invariavelmente fatal.
E eu acho que isso é verdade. Quero dizer, se você não faz sexo, você não faz vida. Mas assim que a coisa chamada vida começa, há uma série de outras coisas às quais você precisa ficar atento.
E é pra isso que eu estou aqui hoje. É para dar informação. Se você prestar atenção, você pode aumentar as suas chances de viver um pouco mais - cinquenta, sessenta anos talvez, se você tiver sorte.".

E eu passo uns três dias tentando lembrar de onde era. Olho aqui, olho ali, olho em todos os meus volumes de Sandman. Aí eu finalmente penso "Seria incrivelmente ridículo se estivesse em um dos números de Morte." E Estava. Está, aliás. Em Morte, o Preço da Vida. E eu fiquei me sentindo incrivelmente ridículo.

Tinha uma citação perfeita em Sinal e Ruído, mas vou evitar falar muito de Sinal e Ruído, já falei demais.
E eu decidi que irei citar outro livro: Clube da Luta.
"A morte vai começar em três, dois.
O luar banha o céu da boca.
Preparar para o último suspiro, já.
Abandonar."

"Eventualmente, a taxa de sobrevivência de todo mundo cairá a zero".

A minha duvida é: em quantos por cento estará a minha taxa de sobrevivência? E a sua?

Esta postagem foi meio que tapa buracos. Tinha umas outras duas ou cinco em mente, mas não tenho clima para fazê-las.
Uma sim, irei fazer.
A outra, farei talvez amanhã. Dependia de algo que deveria estar pronto, mas não está.

E é isso... A cada segundo nos aproximamos do momento de nossa morte... Acho que não disse o quão cansado estou. É bastante.

Bons sonhos, amigos e, por que não, boa morte.

sábado, 2 de julho de 2011

Fim.

Oi.

Tem um bom tempo, né?
Quero dizer, eu sei que tem um bom tempo.
Não tanto quanto no ano passado.
Não vou tentar criar desculpas para ter sumido. É contra a Regra Nº 1 da lindissima, fofissima, charmosissima Agente Especial Abby Borin (nunca fazer desculpas [ela é de NCIS. É interpretada por Diane Neal, que fez Casey Novak em Law & Order SVU]). Vou pedí-las. Sinto muito.

E eu estive procrastinando essa postagem a muito tempo.
Cerca de um mês e dez dias.

Ontem eu assisti o ultimo episódio da 3ª Temporada de Castle (sendo honesto, ontem eu devo ter assistido no mínimo seis episódios dessa temporada.) e pensei "Amanhã eu faço essa postagem. Não tem como adiar mais.".
É sobre fim. O Fim. (nota póstuma: a postagem está longa e é baseada em citações. Trechos inteiros. Se desistirem, de ler, não vou julgar vocês. E, mais importante: eu estou malucão hoje [só hoje?!], então, eu vou entender se quiserem colocar nos comentários coisas como "Rafael, na salada se coloca vinagre, não cachaça." ou "Acho que o Zé da sua mercearia está te vendendo outras coisas no lugar de coentro".)

Tem mais ou menos um mês e dez dias que eu comprei Sinal e Ruído.
É lindo.
Em certos momentos, é o melhor trabalho da parceiria Gaiman-Mckean (é claro que eu escreveria o nome de Gaiman antes, não poderia ser diferente no meu mundo).
Em certos momentos, é o melhor trabalho da parceiria Neil-Richard-Gaiman.
Em outros, é o que mais aproxima Gaiman da realidade.
Aprendi muito lendo esse livro.
Aprendi como sobreviver.
Aprendi como morrer.
Sobrevivi e morri.

Mas essa postagem não é sobre mim.
Ou talvez seja totalmente sobre mim.

Desculpa, estou me adiantando. E fazendo uma piadinha bem sutil, que só quem já leu muito pode perceber. Não é mais do que uma curta parafrase de um trecho de Signal to Noise. Divagando. Este trecho eu não escrevi na ordem que lhes aparece, devo dar um aviso: estou divagando demais hoje.

Minha ideia era postar um pouquinho só sobre Castle (uma parte eu já coloquei, a outra vem agora: é um dos meus seriados favoritos. Assistir o ultimo episódio disponível me fez pensar sobre fins e o quanto podem ser dificeis. Estou com saudade do seriado. E Stana Katic está lindíssima esta temporada. Caramba, ela é que nem um bom vinho: fica melhor com a idade. Quando eu a vi no inicio da temporada eu fiz ":-O Beckett? A mesma Beckett?".
E estou elocubrando demais. Saindo do foco.
Enfim, minha ideia era postar sobre Castle, Sinal e Ruído e fazer um link entre Sinal e Ruído e uma música que eu tenho ouvido... Bem, eu diria "obcecadamente", roubando as palavras de um amigo meu, mas o correto é 24/7, porque na minha mente, mesmo o mais obcecado  tem que pausar por um momento sua obsessão (mesmo que seja para dormir durante 1/4 de segundo e voltar a lurkar. O mais dedicado stalker continua tendo sono, não? Embora ele possa dormir enquanto a presa que ele está stalkando [essa palavra não existe] também está [divagando de novo... Por favor, não me deixem sair assim do foco, tá?]). Voltando ao assunto, entre Sinal e Ruído e uma música que tenho ouvido o tempo todo. Literalmente. Estou ouvindo agora no Youtuberepeat. 
Acho que eu deveria ter nomeado a postagem propriamente, e vou me retificar. É fazer um link entre a música e Sinal e Ruído.

A música é Waiting For The End.


Marquei um trecho.


Esse não é o fim, esse não é o começo
Apenas uma voz como uma revolta balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom e o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes, tem algo vazio dentro delas
Nós dizemos, "yeah"
Com os punhos voando no ar
Como se estivéssemos nos segurando a algo que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê da dor e do medo
Até morrermos,
Esquecermos,
Deixarmos tudo desaparecer

Esperando o fim chegar,
Desejando que eu tivesse força para suportar
Não é isso que eu tinha planejado
Isto saiu do meu controle
Voando à velocidade da luz,
Pensamentos giravam na minha cabeça
Tantas coisas que não foram ditas
É difícil deixar você partir

(oh) Eu sei o que é preciso para seguir em frente
(oh) Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero fazer é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive

Sentando em um quarto vazio,
Tentando esquecer o passado...
Isso nunca foi feito para durar
Eu queria que não fosse assim

(oh) Eu sei o que é preciso para seguir em frente
(oh) Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive

O que restou quando o fogo acabou
Eu achei que era o certo,
Mas o certo era errado
Tudo apanhado no meio da tempestade
E tentando entender qual era a sensação de seguir em frente
E eu nem mesmo sei que tipo de coisas eu disse
A minha boca continuava mexendo e a minha mente morreu
Juntando os pedaços sem ter por onde começar
A parte mais difícil de terminar é recomeçar

Tudo que eu quero fazer é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive

Esse não é o fim, esse não é o começo
É só uma voz como uma revolta balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom e o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes algo se esvazia dentro delas
Nós dizemos, "yeah!"
Com os punhos voando no ar
Como se estivéssemos nos segurando a algo que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê da dor e do medo
Até morrermos,
Esquecermos,
Deixarmos tudo desaparecer

(segurando naquilo que eu não tenho)


Agora eu vou para Sinal e Ruído.
Tem andado comigo todo dia desde que eu comprei.
Praticamente não sai das minhas vistas.
A sinopse é "Em Londres, um diretor de cinema descobre que está com câncer e tem pouco tempo de vida. Ele estava para iniciar a produção do que seria seu maior filme: a história de um vilarejo na Europa Central durante os últimos minutos do ano 999 d.C, aguardando a vinda do apocalipse. Agora, esse roteiro jamais será filmado.
No entanto, ele continua trabalhando na pr odução em sua mente, fazendo um filme que ninguém jamais verá. Ninguém a não ser você."

Um dia talvez eu digitalize esse que nem eu fiz com A Paixão do Arlequim, cujo arquivo em .rar, acabei de reparar, está M.I.A... Tenho que achar... Talvez eu ache no meu antigo e-mail. Divagando... Enfim, eu digitalizo quando descobrir um jeito de digitalizar que não envolva machucar o meu bebê. E isto significa dobrar ou colocá-lo numa multifuncional. Ou seja, não tão cedo.
Pensei em tirar fotos de alguns trechos interessantes, mas a qualidade das fotos está horrível.
Não vou dar nenhum Spoiler.
Usarei citações desconexas e fora da ordem. Leiam Sinal e Ruído. Amem, riam, chorem. Desesperem-se. Mas não deixem de ler. Vale a pena. Cada milésimo de página.

"999 d.C., ultimo dia do ultimo mês do ano."


"A mortalidade é algo difícil de encarar.
'Aquilo que não nos mata nos fortalece'. Pode até ser, mas o que nos mata nos mata, e isso é dureza.
O que é preciso para a vida ter sentido?
Sinal e ruído:
O que é sinal? O que é ruído?"
Há algum tempo eu pensei um bocado sobre isso. Às vezes é melhor morrer que se fortalecer. Pode ser mais justo ou menos doloroso ou o certo. Às vezes é o errado. Às vezes, simplesmente é.


"A história é menos verdadeira por ser uma mentira?"

"Talvez eles estejam olhando para o céu.
Ali, está vendo?
Um deles está gritando...
...mas não conseguimos escutar o que diz.
Talvez estejam se preparando para deixar para trás tudo que possuem.
Talvez estejam, lenta e verdadeiramente, começando a acreditar..."

"Parado em um sinal de trânsito, olho de relance as linhas da minha mão - da mesma forma como o faço agora.
Vejo uma cicatriz na base do polegar, onde me cortei na infância com uma garrafa quebrada. Meu passado está escrito ali.
Mas e o meu futuro?
Examino a minha mão, tentando adivinhar um futuro na sua rede de ranhuras e caminhos.
Eles se mantêm ilegíveis.
E eu retorno ao passado."
Eu coloquei vários trechos para dizer coisas a um amigo. Tópicos que surgiram na nossa ultima conversa. Este é simplesmente para dizer a ele que não acredito em Destino. Ou se acredita em Destino ou em Justiça. Prefiro esse ultimo.

"Inanna falando,
dizendo coisas,
ela sente muito,
os médicos cometem erros,
ela sente muito mesmo,
novos tratamentos a cada dia,
se ela puder fazer alguma coisa,
sente muito de verdade,
e por aí vai,
falando,
mas sem dizer nada.

Somente ruído".

"Estão indo para um lugar mais alto esperar pelo fim do seu mundo."

"Só que eu não acredito no apocalipse.
Acredito na apocatástase.
Acho que esse é o título ideal para o Filme. É uma palavra difícil, e ninguém sabe o que significa, mas, fora isso, é um ótimo nome.
A-po-ca-tás-ta-se.
o significado:
1) Restauração, restabelecimento, restituição;
2) Retorno a um estado ou condição anterior;
3) (Astronomia) Retorno de um astro à sua posição aparente, conclusão de um período de rotação.
Pense a respeito."
Não acredito na Apocatástase. Nada retorna a um "estado ou condição anterior". Na primeira vez que pensei em voz alta (para mim mesmo, sendo honesto) sobre não acreditar na Apocatástase, me apareceu um diálogo entre duas pessoas. Dois amigos. Um homem e uma mulher (certo, vou admitir quem são e contar um segredo meu. Eram Castle e Beckett. Eu assisto isso tem mais de um ano, quando foi ao ar aqui. E gostei muito mesmo. É engraçado e divagando. Mas toda vez que eu gosto assim de um seriado ou filme, ou livro, ou um acontecido na minha realidade, entre um episódio e outro eu paro um pouco e penso como poderia ter sido ou um possivel diálogo que não foi às telas. Da ultima vez que isso me aconteceu, ou da penúltima, foi com O Livro do Cemitério) e ele falava para ela o porque de não acreditar. E ele ia "Não dá pra acontecer isso. Pense comigo. Estamos aqui, sentados. Se eu me inclino por esta mesa e te beijo, mesmo que não significasse nada pra mim ou que não signifique nada pra você e nós nunca mais falemos sobre isso e que isso não mude nada no nosso relacionamento, nunca vai voltar a ser o que era antes. Porque nós sabemos o que aconteceu." Inventei isso tudo. Agora. Não que eu brinco com possiveis realidades que aconteceram, não, isso eu faço. Acredito na MWI, e tenho certeza que há pelo menos uma centena  de outros mundos em que eu estou escrevendo uma postagem diferente. Inventei a metáfora agora. Na minha mente deturpada e cansada, ficou legal. No papel site, eu não sei. Tem um mundo em que a Primavera em Paris nem sangrou nem terminou. Tem um que em que ela sangrou por um motivo completamente diferente. Tem um que nunca existiu. E por aí vai. Deixo aqui outras duas recomendações: FlashForward, livro e seriado. Eu amava esse seriado. Há um mundo em que esse seriado não foi cancelado na 1ª temporada, um em que ele nunca foi filmado, outro em que é um remake, outro que Gaiman faz o roteiro de um episódio, outro que Jack Sparrow aparece faz uma belíssima cena de luta de sabres de luz com o Comodoro Norrington (piadinha... Jack Davenport [Norrington] faz um dos papeis principais no seriado, o qual, por acaso, é no livro o protagonista), outro em que... Vocês já entenderam. Em qualquer um dos mundos.

"Eles disseram - os críticos, os resenhistas - que as minhas imagens eram desoladoras. E eu concordei com eles.
Na época eu concordei. Mas agora...
Talvez seja verdade.
Eu não sei. Vivemos em um mundo onde as únicas imagens utópicas são as que aparecem em intervalos comerciais: visões mágicas de um mundo impossivelmente hospitaleiro, povoado de homens, mulheres e crianças dotados de grande beleza, olhos faiscantes...
Onde ninguém morre...
Onde tudo o que é necessário se resume a um produto barato e fácil de encontrar - um pacote de amendoim salgado, ou um novo produto para limpar tapetes -, que trará felicidade imediata em altas concentrações.
Nos meus mundos as pessoas morriam.
E eu achava isso honesto.
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade. Achava que..."

"Os seres humanos estão sempre vivendo os seus ultimos dias.
Quanto tempo nós temos?
No máximo cem anos antes que o nosso mundo acabe."


"E eu me pergunto:
Por que estou escrevendo um filme que nunca vou filmar,
criando algo que ninguém vai ver?
O mundo está sempre acabando para alguém.
É uma boa fala.

Eu a coloco na boca do pai da crianla.
Ele diz isso à esposa.
'O mundo está sempre acabando para alguém', ele diz.
Ela está tentando acalmar o bebê, e não o ouve.
Duvido que faria diferença se tivesse ouvido."


"O grande apocalipse não existe. Só uma procissão de pequenos apocalipses."
Em algum momento em Signal to Noise, é afirmado algo como "Não acredito no Apocalipse. Existem diversos apocalipses. Um para cada um de nós.". Não concordo com essa ultima parte. Existem muito mais que apenas um apocalipse pessoal. Não sou a mesma pessoa que acordou esta manhã às 09:13 ou às 09:23 ou algo do tipo de um sábado. E que não era qualquer sábado. Mudei desde então. Não sou a mesma pessoa que almoçou. Ela morreu. Todo mundo muda. Ninguém nunca muda. Eu continuo sendo eu. Tenho a mesma altura, quase o mesmo peso, mesma cor de cabelo. Mesmos gostos. Mas na pior das hipóteses eu estou mais velho. E isso me muda completamente. E não muda nada. E esta postagem está mais louca do quê conversa de um bêbado com um poste, mas precisava tirar isto da mente.

"A parte mais dificil do fim é recomeçar." É. Em todos os níveis. Pensei em fazer uma relação com um trecho de O Livro do Cemitério, mas vou poupar vocês. 

"Os apocalipses estão a cada esquina. As palavras significam o que nós queremos que signifiquem."

Está ficando tarde a a postagem está começando a feder de tão longa. Na realidade, acho que o que está fedendo são os cadáveres dos camaradas que tentaram ler a postagem toda e morreram no meio do caminho de velhice. É sério, Matusalém vai postar um comentário dizendo que ele demorou mais tempo lendo esse post do que vivendo antes de ser arrematado ou foi arrebatado, algo do tipo. E foram 969 anos. Saio com a uma sensação de dúvida: disse ou não tudo o que tinha pra dizer? Acho melhor pensar que disse tudo o que era pra dizer hoje.

Tinha uma nota que eu deveria fazer. E eu esqueci.

Uma eu ainda me lembro: o sábado é especial porque é Dois de Julho. Independência da Bahia. Me faz lembrar das aulas de Filosofia com Belzinho... Deus... Faz tempo. Toda uma vida.

Tem uma outra nota: é chato ter que esperar até uma temporada de um seriado querido ir ao ar. A 4ª de... Castle, é claro, não deve começar antes do dia 20/09/2011. Talvez, com sorte, seja no meu aniversário. Ia ser muuuuuuuito bom.

Desejo bons sonhos a vocês, meus amigos...


"But in the end,
It doesn't even matter."

quinta-feira, 10 de março de 2011

Volta de Viagem...

Boa noite, meus amigos e amigas.

♠ Como vão vocês? Faço esta postagem como uma espécie de desculpas por não haver postado nos ultimos dias, e destrincho as minhas ações como justificativa. E também (principalmente) porque faço hoje à noite reflexões sobre o porque de Amar é Para Todos e sobre a Querida Liese*, e acho que é bom ter alguem com quem conversar sobre isto. No fundo, este post é muito mais sobre música do que qualquer outra coisa.

♠ Muita coisa pode ter mudado nos ultimos dias, eu espero que as mudanças na vida de vocês tenha sido para melhor.

♠ Pois bem, eu voltei de viagem, e o saldo foi bem positivo, embora o saldo em conta corrente esteja muito próximo do negativo.

♣ Tirei muitas fotos, vi animais incriveis, vi o voo de um flamingo. É uma das coisas mais belas que já vi. Arranjei ainda uma pena de arara e duas de flamingo.
♣ Comprei algumas coisas para mim, algumas lembranças para amigos. Nada demais. E uma das compras que mais me alegrou foi um xadrez, provavelmente feito à mão, comprado em uma cidadezinha chamada Punto do Iguazu, salvo engano. Há engano, depois eu descubro o nome.
♣  Me "apaixonei" três vezes. Provavelmente a palavra real é me "encantei", e faço aqui um aposto para falar sobre isto, e não irá se repetir. A razão para este aposto é que há poucos dias conversei com uma amiga sobre paixonites, e elas também me divertem.
♦ Uma das moças era uma jovem brasileira, acredito que de São Paulo, por quem passei no Parque das Aves. Lembrava bastante a linda Pauley Perrette, e a paixonite passou cerca de duas horas depois, quando peguei a pena da arara.
♦  A segunda foi uma também jovem, também brasileira, cujo nome eu conheço. Passou também depois de pouco tempo, acredito que tenha sido depois de ouvir que meu irmão que quatro meses completa hoje, já está engatinhando.
♦  A ultima foi uma bela mulher, de cerca de trinta anos, argentina, ruiva. A vi por dois momentos, ambos no Parque das Nacional das Águas argentino. E isto me divertiu um pouco enquanto durou, que neste caso seria após andar um bocado até o Salto Adan y Eva.

♠ E agora me retiro deste entorpecimento pueril e volto à minha usual atitude. Me pergunto o que me está fazendo encantar por tantas moças nos ultimos tempos, sendo que foram quatro num espaço de um mês. Me pergunto porque existem as paixões. Me pergunto o porque do amor. E se o Amor é Para Todos?

♠ Eu me lembro que há alguns dias descobri o que é dialética, mas achei estranho. E eu não faço ideia do porque de ter comentado sobre isto. E agora concluirei minha postagem, pois Coraline me aguarda. E ela está segurando uma vela, me convocando. Bons sonhos.

* Esclarecimento: Liebe Ist Für Alle Da é um cd do Rammstein, com músicas belissimas e músicas que eu acho que pode-se classificar como excepcionalmente sinistras [muitas vezes os dois] e Liese é uma música que foi de bônus para quem comprou a edição de colecionador. É uma das belas e sinistras. Não recomendo a leitura da letra de Liese, apenas que escutem. Já a de Roter Sand, cuja melodia é compartilhada com Liese, tudo bem. Agora, vou-me. Estou esperando o Ultimo Voo do Flamingo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Blogagem Coletiva: Inte(g)ração Social Parte 1

Bom dia, boa tarde, boa noite!

♠ Como eu já disse há alguns dias, hoje é o dia da Blogagem Coletiva sobre os mais diversos temas da Integração Social (ou não) dos portadores de Deficiência. (Mais informações no Uma Pandora e Sua Caixa). Ah, aviso aos navegantes: estou um pouco áspero nessa postagem, sinto muito. Essa é a primeira parte, a segunda eu coloco mais tarde.


♠ E a minha postagem é uma reflexão que bate e volta na minha cabeça: porque "nós" (não portadores de deficiências) que devemos fazer com que "eles" (portadores de deficiência) se adaptem? Nós somos tão desprovidos de capacidade de adaptação assim? Quero dizer... O que nós fazemos?
♣ Colocamos rampas nas calçadas, colégios e áreas públicas, para que os (há alguns poucos anos, esta era a forma éticamente correta de se referir, atualmente, não tenho ideia) cadeirantes possam se locomover mais facilmente.
♣ Também colocamos alguns sinais em Braille nas caixas de biscoitos, leites, cereias e remédios, assim os portadores de deficiência visual possam ler o que estão comprando.
♣ Ainda para os portadores de deficiência visual, em alguns lugares na minha cidade tem as "Calçadas de Cego", mas são tão curtas! Estão em menos de 1% da cidade, tenho certeza.

♣ E por aí vai. Mas isto é muito pouco. Você consegue se imaginar vivendo sem falar, ou ouvir, ou enxergar? Deve ser enlouquecedor.

♠ Provavelmente você já passou por uma situção como esta:

♣ Você está na rua.
♣ Mais especificamente, num Shopping. Dentro de uma loja de roupas.
♣ Você precisa de informações sobre onde fica uma seção.
♣ Ao olhar para o lado, você vê alguém com a farda da loja, que está exatamente de costas para você. Você caminha até lá, pergunta e...
♣ Ele não te responde. Você começa a pensar algo como "Puxa, que pessoa grossa! Ah, mas eu vou continuar insistindo". E, finalmente, quando você está de frente para esta pessoa, você fala e...
♣ Percebe que ele é surdo/a. Ele é muito prestativo, tenta te ajudar como pode. Mas você nunca foi bom com linguagens não verbais.
♣ Você agradece por meio de mímica e vai embora, sem saber de onde fica a sessão que você procura e com cara de tacho, se sentindo a pior pessoa do mundo. Talvez você procure outro funcionário ou simplesmente vai embora, se recriminando. Isto já me aconteceu uma vez, e vi outra acontecer com um primo meu.

♠ A minha proposta de Integração não é que os Portadores de Deficiências adaptem-se à nossa Sociedade, mas que nós nos adaptemos à deles. Caramba, quantos surdos conseguem ler os nossos lábios, o que é um exercício muito, muito dificil? Quase todos. Irá nos matar entrar em um curso de 120 ou 200 horas de LIBRAS? O curso é barato, entre R$ 100 e R$ 200. É menos do que muitos hipócritas que eu conheço gastam em uma sentada num restaurante.

♠ Vai nos deixar mais pobres se colocarmos em todos os prédios (novos e antigos) rampas ou elevadores? Certo, vai. Mas não vale à pena?

♠  Perderemos um braço, ou uma perna ou um membro da familia se, ao passarmos por um cego perguntarmos a ele/a se deseja ajuda?

♠ E eu acho que vocês entenderam o que eu quero dizer.

♠ Novamente, peço desculpas se estou áspero.

♠ Desejo a vocês bons sonhos, e uma boa reflexão. Tem uma "música" da "Ana Carolina" que diz "Não dá pra mudar o passado. Mas, se a gente quiser, ainda dá pra mudar o futuro".

Até logo.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Inclusão Social?

Olá!

♠ Como vão todos? Já tem um bom tempo que não apareço aqui, não?

♠ Nestes dez dias que passaram eu viajei duas vezes e fui à praia. Desde antes de meu irmão nascer que eu não ia. Também pensei em três postagens, mas não acho que elas irão ver a luz do dia.

♠ Pois bem, vou à postagem: há cerca de 20 dias (no dia 12/01/2011) a Pandora de Uma Pandora e Sua Caixa (um dos melhores que tenho visto ultimamente) fez esta postagem, que é um convite: http://elfpandora.blogspot.com/2011/01/aos-amigos-um-convite.html

♠ O convite é algo interessante e lê-lo não vai tomar mais que do seu tempo. Eu decidi que iria postar sobre o tema de Inclusão Social dos Portadores de Necessidades Especiais no dia 05/02/2011.

♠ Não acho que a Pandora irá ligar se eu estender o convite a  vocês, leitores, que tem blogs: dia 05 (próximo sábado), quem quiser participar dá uma passada no link acima, lê e posta um comentário.

♠ Bons sonhos a todos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Teorias sobre a Loucura

♠ Bom dia novamente, senhoras e senhores!

♠ Ontem (na realidade, hoje de madrugada), eu pensei um pouco sobre uma frase de Einstein e decidi que postaria algo sobre o assunto (o texto é longo, mas na realidade, é bem curto).

♠ É uma canção de Infected Mushroom, uma banda Israelense e (que eu considero) psicodélica. (continua lá embaixo)



♠ O video está acima e eu reparei que a tradução não se aplica a todos os trechos em Espanhol. Sinto muito.

♠ Eu não me considero normal. O que é ser normal? Eu não faço a menor ideia. A interpretação é por conta do freguês. (continua lá embaixo...)


Becoming Insane
Não me recordo o que passou
Nem me dou conta do que me picou
Tudo da voltas como um carrossel
Loucura percorre toda minha pele


Acorde-me antes que eu mude de novo
Lembre-me da história que eu não fico insano
Fale-me por que isso é sempre igual
Me explique a razão de eu estar sentindo tanta dor

Antes que eu mude de novo...
Lembre-me da história que eu não fico insano
Antes que eu mude de novo...
Lembre-me da história que eu não fico insano
(x2):
Vou perdendo, perdendo
Vou perdendo, perdendo

Vou perdendo, perdendo
Vou perdendo, perdendo

Vou perdendo o chão
Eu estou ficando Insano

I
nsano, Insano, Insano, Insano, Insano, Estou me
tornando Insano!!!


♠ Lembrei desta citação: A questão que às vezes me deixa louco; Louco sou eu ou são os outros? (Albert Einstein). Gee! Eu não sei!


♠ Um fato interessante: o nome original do blog era Teorias e Conspirações de Um Insano, mas aí resolvi mudar. Assim é mais alegre.


♠ Retirei a letra daqui:

♠ Outro dia redescobri este post em um blog. Vale a pena ver.

http://coisas-da-gigi.blogspot.com/2009/12/criminal-minds-algumas-de-suas-citacoes.html

♠ Fiquem bem, loucos.

Bons sonhos.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Sem ideia para o título...

♠ Boa tarde! ♠ Como estão todos? ♠ E como foi o Ano Novo? ♠ Imagino que todos os muitos camaradas que leem isto aqui estejam bem, já que não são muitos. ♠ Como deu para vocês perceberem, estou sem ideia para o título. ♠ Agora, vou para a postagem (são dois posts em um). ♠ Estava eu no Youtube ouvindo uma música e me deparei com este comentário: "They sing in english in this song so PLEASE speak the mothafucking english language or do not even comment" ♠ Traduzindo é algo como: "Eles cantam esta música em Inglês, então, por favor, falem na maldita lingua inglesa ou nem comentem". É claro que não é bem isto, retirei o xingamento e adicionei pontuação, mas o significado é bem parecido. Eu fiquei um tanto quanto horrorizado e revoltado. ♠ Quer dizer... Todo mundo tem que saber Inglês para fazer um comentário numa música? ♠ E quem não tem dinheiro para fazer um curso, ou mesmo não tem condições de ir a um colégio? Poxa, ano passado tinha 11 milhões passando fome aqui no Brasil, se for considerar que não come todo dia, tem quase 70 milhões. Isso é quase o,5% ou 1/3 da população, respectivamente, e um suequinho quer que todos saibam falar Inglês! Onde está o Direito de... Não sei, talvez Liberdade de Expressão?! ♠ Certo, certo. Esta postagem é uma espécie de desabafo, mas... Convenhamos! Ninguém reclama quando alguém posta algo em Inglês numa música de Sergio Mendes, Ivete Sangalo ou O Rappa. Por que alguém reclama que outro alguém poste em polonês? Ou Espanhol? Ou... Esperanto? ♠ Agora, assunto dois do post: tem milhões de pessoas passando fome no meu país. O chute da ONU é de 815 milhões de pessoas passando fome no mundo. Isso é quase a população das Américas. E aí tem o Bill (certo, o cara é um santo. Ele doa fortunas e fortunas, mas é só um exemplo) que tem 53 BILHÕES! E o Carlos Slim, com 53,5! E mais estes camaradas aqui. Cara, eu não tenho mais palavras. O que podemos fazer? O que acontece(u) com o mundo? ♠ Deixo-lhes uma música. E um link. Tenham bons sonhos.
http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?tl=1&id=1072034&tit=112-milhoes-ainda-passam-fome

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

A Dança Das Fadas - Neil Gaiman

Boa noite a todos.
♠ Estava pensando se postaria alguma coisa no dia do ano novo e pensei... Pra quê melhor? Neil Gaiman!
♠ Talvez poste mais um poema depois deste, mas devo avisar: descumprirei minha promessa da análise de A Câmara Secreta, ao menos no futuro próximo.
♠ Boa leitura.
A Dança Das Fadas
Se eu fosse jovem e o sonho e a morte
fossem distantes como então,
Não partiria minh'alma ao meio,
guardando dela aqui um quinhão
Que tentaria o mundo das fadas
alcançar, mas sempre em vão
Enquanto a outra parte dela
andasse pela escuridão
Até curvar-se e dar três beijos
numa bela fada de maio
Que águias do céu arrancaria, com elas
pregando-me a um raio
E se meu coração fugisse dela,
se se desvencilhasse dela,
Num ninho de estrelas envolto
a fada ainda o traria com ela
Até que dele se cansasse,
quando enfarada o deixaria
Num rio de fogo onde meninos
o acabariam roubando um dia,
O iriam pegar, dele abusar,
puxando-o, deixando-o fino,
Partindo-o em quatro fios
p'ra encordoar algum violino.
E todo dia e toda noite
tocariam nele um madrigal
Que todos poria p'ra dançar
de tão estranho e sensual,
E o público rodopiaria,
saltitaria, cantaria em coro
Até que, com o olhar em brasa,
desabaria em rodas de ouro....
Mas isso foi há sessenta anos,
e jovem eu já não mais sou:
Para tocar além do sol
meu coração já alçou voo.
Com mente e olhar cheios de inveja,
admiro as almas isoladas
Que tal vento lunar não sentem,
alheias à Dança das Fadas,
Que não seduzem que não as ouve,
quem não se atreve a ser tão forte.
Quando eu era jovem, eu era um tolo. Então
me envolvam em sonho e morte.
♠ Ok. Faltam quarenta (e um) minutos para o Ano Novo aqui na Bahia. Isso me dá mais uns dez minutos para terminar esta postagem e mais meia hora para fazer a próxima.
♠ Certo, certo, a análise.
♠ Considero este um dos melhores poemas do livro e possivelmente um dos melhores do Neil (ainda não é melhor que A Paixão do Arlequim, mas...). Este belo poema fala sobre um senhor que está se lembrando de sua juventude (ao menos é o que me parece). Ele então discorre sobre suas peripécias de jovem e tolo. Sobre como ele se apaixonou por uma fada, sobre como se amarrou a uma águia, como divertiu jovens na Grande Noite (não me pergunte o que quero dizer com isso, ainda não tenho certeza).
♠ Então, ele acorda, e percebe que tudo aquilo já passou, e ele é apenas um velho. Gosto de pensar que ele se volta para o "sonho e a morte" como Morpheus fez: uma espécie de constatação da realidade: está na hora de mudar. Espero que quando chegue a minha hora, eu possa fazer esta constatação com tanta elegância assim.
♠ Provavelmente estou falando baboseiras, estou meio cansado, estou triste, estou com borboletas no estômago. Estou também com vergonha e há séculos eu não analiso um poema. E, como sempre, estou analisando este poema com base em como me sinto.
Bons sonhos a todos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Palavras, Imagens ou Olhares...?

♠ O tempo ouço pessoas dizendo "Uma imagem vale mais do que mil palavras!". ♠ Ora, eu sou um poeta, nós poetas sabemos o efeito positivo ou negativo que as palavras podem ter nas pessoas. ♠ As palavras encantam e destróem, apaixonam e quebram relacionamentos, enaltecem e poem na lama, fazem um sorriso aparecer ao dizer "Eu te amo" e fazem Lágrimas rolarem ao dizer "Me esqueça". ♠ As palavras abalam o Mundo! Os maiores governantes de todos os tempos [todos eles] tinham na Retórica seu campo de ação. E Retórica é uns 95% Palavra. ♠ Logo, eu acho esta expressão muito erronea. ♠ Mas aí chega o que minha melhor amiga e mentora me disse certa vez "Uma imagem pode valer mais do que mil palavras, pois o que tem de palavra ruim por aí não é pouco". E aí eu entendi. ♠ Ela estava certa, se a Imagem for boa, as palavras ruins podem ser suplantadas. ♠ Mas... E os olhares? ♠ Olhares são Imagens também, não são? ♠ Mas transmitem mil palavras. ♠ Dizem "Eu te adoro!", "Se prepare.", "Vamos sair mais tarde?", "Hoje eu não estou bom pra nada" e por aí vai. ♠ Mas ainda assim, as palavras tem valor maior. ♠ Para você interpretar um Olhar ou uma Imagem você precisa saber das palavras. Interpretação. ♠ E Interpretação vem das Palavras. ♠ "1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. 2 Ele estava no princípio junto de Deus. 3 Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. 4 Nele havia a vida, e a vida era a luz dos homens." ♠ As palavras são a Alma do Mundo. Não se esqueçam delas.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os Outros

♠ Outro dia minha mãe me disse "Rafael, seu gênio tá com um conto novo, se chama Os Outros". ♠ Aí, é claro que eu fui procurar o conto. ♠ Descobri, que mais uma vez, o conto tem uma extrema significancia para mim. Representa coisas. O comentário virá em seu tempo. Os Outros.
Neil Gaiman
"O tempo é fluido por aqui", disse o demônio. Soube que era um demônio no momento em que o viu. Ele apenas sabia, assim como tinha consciência de que aquele local era o Inferno. Não havia outra possibilidade de existência para ambos. A sala era longa, e o demônio o esperava próximo de um braseiro fumegante na ponta oposta. Uma miríade de objetos encontava-se pendurada nas paredes pétreas, sendo que não parecia inteligente ou tentador analisá-los com maior minúcia. O teto era baixo; o chão, estranhamente etéreo. "Aproxime-se", disse o demônio, e ele obedeceu. O demônio estava nu e inclinado. Possuía cicatrizes profundas, e sua pele parecia ter sido arrancada à força em algum ponto de seu passado distante. Não possuía orelhas, não possuía sexo. Seus lábios eram finos e austeros, e seus olhos eram verdadeiramente demoníacos: haviam visto demais e ido longe demais; sob seu olhar, o homem se sentia mais insignificante do que um verme. "O que acontece agora?", perguntou. "Agora," disse o demônio, em uma voz desprovida de angústia e regozijo, dona unicamente de uma resignação seca e aterrorizante, "você será torturado." "Até quando?" O demônio balançou a cabeça e permaneceu em silêncio. Andou devagar, rente à parede, examinando um dos instrumentos pendurados nela, e então outro. Na outra ponta da parede, próxima à porta, jazia um flagelo de nove pontas, feito de arame farpado gasto. O demônio o pegou com a sua mão de três dedos e retornou à outra ponta da sala, carregando-o reverentemente. Colocou as pontas do flagelo no braseiro, e observou-as enquanto começavam a esquentar. "Isso é desumano." "Sim." As pontas do flagelo brilhavam em um laranja mórbido. Enquanto levantava o braço para desferir o primeiro golpe, afirmou que "Na hora certa, você se recordará desse momento com ternura." "Mentiroso." "Não," disse o demônio, "A próxima etapa", explicava enquanto desferia a chicotada, "é pior." As pontas do flagelo pousaram sobre as costas do homem com um estalo e um chiado, perfurando através das roupas caras, queimando, despedaçando e rasgando a cada golpe e, não pela última vez naquele lugar, arrancando gritos. Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes daquela sala, e era sua sina experimentar cada um deles. Quando, finalmente, a Filha Lázara¹ - a qual acabou por conhecer de forma íntima - fora limpa e posta na parede no ducentésimo décimo-primeiro suporte, o homem soluçou com seus lábios arruinados: "E agora?" "Agora," disse o demônio, "a verdadeira dor começa." E começou. Cada ato que não deveria ter sido posto em prática. Cada mentira contada - para si, ou para outrem. Cada pequena ferida, e todas as grandes. Tudo fora arrancado de suas entranhas, detalhe por detalhe, lentamente. O demônio destruiu o manto do esquecimento, rasgando-o até a verdade se sobressair, e aquilo doeu mais do que tudo. "Diga-me o que você sentiu enquanto ela saía pela porta," afirmava o demônio. "Senti meu coração se estilhaçando." "Não," afirmou o demônio, sem ódio, "diga-me a verdade." "Senti alívio, pois a partir de então ela nunca saberia que eu transava com a irmã dela." O demônio desmanchou a vida de sua vítima momento por momento, relembrando-a de todos os instantes desconfortáveis. Aquilo durou cem anos, talvez mil - ambos tinham todo o tempo do mundo naquela sala cinzenta - e, perto do fim, o homem concluiu que o demônio estava certo: a tortura física fora mais gentil. E então, a tortura se encerrou. E, no mesmo momento em que se encerrara, se iniciou novamente. Havia o sentimento de que a primeira vez jamais ocorrera, o que de alguma maneira tornava tudo muito pior em seus olhos. A partir de então, a cada palavra balbuciada, o ódio do homem em relação a si mesmo aumentava. Não havia dentro de si lugar para mentiras, fugas ou qualquer outro elemento que não fosse a dor e a cólera. E então, deixou as palavras correrem de sua boca. Parou de derramar lágrimas por elas. Quando decidiu parar, um milênio depois, rezou para que, naquele momento, o demônio se dirigisse à parede e escolhesse a faca de esfolar, ou a mordaça, ou até mesmo os parafusos. "Mais uma vez," disse o demônio. Era como descascar uma cebola - mais uma camada que ocultava a vítima era destruída. Desta vez, aprendeu sobre consequências. Aprendeu sobre os resultados daquilo que praticara; tomou consciência de coisas para as quais estava cego ao colocá-las em prática; as maneiras pelas quais tornou o mundo algo pior; os danos causados a pessoas que nunca conhecera, encontrara ou tinha consciência da existência. Fora a mais dura lição até então. "Mais uma vez," repetiu o demônio, passados mil anos. A vítima se ajoelhou no chão, em frente ao braseiro, contorcendo-se suavemente de olhos fechados enquanto contava a história de sua vida. Experimentava-a novamente assim que a recontava - do nascimento à morte, com uma fidelidade ímpar à verdade, sem se esquecer de nada e suportando cada momento. Seu coração se abriu. Quando terminou, sentou-se de olhos fechados, esperando a voz demoníaca dizer "mais uma vez", mas nada aconteceu. Abriu os olhos. Se levantou devagar. Estava sozinho. Na outra ponta da sala, havia uma porta. Ela se abriu. Um homem passou por ela. Havia terror em sua face, bem como arrogância e orgulho. Vestia roupas caras, e hesitou em dar os primeiros passos dentro da sala longa e cinzenta. Então, compreendeu. "O tempo é fluido por aqui", disse ao recém chegado. ♠ Vou ler por trás do que foi escrito:
Nós mesmos:
Nossos demônios nos torturam com todas as nossas ações. Nos torturam profundamente, fisica e emocionalmente. Eles despirão as nossas camadas de cebola - nunca se esqueça que ao cortar uma cebola, você irá chorar - lentamente, ou seja, de forma bem dolorosa. Eles nos farão sofrer tudo. Tudo mesmo. "Cada ato que não deveria ter sido posto em prática. Cada mentira contada - para si, ou para outrem. Cada pequena ferida, e todas as grandes. Tudo fora arrancado de suas entranhas, detalhe por detalhe, lentamente. O demônio destruiu o manto do esquecimento, rasgando-o até a verdade se sobressair, e aquilo doeu mais do que tudo." Isto significa que cada ato de maldade que fizermos, cada mentira que contarmos, cada ação má que realizarmos o nosso demônio fará voltar contra nós memsos. "Era como descascar uma cebola - mais uma camada que ocultava a vítima era destruída. Desta vez, aprendeu sobre consequências. Aprendeu sobre os resultados daquilo que praticara; tomou consciência de coisas para as quais estava cego ao colocá-las em prática; as maneiras pelas quais tornou o mundo algo pior; os danos causados a pessoas que nunca conhecera, encontrara ou tinha consciência da existência. Fora a mais dura lição até então." Isto é terrível. Simplesmente doloroso. A dor é profunda e forte. Real. Não para. Simplesmente não vai embora. "Seu coração se abriu." Isto para mim não é nada bom. Todas as vezes que o meu se abriu, algo ruim aconteceu. Muito tempo sofrendo. Ainda não sei o que vai me acontecer amanhã [12/11/09], mas estou preparado para o pior. Mas, a conclusão do texto é impressionante: seu demônio é você mesmo. Você mesmo que se fez sofrer voltará para te fazer sofrer mais. Você tem a chave da sua felicidade. Você tem a chave da sua tortura. Você, e não um demônio. Por favor, acreditem em mim: não se torturem. A coisa não é boa. Você conseguirá te fazer mais dor do que você pode imaginar. Deixe seu demônio sob controle. Não seja idiota que nem o cara que digitou este comentário aqui numa tentativa de parar de se torturar. Ele está depressivo e querendo que o dia passe logo, para ler uma carta que lhe será entregue. Ele tá mal. E sabe que quem fez isto foi ele mesmo. E quer parar de sofrer. Extraído daqui. ¹: Filha Lázara é, de acordo com a minha pesquisa, um instrumento que faz com que a pessoa sinta a dor de ter uma filha bastarda.

sábado, 17 de outubro de 2009

Duas Profecias

Outro dia, meu querido professor de Filosofia instruiu-nos fazer um trabalho que deu um enorme trabalho. Incluia ler, resumir e fazer um parecer de O Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, O Sermão da Montanha, O Decálogo e Os Dez Mandamentos para posteriormente analisar um texto de Richard Rorty. Eu pensei -perdão às damas que venham a ler isto- "Caralho, esse miserável faz ideia de quanto trabalhoso isso será?" e fiquei morrendo de raiva, mas sabia que era melhor fazer o trabalho. Eu bati na boca depois de ler o texto de Rorty e O Manifesto. Peço perdão aqui ao meu professor por ter pensado tal coisa. Se arrependimento matasse... O texto dele está abaixo, assim como o parecer que fiz. Em breve postarei um apendice com as referencias que Rorty faz. Texto bom é texto cheio de referencia! Boa leitura! Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж
Duas Profecias
Richard Rorty
Profecias falhas muitas vezes ensejam leituras inestimavelmente inspiradoras. Tome dois exemplos: o Novo Testamento e o "Manifesto Comunista". Ambos foram pensados por seus autores como previsões do que iria acontecer -previsões baseadas no conhecimento supremo das forças que determinam a história humana. Ambos os conjuntos de previsões foram, até agora, um fiasco risível. Ambas as pretensões de conhecimento tornaram-se objetos do ridículo. Cristo não voltou. Aqueles que sustentam que seu retorno é iminente e que seria prudente tornar-se membro de uma seita particular, a fim de preparar-se para esse evento, são corretamente vistos com suspeita. Ninguém pode provar, é claro, que o segundo advento não ocorrerá — o que forneceria evidência empírica da encarnação. Mas estamos à espera há um bom tempo. Analogamente, ninguém poderá provar que Marx e Engels estavam errados ao afirmarem que "a burguesia forjou as armas que lhe trazem a morte" (die Bourgoisie hat... die Waffen geschmiedet, die ihr den Tod bringen). É possível que a globalização do mercado de trabalho, no próximo século, reverta a progressiva burguesificação do proletariado europeu e norte-americano e que se torne verdade que "a burguesia é incapaz de seguir reinando, pois é incapaz de assegurar uma existência aos escravos no interior da própria escravidão" (die Bourgeoisie ist unfähig noch länger zu herrschen, weil sie unfähig ist ihrem Sklaven die Existenz selbst innerhalb der Sklaverei zu sichern). Talvez ocorra, então, o colapso do capitalismo e a tomada do poder político por um proletariado virtuoso e esclarecido. Talvez, em resumo, Marx e Engels tenham errado por um ou dois séculos. Contudo, o capitalismo superou muitas crises no passado e aguardamos há um bom tempo por esse proletariado. Mais uma vez, nenhum zombeteiro poderá dizer ao certo se o que os cristãos evangélicos designam como "tornar-se um Novo Ser em Jesus Cristo" não é uma experiência autenticamente transformadora, miraculosa. Mas os que declaram ter renascido dessa forma não parecem portar-se de maneira diversa do que se portavam no passado, pelo menos não tanto quanto esperávamos. Esperamos há um bom tempo que os prósperos cristãos se portem com mais dignidade do que os prósperos pagãos. De modo análogo, não podemos dizer ao certo se algum dia vislumbraremos novos ideais que tomarão o lugar daqueles que Marx e Engels chamaram — com desdém — de "individualidade, independência e liberdade burguesas" (Bourgeoispersönlichkeit, selbständigkeit und freiheit). Mas aguardamos pacientemente que os regimes ditos marxistas expliquem exatamente como são esses ideais e como devem ser transformados em realidade. Até agora, todos esses regimes provaram ser retrocessos a uma barbárie pré-iluminista, e não estágios iniciais de uma utopia pós-iluminista. Há também, é claro, aqueles que lêem as Escrituras cristãs para descobrir o que o futuro, dentro de alguns anos ou décadas, lhes reserva. Foi o caso de Ronald Reagan, por exemplo. Até recentemente, inúmeros intelectuais liam o "Manifesto Comunista" com o mesmo propósito. Assim como os cristãos aconselharam paciência e nos asseguraram que é injusto julgar Cristo pelos erros de seus fiéis sequazes, os marxistas nos asseguraram que todos os regimes "marxistas" foram, até hoje, perversões absurdas dos propósitos de Marx. Os poucos marxistas sobreviventes admitem, agora, que os partidos comunistas de Lênin, Mao e Castro não guardavam nenhuma semelhança com o poderoso proletariado dos sonhos de Marx, mas foram simples instrumentos de autocratas e oligarcas. Mas, nos dizem, algum dia haverá um genuíno partido revolucionário, um genuíno partido do proletariado — um partido cujo triunfo nos trará uma liberdade tão diversa da "liberdade burguesa" quanto a doutrina cristã de que o amor é a única lei difere dos ensinamentos arbitrários do Levítico. A maioria de nós não leva mais a sério nem os adiamentos ou as ratificações marxistas ou cristãs. Mas isso não nos impede, nem deve nos impedir, de buscar inspiração e encorajamento no Novo Testamento e no "Manifesto". Pois ambos os documentos são expressão da mesma esperança: que um dia seremos capazes de tratar as necessidades de todos os seres humanos com o respeito e a consideração com que tratamos as necessidades daqueles que nos são mais próximos e que amamos. Ambos os textos acumularam um grande poder inspirador ao longo dos anos. Os dois são documentos fundadores de movimentos que fizeram muito pela liberdade e igualdade humanas. Até hoje, ambos inspiraram inúmeros homens e mulheres valentes e abnegados, que arriscaram as suas vidas e fortunas para impedir que as gerações futuras sofressem inutilmente. É possível que haja tantos mártires socialistas quanto mártires cristãos. Se a esperança humana puder sobreviver a ogivas carregadas de carbúnculo, a inventos nucleares do tamanho de valises, à superpopulação, ao mercado de trabalho globalizado e aos desastres ambientais do próximo milênio, e se tivermos descendentes que, daqui a um século, ainda sejam capazes de consultar os registros históricos ou buscar inspiração no passado, talvez eles se recordem de Santa Inês e Rosa Luxemburgo, de São Francisco e Eugene Debs, de Padre Damien e Jean Jaurès como membros de um só movimento. Do mesmo modo que o Novo Testamento é lido por milhões de pessoas que não perdem muito tempo pensando se Cristo retornará algum dia, assim também o "Manifesto Comunista" ainda é lido por quem espera e acredita que a justiça social pode ser atingida sem uma revolução do tipo previsto por Marx: que uma sociedade sem classes, um mundo "em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos" (worin die freie Entwicklung eines jeden, die Bedingung für die freie Entwicklung aller ist), pode surgir como consequência daquilo que Marx desdenhava como "reformismo burguês". Pais e professores deviam encorajar os jovens a ler esses dois livros. O jovem será moralmente melhor por tê-los lido. Devemos educar nossos filhos para que considerem insuportável o fato de nós, leitores do Frankfurter Allgemeine Zeitung, sentados atrás de mesas e computadores, ganharmos dez vezes mais do que aqueles que sujam as mãos limpando lavabos e cem vezes mais do que aqueles que fabricam nossos computadores no Terceiro Mundo. Devemos nos certificar de que eles tenham consciência de que os países pioneiros na industrialização possuem uma riqueza cem vezes maior do que aqueles que ainda não se industrializaram. Os nossos filhos têm de aprender, desde cedo, a enxergar as desigualdades de suas fortunas e aquelas de outras crianças não como a "Vontade de Deus", nem como "o preço necessário da eficiência econômica", mas como uma tragédia evitável. Eles devem começar a pensar, o mais cedo possível, sobre como modificar o mundo, de modo a fazer com que ninguém passe fome enquanto outros se empanturram. As crianças precisam ler a mensagem de fraternidade humana de Cristo em conjunto com o relato de Marx e Engels sobre como o capitalismo industrial e o mercado livre -indispensáveis como são hoje- tornaram muito difícil instituir essa fraternidade. Elas precisam ver as suas vidas como esforços no sentido de realizar a nossa potencialidade moral, inerente a nossa capacidade de comunicar as nossas necessidades e esperanças. Elas devem ouvir histórias sobre as congregações cristãs que se reuniam nas catacumbas e sobre os comícios de operários nas praças de metrópoles. De fato, ambos cumpriram papéis igualmente importantes no longo processo de realização dessas potencialidades. O conteúdo inspirador do Novo Testamento e do "Manifesto Comunista" não é diminuído pelo fato de milhões de pessoas terem sido escravizadas, torturadas ou terem morrido de fome a mando de pessoas sinceras ou moralmente sérias, que recitavam trechos de um ou de outro texto, a fim de justificar seus atos. A lembrança dos porões da Inquisição e das salas de interrogatório da KGB, da cobiça e arrogância impiedosas do clero cristão e da nomenclatura comunista deve, de fato, advertir-nos contra o perigo de depositar o poder nas mãos de algumas pessoas que alegam saber o que Deus, ou a História, quer. Muitas vezes, a esperança assume a forma de uma previsão errada, como ocorreu em ambos os documentos. Porém a esperança pela justiça social é a única base para uma vida humana digna desse nome. Cristianismo e marxismo ainda podem causar muito mal, pois tanto o Novo Testamento quanto o "Manifesto Comunista" ainda podem, efetivamente, ser evocados por hipócritas morais ou gângsteres egocêntricos. No meu próprio país, por exemplo, uma organização chamada Coalizão Cristã mantém sob rédea curta o Partido Republicano (e portanto o Congresso). Os líderes de tal movimento convenceram milhões de eleitores que taxar os bairros ricos para auxiliar os guetos é algo pouco cristão. Em nome dos "valores da família cristã", a coalizão ensina que o amparo do governo norte-americano a crianças de mães adolescentes, desempregadas e solteiras acabaria por "minar a responsabilidade individual". As atividades da coalizão são menos violentas do que as do movimento peruano Sendero Luminoso, hoje já moribundo. Mas os resultados de sua obra são igualmente funestos. O Sendero Luminoso, em seu auge assassino, era encabeçado por um professor de filosofia perturbado, que acreditava ser o sucessor de Lênin e Mao: um intérprete contemporâneo inspirado nos escritos de Marx. A Coalizão Cristã é encabeçada por um tele-evangelista carola: o reverendo Pat Robertson — um intérprete contemporâneo dos Evangelhos que, provavelmente, causa muito mais sofrimento nos Estados Unidos do que Abiel Guzmán conseguiu causar no Peru. Em suma: é melhor, ao ler o "Manifesto" ou o Novo Testamento, ignorar os profetas que se dizem intérpretes autorizados de um ou outro texto. Ao ler os próprios textos, devemos relevar as previsões e nos concentrar nas expressões de esperança. Devemos ler a ambos como documentos inspiradores, apelos ao que Lincoln chamava "os melhores anjos de nossa natureza", e não como relatos precisos da história do destino humano. Se tratarmos o termo "cristianismo" como o nome deste apelo, e não como uma pretensão ao conhecimento, essa palavra ainda designará uma força poderosa, a serviço da dignidade e da igualdade humanas. "Socialismo", de forma semelhante, será o nome da mesma força -um nome atualizado, mais preciso. "Socialismo cristão" será um pleonasmo: hoje, não se pode esperar pela fraternidade que pregam os Evangelhos sem esperar que os governos democráticos redistribuam a renda e as oportunidades, em oposição ao mercado. Não se pode levar a sério o Novo Testamento como um imperativo moral, e não como uma profecia, sem levar igualmente a sério a necessidade de uma tal redistribuição. Datado como é o "Manifesto", ainda assim ele é uma declaração admirável da grande lição que aprendemos ao ver o capitalismo industrial em ação: que a derrubada de governos autoritários e o advento da democracia constitucional não bastam para assegurar a igualdade ou a dignidade humanas. Hoje, assim como em 1848, é inegável que os ricos tentarão ficar mais ricos ao fazer os pobres mais pobres, que a total mercantilização do trabalho levará à miséria dos assalariados, que "o Executivo do Estado moderno é apenas um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa" (Die moderne Staatgewalt ist nur ein Ausschuss, der die gemeinschaftlichen Geschäfts der ganzen Bourgeoisklasse verwaltet). A distinção proletariado-burguesia hoje talvez soe tão antiquada como a distinção cristão-pagão, mas se substituirmos "os 20% mais ricos" pelo termo "burguesia" e "os outros 80%" pelo termo "proletariado", a maioria das frases do "Manifesto" permanecerá verdadeira (é claro, porém, que elas soam um pouco menos verdadeiras em "Welfare States" totalmente desenvolvidos, como a Alemanha, e um pouco mais verdadeiras em países como o meu, no qual a cobiça predomina e as conquistas do "Welfare State" são rudimentares). Dizer que a história é a história da luta de classes ainda é verdadeiro, se seu significado for que, em toda cultura, sob qualquer forma de governo e em todas as situações imagináveis (na Inglaterra, quando Henrique 8º dissolveu os monastérios, na Indonésia, depois que os holandeses partiram, na China, após a morte de Mao, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos de Thatcher e Reagan), as pessoas que já tenham posto as mãos no poder e no dinheiro farão de tudo para que seus descendentes os monopolizem para sempre. Se a história apresenta um espetáculo moral, este é a luta para romper tais monopólios. O uso da doutrina cristã para pleitear a abolição da escravatura (e para repudiar o equivalente norte-americano das leis de Nurembergue — as leis de segregação racial) revela o melhor do cristianismo. O uso da doutrina marxista para despertar a consciência dos operários, para esclarecer-lhes como eles são explorados, revela o melhor do marxismo. Quando elas se fundem, como no movimento "Evangelho Social", nas teologias de Paul Tillich e Walter Rauschenbusch e nas encíclicas papais mais socialistas, a luta pela justiça social pode transcender as controvérsias entre teístas e ateístas. Tais controvérsias devem ser superadas: importa muito mais (é o que ensina o Novo Testamento) a forma de tratarmos os outros no dia-a-dia do que o resultado de disputas sobre a existência ou a natureza de outro mundo. O movimento sindical, que Marx e Engels pensavam apenas como uma transição para os partidos políticos revolucionários, revelou-se a encarnação mais inspirada das virtudes cristãs da abnegação e da ágape fraternal já registrada na história. A ascensão dos sindicatos, sob o aspecto ético, é o desenvolvimento mais promissor dos tempos modernos. Ele testemunhou o mais puro e altruísta heroísmo. Embora muitos sindicatos tenham se tornado corruptos e outros, petrificados, a estatura moral dos sindicatos faz sombra à igreja e às empresas, aos governos e às universidades. Pois os sindicatos foram fundados por homens e mulheres que tinham muito a perder -arriscava-se perder o trabalho e não levar comida para os familiares. Eles assumiram esse risco em proveito de um futuro humano melhor, e todos lhes somos gratos. As organizações por eles fundadas estão santificadas pelos seus sacrifícios. O "Manifesto" inspirou os fundadores da maioria dos sindicatos dos tempos modernos. Ao citarem as suas palavras, os fundadores dos sindicatos são capazes de incitar milhões de operários contra as condições degradantes e os salários de fome. Tais palavras reforçaram a crença de que o sacrifício dos grevistas -sua disposição de ver suas crianças passarem fome, mas não de ceder às exigências de maior retorno para o investimento do proprietário- não seria em vão. Um texto que foi capaz disso sempre fará parte dos tesouros de nosso legado intelectual e espiritual. De fato, o "Manifesto" exprimiu algo de que os trabalhadores aos poucos se davam conta: "Em vez de se erguer com o progresso da indústria", o trabalhador corria o risco de "afundar, cada vez mais, abaixo das condições de existência de sua própria classe" (Die moderne Arbeiter dagegen, statt sich mit dem Fortschritt der Industrie zu heben, sinkt immer tiefer unter die Bedingungen seiner eignen Klasse hinab). Na Europa e nos Estados Unidos, tal risco foi evitado, ao menos por certo tempo, graças à coragem de trabalhadores que leram o "Manifesto" e, como resultado, sentiram-se no dever de exigir sua parcela de poder político. Se esperassem pela bondade e caridade de seus superiores, suas crianças ainda seriam analfabetas e mal-nutridas. As palavras do Evangelho e do "Manifesto" talvez tenham proporcionado igual quantidade de coragem e inspiração. Mas, em muitos aspectos, o "Manifesto" é um livro mais apropriado ao jovem do que o Novo Testamento. Este último, de fato, padece do defeito moral do escapismo: a sua sugestão de que podemos separar o problema de nossa relação individual com Deus — a nossa chance individual de salvação — de nossa participação nos esforços cooperativos para dar cabo de sofrimentos inúteis. Muitas passagens dos Evangelhos sugeriram que os proprietários de escravos tinham legitimidade em fustigar seus escravos e que os ricos podiam deixar os pobres morrerem de fome. Afinal de contas, todos eles iriam para o céu e seus pecados seriam perdoados por terem aceitado Cristo como Senhor. Como texto do mundo antigo, o Novo Testamento aceita uma das convicções centrais dos filósofos gregos, para quem a contemplação das verdades universais era a vida ideal para um ser humano. Segundo essa convicção, as condições sociais da vida humana nunca mudarão, ao menos em nenhum aspecto importante: sempre teremos pobres ao nosso lado — e talvez também escravos. Tal convicção leva os autores do Novo Testamento a desviarem a atenção da possibilidade de um futuro melhor e a se concentrarem na esperança de um lugar no céu. A única utopia que tais autores imaginam situa-se num outro mundo, totalmente diverso. Nós, modernos, somos superiores aos antigos -tanto pagãos quanto cristãos- em nossa capacidade de imaginar uma utopia aqui na Terra. Os séculos 18 e 19 testemunharam, na Europa e na América do Norte, uma alteração radical na esperança humana -uma alteração da eternidade para o tempo futuro, da especulação sobre como ganhar as benesses divinas para o planejamento da felicidade das gerações futuras. Essa noção de que o futuro humano pode ser modificado pelo passado, desvinculado de poderes não-humanos, é magnificamente expresso no "Manifesto". Seria melhor, é claro, se tivéssemos um novo documento para dar inspiração e esperança às crianças — que fosse isento dos defeitos do Novo Testamento e do "Manifesto". Seria bom se houvesse um texto reformista, que prescindisse do caráter apocalíptico dos dois livros -que não dissesse que todas as coisas precisam ser refeitas ou que a justiça "só pode ser alcançada por meio da destruição violenta de toda a ordem social existente" (nur erreicht werden -kann- durch den gewaltsamen Umsturz aller bisherigen Gesellschasftsordnung). Seria bom se houvesse um documento que exprimisse os detalhes dessa utopia terrena, sem nos assegurar que essa utopia emergirá com plena maturidade, e rapidamente, tão logo algumas mudanças decisivas sejam tomadas — tão logo a propriedade privada seja abolida ou tão logo aceitemos Jesus em nosso coração. Seria melhor, em suma, poder conviver sem profecias ou pretensões ao conhecimento das forças determinantes da história -se é que esta esperança pode se sustentar sem tal apoio. Talvez algum dia tenhamos um novo texto para dar a nossas crianças -um que se abstenha de previsões, mas expresse o mesmo anseio por fraternidade que o Novo Testamento e esteja cheio de acuradas descrições das formas mais recentes de desumanidade, como o "Manifesto". Nesse ínterim, só temos a agradecer a esses dois textos, que nos ajudaram a ser pessoas melhores e a superar, em certa medida, nosso egoísmo grosseiro e nosso sadismo cultivado. Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж Eu adorei ler esse texto e fazer esse parecer. Infelizmente não está numa ordem inteligível e tem emoção demais, um pecado inefável para um escritor. Pensei várias vezes se deveria ordenar numa ordem "aceitável", mas decidi que não, vai assim mesmo. Este parecer apresentado aqui é levemente diferente do que apresentei em sala, alterei uma ou outra coisa. As coisas parecem melhores ou piores quando revistas. Lá vai!

♠ Tenho conversado muito com um amigo sobre política. Chego cada vez mais à conclusão de que uma mudança é necessária. É necessário ensinar o povo.

♠ Um dia seremos todos iguais. Mas não da forma sugerida por George Orwell, em A Revolução dos Bichos. Haverá um dia em que todos aqueles que lutaram, de uma forma (religiosa) ou de outra (comunista) ou ainda de uma terceira (culturalmente) ou quarta (militarmente) serão reconhecidos como heróis. Heróis que lutaram dignamente ou não pelo que acreditam. “O que nós precisamos é de um herói”.

♠ O poder corrompe. Ou fez com quem o manipula já fosse corrompido antes de poderem controlá-lo.

♠ Este próximo vem de uma das muitas conversas que tive tem pouco tempo. Digamos apenas que tudo o que esta pessoa diz reluz (irei chamá-la de "Amy", como um pseudonimo). "Sobre política, meu ex marido foi um político, e como todos, ele se transformou. Vi isso dentro da minha casa, com um cara que fui casada por 11 anos. Então fica minha teoria: todo mundo com poder vira Smeagol e olha pro anel dizendo: meu precioso. Espero que nada disso aconteça nem a você nem ao seu amigo.".

Por algum motivo, fiquei com um nó na garganta quando li isto, especialmente a parte do "espero que nada disso aconteça nem a você nem ao seu amigo.". Cara... isto realmente me bateu forte! Não sei o que a política faria a mim e nem a um cidadão que conheço (chamemos de "General Lopez", por enquanto), mas eu sonho em mudar o Brasil. Tenho princípios demais num mundo mau, em que há poucas pessoas que ainda fazem valer algo. O Brasil precisa ser mudado. Sem duvida, o poder corrompe. Algum filosofo já disse isso. Mas os principios não estão à venda. O Brasil precisa de Educação de qualidade, e este é um principio meu. Não está à venda. Sem duvida, o poder corrompe. E não sei se sou forte o suficiente para lutar contra ele. Mas acredito nos meus ideais, e talvez as pessoas achem que eu e meu amigo sejamos tolos jovens sonhadores, e provavelmente somos, mas ainda assim, corro o risco de estar repetindo este paragrafo demais e de forma. Acho que vou encerrar este por aqui, com uma citação que nunca lembro se quem disse foi Winston Churchil ou Aleister Crowley: "você pode matar um homem, mas nunca seus ideais.". A maior prova disto é Jesus Cristo. Morreu pelo que acreditava, e até hoje é lembrado de forma quase exaustiva em grande parte do mundo.

♠ O Brasil precisa ser mudado. Precisa-se mudar seus conceitos de importância.

♠ Talvez isto explique um pouco do que é necessário acontecer: estava no Respostas e vi uma pergunta “Você gostou ou não da nomeação do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016?”. Minha resposta teve como base duas que já havia respondido:

♠ " eu não dou a mínima para as Olimpíadas". A mais pura verdade. ♠ "afinal pouco me importa se o BRASIL ganhar medalhas e blá blá blá". No Brasil se investe teoricamente muito em Esportes e nada em Cultura. ♠ "até porque não irá mudar nada na minha vida se isso acontecer", apenas os competidores e emissoras serão beneficiadas se isso ocorrer ♠ "o povo é muito fútil , existe tantas coisas para nos preocuparmos" estava conversando com um amigo meu (General Lopez) assistindo um jogo de futebol amigo. Em pouco tempo, uma discussão profunda irrompeu no campo, sobre se havia sido falta ou não. Eu e meu amigo começamos a filosofar sobre este assunto e como o Brasileiro Médio é futil. ♠ ,"no fundo OLÍMPIADAS significa : Ganhar dinheiro dos trouxas", não tenho nem ideia do quanto LULA e sua corja irá ganhar com isto. ♠ "quantos brasileiros irão juntar dinheiro pra ir lá pro Rio ver os Jogos Olímpicos? Te garanto que muitos" As pessoas irão deixar de usar dinheiro para comprarem livros e educação para irem para os jogos. Com o preço de um ingresso (cerca de R$ 87 [preço previsto para cada ingresso]), uma pessoa poderia comprar um livro escolar volume único de Filosofia, Sociologia, Historia e quase todos os outros e ainda sobraria. Mas estas três seriam minha recomendação pessoal. Se a pessoa não quiser comprar um desses, vou citar o preço máximo das editoras mais acessiveis (embora, não necessáriamente as mais corretas [fui avisado pela Amy que existe roubo de direitos autorais quanto a MC]): Martin Claret: R$ 10,50 edição normal de 'Coleção a Obra Prima de Cada Autor'. L&PM Pocket: R$ 14,50 edição Pocket. Martin Claret: R$ 18,50 edição da Serie Ouro. A MC tem cerca de 295 livros publicados na normal, 60 na Ouro e a L&PM mais de 700 volumes. Fazendo as contas, você pode comprar entre 8 e 4 ou 5 livros, estou com preguiça de calcular direito... ♠ "e te garanto também que se eles for parar pra refletir eles não irão ganhar nada com isso" O Brasileiro Médio não ganhará nada indo assitir a um destes jogos. ♠ "achei tao fula essa comemoraçao do governos , Pelé, brasileiros , me desculpe ser um pouco rude mas essa é my opinion ;]". É extremamente fútil, assim como muitas coisas relacionadas a esportes. Se não me engano, Pitágoras ou Platão já escreveu sobre isso. ♠ "Na verdade eu acho que as pessoas são muito influenciadas por coisas sem impotância, sendo hipnotizadas á perder dinheiro e tempo no que realmente importa" são levadas pelas crenças e preconceitos, influencias e ignorancia. ♠ "Vai trazer muito dinheiro pro BRASIL ,mas não para nosso bolso". O Brasileiro Médio, muito pelo contrário, só irá gastar em obras ultra-hiper-mega-giga-tera-superfaturada… Serão estádios reformados, construções novas, tudo! Digamos que um estádio saia por R$ 800 milhões. Para fins de "aproximação e tornar o calculo mais fácil", os encarregados arredondarão para o valor fechado mais próximo: R$ 1 bilhão. E aí, cadê os R$ 200 milhões a mais? Numa(s) conta(s) da Suiça. Agora, imagine se todos os R$ 1 bilhão fossem para Educação e/ou Saude. O Brasil seria menos desmoralizante. ♠ Esta citação é de outro respondente: ♠ "quem deve estar comemorando é a Rede Globo, SBT, Record etc..." Ele foi "agudo" nesta. ♠ "eles vão faturar bastante, não é?" Muitos bilhões em propagandas e anunciantes e patrocinadores. ♠ "Soltaria uma caixa de foguete e ficaria feliz da vida... se fosse aprovado a diminuição da idade penal. Isso me afeta [mais] diretamente," Concordo também. Uma pessoa com 16 anos já serve para votar, então ela já serve para beber (legalmente, pois ilegalmente, quase todos já fazem) e ser presa. Já tem ideia das consequencias dos seus atos. ♠ "Entende?"

♣ Encerradas aqui as citações do Yahoo! Respostas. ♣

♠ O Brasileiro gastará R$ 87 para assistir um único jogo que durará pouco tempo. Se ao invés disso parasse para comprar algum dos livros sugeridos, ele ganharia muito mais. Ganharia conhecimento. Perderia ignorância e a capacidade de ser enganado. Mas isto não é interessante para o Estado, é? Deve-se deixar o povo ignorante para que ele continue sendo enganado.

♠ Talvez este parecer esteja completamente equivocado. Provavelmente está. Talvez também esteja muito mal feito. Mas foi assim que eu entendi o texto: uma metáfora para mudarmos o mundo.

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♠ E foi só até aí que foi o parecer.

♠ Mas ainda posso relacioná-lo posteriormente com um discurso de Martin Luther King sobre os Sonhos. E este eu farei questão de publicar.

♠ Hoje meu professor me enviou uma pequena mensagem sobre Mikhail Bakunin, (o "inventor" do Anarquismo e russo [caramba, amo a Rússia. É meu sonho de consumo. Podem me chamar de louco, mas desejo falar russo e ir para lá.]). Ela comprovava o que a Amy dizia. Acho que clicando na imagem você amplia.

♠ Irei estudar mais sobre Bakunin e postarei algo aqui. Mas antes, minha prioridade é o discurso de MLK.

Obrigado a quem leu (que sei que são pouquíssimos, atualmente). xoxo