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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um soneto perdido (no meio de prosa) achado em um filme

Olá, pessoas!

Então, percebi que já tem um tempinho que eu não posto um poema.
Não na integra, visto que o ultimo, há quatro dias (21/08/2011) não conta.
E hoje eu resolvi fazer algo de útil com meu tempo extra e assistir um bom filme. Resolvi assistir, entre outros, O Homem que Copiava.

Há uns quatro anos, talvez, eu comecei a assistir, mas por alguma razão que não me lembro mais, parei de assistir e há quase três meses eu consegui o filme, mas não estava muito a fim de assistir. Oh, que naïve eu sou...
O filme é ótimo.
Perfeito, magnífico, maravilhoso e mágico. Tem senso de humor, críticas, trilha sonora bacana, roteiro, personagens... Ah, personagens... E tem esse soneto. É de Shakespeare.


Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate

E ele me lembrou bastante um soneto que eu postei há muuuuuuuito tempo de Camões.
http://sonhosteoriasepalavras.blogspot.com/2011/04/mudam-se-os-tempos.html

Para os camaradas que ainda não assistiram O Homem que Copiava: assistam.
Para os camaradas que já assistiram O Homem que Copiava: um brinde aos finais felizes. Para os que os terão e para os que sonharão em tê-los.

Bons sonhos...

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Inventando Alladim - Neil Gaiman

Hey, pessoas!

Estive levando uns puxões de orelha.

Duas pessoinhas estão reclamando que estou postando pouco.

Enfim, que melhor para pedir desculpas do quê Gaiman?

Lá vai.

Inventando Alladim,
Neil Gaiman

Na cama com ele, aquela noite, como toda noite,
sua irmã a seus pés, ela termina a história,
então espera. Sua irmã rapidamente entende
e diz: - Não consigo dormir. Conta outra, por favor?
Scheherazade inspira nervosamente
e começa: - Na distante Pequim
vivia um jovem preguiçoso com sua mãe.
Seu nome? Alladim. Seu pai tinha morrido...
Ela conta como um mágico sombrio chegou,
dizendo ser seu tio, com um plano:
Levou o garoto para um lugar isolado,
deu-lhe um anel que, disse, o protegeria,
jogou-o numa caverna cheia de pedras preciosas,
-Traga-me a lâmpada! - e quando Alladim se recusou,
na escuridão foi abandonado e sepultado...

Pronto.

Alladim preso debaixo da terra,
ela para, seu marido fisgado por mais uma noite.

No dia seguinte
ela cozinha
alimenta os filhos
e sonha...
Sabendo que Alladim está preso,
e que sua história
só lhe deu mais um dia.
O que acontece agora?
Ela gostaria de saber.

É só quando a noite chega
e seu marido diz, como sempre:
-Amanhã cortarei sua cabeça-,
quando Dunyazade, sua irmã, pergunta: -Mas, por favor,
o que houve com Alladim? - só então ela sabe...

E, numa caverna adornada com joias,
Alladim esfrega sua lâmpada. O Gênio surge.
A história prossegue. Alladim conquista
a princesa e um palácio feito de pérolas.
Vejam só, o mago das trevas está voltando:
-Lâmpadas novas pelas velhas- ele canta pela rua.
E depois que Alladim perde tudo,
ela para.

Ele a deixará viver mais uma noite.

Sua irmã e seu marido adormecem.
Acordada, ela olha a escuridão
Vendo mentalmente as variações:
as maneiras de devolver a Alladim seu mundo,
seu palácio, sua princesa, seu todo.
E então ela adormece. O conto precisa de um final,
mas agora ele se desfaz em sonhos em sua mente.
Ela acorda,
Alimenta os filhos
Penteia o cabelo
Vai ao mercado
Compra um pouco de óleo
O vendedor de óleo o derrama para ela,
decantando-o
de um jarro enorme.
Ela pensa:
E se um homem se escondesse aí?
Ela compra também um pouco de sésamo.

Sua irmã diz: - Ele ainda não matou você.
-Ainda não. - Não dita, a frase espera: - Mas matará.

Na cama, ela lhes conta do anel mágico
que Alladim esfrega. O escravo do Anel aparece...
Mágico morto, Alladim salvo, ela para.
Mas se a história acaba, a narradora morre,
sua única esperança é começar outra.
Scheherazade inspeciona seu armazém de palavras,
ideias e sonhos semiprontos, mal cozidos, combinam-se
com jarros capazes de esconder um homem,
e ela pensa: Abre-te, Sésamo, e sorri.
-Ali Babá era um homem direito,
mas era pobre... - ela começa, e já engrenou,
e assim sua vida é salva por mais uma noite,
até que ela o entedie ou a imaginação falte.

Ela não sabe onde ficam as histórias
antes de serem contadas. (Tampouco eu sei.)
Mas quarenta ladrões soa bem, por isso serão quarenta
ladrões. Ela reza para ter ganhado mais um punhado de dias.

Nós nos salvamos de formas bastante improváveis.


E...

É isso.

Me pergunto se há alguma possibilidade de Scheherazade morrer.
Me pergunto se há alguma possibilidade dela fugir.
Me pergunto se há alguma

Não me pergunto nada.

Pensar sobre o que poderia ter ocorrido, as coisas boas que poderiam ter ocorrido, a felicidade que poderia existir é mais desesperador do que simplesmente encarar a realidade.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Apresentação de dois novos membros:

Bom dia, pessoal!

♠ Te(re)mos mais dois membros na equipe: um é o Camarada Caio e o outro é o Sahge.

♠ Caio é um camarada que conheço há tempo, e busca o revisionismo histórico sobre temas polêmicos. A maior parte de suas postagens é sobre temas polêmicos, como Segunda Guerra Mundial. Ele busca (um)a verdade e foi convidado a juntar-se a nós. Sei que às vezes, este tipo de atitude pode vir a ser difícil, mas minhas citações sobre ele são:

Voltaire: "Posso não concordar com uma única palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-la."  Liberdade de expressão é um direito assegurado por Lei e peço-lhes que, caso se sintam incomodados com as postagens dele, pulem-nas.

 Eugène Lonesco: Ideologias nos separam, sonhos e aflição nos unem.


♠ Sahge é um Harlequin/Pierrot sonhador... E eu passei muito tempo procurando por esta palavra. Ele busca o mesmo que eu. Ainda não sei exatamente sobre o quê ele irá postar aqui, mas posso-lhes garantir que é tudo de ótima qualidade. Dou minha palavra de Harlequin, que apesar de não valer um tostão furado, é sempre impressionante. Aqui está o blog atual dele. E me pergunto: o que dizer sobre ele? O que dizer sobre mim mesmo, porque, sem dúvida, somos muito parecidos? Só há uma citação que ache apropriada:


 A questão que às vezes me deixa louco; Louco sou eu ou são os outros?


♠ Daremos as nossas boas vindas a ambos, não?

♠ Até breve, senhoras e senhores. E não se esqueçam:

Bons sonhos.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cinema!

Boa tarde!

♠ Estou pensando desde ontem nesta postagem, e hoje me decidi a fazê-la. (aviso aos viajantes: as datas riscadas são uma espécie de piada pessoal, não levem a sério).

♠ Estava assistindo The Pretender e Sidney comentou algo sobre Charlton Heston em um episódio e fiquei pensando sobre quantas pessoas que eu conheço assistem clássicos como Ben Hur 1989 1959, ou O Mágico de Oz 1999 1939 e E O Vento Levou 1990 1940 1939. E fiquei muito triste ao perceber que destes eu só assisti este ultimo.

♠ Estou decidido a assistir mais destes filmes maravilhosos (pois eu ainda não assisti nenhum filme anterior a 1994 1974 que seja ruim.

♠ Irei deixar algumas indicações:

 E O Vento Levou: a não ser que me engane, é baseado em livro de mesmo nome e estrela a... Às vezes é dificil encontrar um adjetivo bela e defunta há muito tempo Vivien Leigh, o galã Clark Gable e mais uma renca de gente e é focado na vida de Scarlett (adoro este nome) O'Hara (acho que é isto) durante a Guerra Civil Americana. Ela é sulista e eu sou péssimo para fazer sinopses. Assim vocês vão se desinteressar. Aqui é mais fácil...

  Lágrimas do Céu (1986 1996 1956) é um filme delicioso sobre um trambiqueiro chamado... Starbucks, se não me engano, que faz vários golpes e vai parar numa cidade no Texas, provavelmente e se abriga com uma familia à qual afirma que pode fazer chover em uma semana (se não me falha a memória) em troca de cem dólares (na época, era muito mesmo). Tem uma "moça" que provavelmente irá ficar para "titia" e eu sou realmente muito ruim nisso. Lá vai o link:

 E o ultimo é... Enrolados (2010). Certo, certo, eu sou um retardado_grande/abestalhado/crianção, mas o filme é muito bom! É uma releitura da história da Rapunzel (cá entre nós, ficou melhor que a original). A lenda conta que certa vez caiu um raio de sol na Terra. Do raio de sol cresceu uma flor que tinha propriedades mágicas. Uma velha viu isto e percebeu que se cantasse para a flor, ela iria lhe devolver sua juventude. Alguns séculos se passam e a esposa prenha do rei está doente. É convocada toda uma expedição para achar a flor, que é como remédio para a Rainha, que se cura e dá à luz a uma linda garotinha loira. E Bruxa a sequestra e alguns (dezoito) anos depois, um camarada chamado Flynn Rider (ladrão) escala a torre da Rapunzel (esqueci o nome dela, chamam ela de Princesa Desaparecida e Lourinha...) e é convencido a ajudá-la. Eu já vi essa história antes, de um ladrão que ajuda uma princesa, mas é uma história para depois. Dica: se forem ler a sinopse da Wikipedia, não é uma sinopse. É um resumo... Recomendo o trailer que está aí embaixo.

♠ Agora, eu gostaria de pedir as suas sugestões!

♠ Bem... Acho que isto é tudo, pessoal! Mais tarde eu passo aqui de novo.

Bons sonhos!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Virando Wodwo - Neil Gaiman

Esta é a minha última postagem do ano. Espero terminá-la a tempo.
Virando Wodwo
Despir minha camisa, meu livro, meu casaco, minha vida
Deixá-los, cascas vazias e folhas secas
Ir em busca de comida e de uma nascente
De água fresca.
Encontrarei uma árvore tão grossa quanto dez homens gordos
Água cristalina correndo entre suas raízes cinzentas
Bagos encontrarei, maçãs selvagens e nozes,
E chamarei tudo de lar.
Direi ao vento meu nome, e a mais ninguém.
A verdadeira loucura nos toma ou nos deixa na floresta
na metade da vida de todos nós. Minha pele será
meu rosto agora.
Eu devo ser doido. Deixando a razão com os sapatos e a casa,
meu estômago dói. Cambalearei através do verde
rumo a minhas raízes, e folhas e espinhos e botões,
e tremerei.
Abandonarei as palavras para andar no mato
Serei o homem da floresta, saudarei o sol,
E sentirei o silêncio brotar na minha lingua
como linguagem.
Análise... É um homem (quero dizer ser humano) (ele me lembra um pouco Richard Mayhew de Lugar Nenhum) que se cansa da vida de... humano e abandona tudo para ser um Wodwo (ou Wodwose, protetor das florestas). E não há muito mais para se dizer, o poema fala por si. O eu-lírico (deve ter alguns meses que não uso esta palavra) deixa tudo que ele tinha como sagrado para tentar ser feliz. Ele escolhe a felicidade da floresta, longe do Ser Humano, em contato apenas com seres que não desejam mal uns aos outros. Não é uma má troca. Vocês a fariam?
Pois bem, estou cansado, tenho alguma fome e é ano novo em cinco minutos. Vou-me agora. Até o ano que vem.
Bons sonhos, bom ano novo e boa vida a todos.
P.S.: a hora de publicação estará como 00:5equalquercoisa, mas continuo me referindo como 23:5emuitos porque o Brasil está em horário de verão, mas o Norte-Nordeste não. Bem, lá vai... Boa noite, bons sonhos. Que Sandman e todos os Perpétuos lhe abençoem.

A Dança Das Fadas - Neil Gaiman

Boa noite a todos.
Estava pensando se postaria alguma coisa no dia do ano novo e pensei... Pra quê melhor? Neil Gaiman!
Talvez poste mais um poema depois deste, mas devo avisar: descumprirei minha promessa da análise de A Câmara Secreta, ao menos no futuro próximo.
Boa leitura.
A Dança Das Fadas
Se eu fosse jovem e o sonho e a morte
fossem distantes como então,
Não partiria minh'alma ao meio,
guardando dela aqui um quinhão
Que tentaria o mundo das fadas
alcançar, mas sempre em vão
Enquanto a outra parte dela
andasse pela escuridão
Até curvar-se e dar três beijos
numa bela fada de maio
Que águias do céu arrancaria, com elas
pregando-me a um raio
E se meu coração fugisse dela,
se se desvencilhasse dela,
Num ninho de estrelas envolto
a fada ainda o traria com ela
Até que dele se cansasse,
quando enfarada o deixaria
Num rio de fogo onde meninos
o acabariam roubando um dia,
O iriam pegar, dele abusar,
puxando-o, deixando-o fino,
Partindo-o em quatro fios
p'ra encordoar algum violino.
E todo dia e toda noite
tocariam nele um madrigal
Que todos poria p'ra dançar
de tão estranho e sensual,
E o público rodopiaria,
saltitaria, cantaria em coro
Até que, com o olhar em brasa,
desabaria em rodas de ouro....
Mas isso foi há sessenta anos,
e jovem eu já não mais sou:
Para tocar além do sol
meu coração já alçou voo.
Com mente e olhar cheios de inveja,
admiro as almas isoladas
Que tal vento lunar não sentem,
alheias à Dança das Fadas,
Que não seduzem que não as ouve,
quem não se atreve a ser tão forte.
Quando eu era jovem, eu era um tolo. Então
me envolvam em sonho e morte.
Ok. Faltam quarenta (e um) minutos para o Ano Novo aqui na Bahia. Isso me dá mais uns dez minutos para terminar esta postagem e mais meia hora para fazer a próxima.
Certo, certo, a análise.
Considero este um dos melhores poemas do livro e possivelmente um dos melhores do Neil (ainda não é melhor que A Paixão do Arlequim, mas...). Este belo poema fala sobre um senhor que está se lembrando de sua juventude (ao menos é o que me parece). Ele então discorre sobre suas peripécias de jovem e tolo. Sobre como ele se apaixonou por uma fada, sobre como se amarrou a uma águia, como divertiu jovens na Grande Noite (não me pergunte o que quero dizer com isso, ainda não tenho certeza).
Então, ele acorda, e percebe que tudo aquilo já passou, e ele é apenas um velho. Gosto de pensar que ele se volta para o "sonho e a morte" como Morpheus fez: uma espécie de constatação da realidade: está na hora de mudar. Espero que quando chegue a minha hora, eu possa fazer esta constatação com tanta elegância assim.
Provavelmente estou falando baboseiras, estou meio cansado, estou triste, estou com borboletas no estômago. Estou também com vergonha e há séculos eu não analiso um poema. E, como sempre, estou analisando este poema com base em como me sinto.
Bons sonhos a todos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Teorias sobre o Medo

"O Medo está apenas na mente, mas nos toma a todo, todo momento".
Evanescence
Ora, temos medo a todo momento, das coisas mais bobas.
E todas as pessoas tem medo.
Algumas tem medo de altura, de cachorros, de escuro. Todo medo é irracional, e, como cantou Amy Lee, "está apenas na mente".
Um velho ditado baiano diz "Quem tem...", bem, passo o ditado.
Tenho alguns medos. Na verdade muitos. Medo de gente... Medo de mim. Medo do que posso fazer às pessoas.
Ao iniciar esta postagem, pensei que escreveria muito mais. Só que mudei de ideia. Mudei para o Arrependimento.

domingo, 15 de novembro de 2009

♠ Sem Você...

"Esta música não é pros que tiveram o coração partido...". Ao contrário do que Bon Jovi diz, esta música, apesar de ser de uma banda metaleira [não vejo nada de mal nisso], esta música é pros que tiveram o coração partido. Esta música fala sobre Saudade e Paixão. Vou analizá-la com vocês: Eu irei para onde há árvores abertas Lá é onde eu a vi pela última vez Mas o entardecer lança um pano sobre os campos E nos caminhos por trás do fim da floresta E isso faz das árvores tão negras e vazias Dói-me, oh dói-me E os passáros não cantam mais O Eu-Lírico está dizendo boa noite para sua amada. Boa noite no mau sentido da expressão: "Adeus". Pode ser adeus ou até logo. Till Lindemann [Untill?] está deixando de ver as cores do mundo, de ouvir as melódias e simplesmente tenta se aproximar de todas as coisas que fazem lembrar sua amada. Sei como é isso de olhar as coisas que lembram a sua paixão: todas as vezes que passo por um lugar, faço a volta toda, só para olhar o lugar onde eu e minha nova paixão nos beijamos pela primeira vez. Sem você eu não existo Sem você Com você eu estou sozinho Sem você Sem você eu conto as horas Sem você Com você os segundos não valem Sem você Ah, se você não estiver com sua paixão você vai sofrer, o tempo não vai passar e você não vai conseguir pensar. Estando com ela o tempo voa! Nos galhos, nos fossos Está tudo quieto e tão sem vida E minha respiração está tão pesada Dói-me, oh dói-me E os pássaros não cantam mais Saudade é uma coisa horrível! Você fica triste, depressivo e com uma sensação de que o tempo não passa! Você não consegue respirar, as feridas são profundas e as alegrias são transformadas em tristeza. Sem você eu não existo Sem você Com você eu estou sozinho Sem você Sem você eu conto as horas Sem você Com você os segundos não valem Sem você Você fica vazio, tudo é tão triste... Tão escuro e sombrio... Sem você E minha respiração está tão pesada dói-me, oh dói-me E os pássaros não cantam mais A respiração não sai. Não dá para conviver consigo mesmo. Tarefa simplesmente impossível. Sem você eu não existo Sem você Com você eu estou sozinho Sem você Sem você eu conto as horas Sem você Com você os segundos não valem Sem você Sem você (4x) Sabe qual o pior disso tudo? Que apesar de ser uma coisa tão ruim estar apaixonado, eu gosto. A saudade aflige os amantes o tempo todo, a paixão doi, você fica sem apetite... Resumindo: eu fico na fossa. E eu gosto disso. Eu adoro estar apaixonado, mesmo sabendo de tudo que acarreta isto. E agora eu estou apaixonado. Apaixone-se. Viva la vie!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Os Outros

Outro dia minha mãe me disse "Rafael, seu gênio tá com um conto novo, se chama Os Outros". Aí, é claro que eu fui procurar o conto. Descobri, que mais uma vez, o conto tem uma extrema significancia para mim. Representa coisas. O comentário virá em seu tempo. Os Outros.
Neil Gaiman
"O tempo é fluido por aqui", disse o demônio. Soube que era um demônio no momento em que o viu. Ele apenas sabia, assim como tinha consciência de que aquele local era o Inferno. Não havia outra possibilidade de existência para ambos. A sala era longa, e o demônio o esperava próximo de um braseiro fumegante na ponta oposta. Uma miríade de objetos encontava-se pendurada nas paredes pétreas, sendo que não parecia inteligente ou tentador analisá-los com maior minúcia. O teto era baixo; o chão, estranhamente etéreo. "Aproxime-se", disse o demônio, e ele obedeceu. O demônio estava nu e inclinado. Possuía cicatrizes profundas, e sua pele parecia ter sido arrancada à força em algum ponto de seu passado distante. Não possuía orelhas, não possuía sexo. Seus lábios eram finos e austeros, e seus olhos eram verdadeiramente demoníacos: haviam visto demais e ido longe demais; sob seu olhar, o homem se sentia mais insignificante do que um verme. "O que acontece agora?", perguntou. "Agora," disse o demônio, em uma voz desprovida de angústia e regozijo, dona unicamente de uma resignação seca e aterrorizante, "você será torturado." "Até quando?" O demônio balançou a cabeça e permaneceu em silêncio. Andou devagar, rente à parede, examinando um dos instrumentos pendurados nela, e então outro. Na outra ponta da parede, próxima à porta, jazia um flagelo de nove pontas, feito de arame farpado gasto. O demônio o pegou com a sua mão de três dedos e retornou à outra ponta da sala, carregando-o reverentemente. Colocou as pontas do flagelo no braseiro, e observou-as enquanto começavam a esquentar. "Isso é desumano." "Sim." As pontas do flagelo brilhavam em um laranja mórbido. Enquanto levantava o braço para desferir o primeiro golpe, afirmou que "Na hora certa, você se recordará desse momento com ternura." "Mentiroso." "Não," disse o demônio, "A próxima etapa", explicava enquanto desferia a chicotada, "é pior." As pontas do flagelo pousaram sobre as costas do homem com um estalo e um chiado, perfurando através das roupas caras, queimando, despedaçando e rasgando a cada golpe e, não pela última vez naquele lugar, arrancando gritos. Havia duzentos e onze instrumentos nas paredes daquela sala, e era sua sina experimentar cada um deles. Quando, finalmente, a Filha Lázara¹ - a qual acabou por conhecer de forma íntima - fora limpa e posta na parede no ducentésimo décimo-primeiro suporte, o homem soluçou com seus lábios arruinados: "E agora?" "Agora," disse o demônio, "a verdadeira dor começa." E começou. Cada ato que não deveria ter sido posto em prática. Cada mentira contada - para si, ou para outrem. Cada pequena ferida, e todas as grandes. Tudo fora arrancado de suas entranhas, detalhe por detalhe, lentamente. O demônio destruiu o manto do esquecimento, rasgando-o até a verdade se sobressair, e aquilo doeu mais do que tudo. "Diga-me o que você sentiu enquanto ela saía pela porta," afirmava o demônio. "Senti meu coração se estilhaçando." "Não," afirmou o demônio, sem ódio, "diga-me a verdade." "Senti alívio, pois a partir de então ela nunca saberia que eu transava com a irmã dela." O demônio desmanchou a vida de sua vítima momento por momento, relembrando-a de todos os instantes desconfortáveis. Aquilo durou cem anos, talvez mil - ambos tinham todo o tempo do mundo naquela sala cinzenta - e, perto do fim, o homem concluiu que o demônio estava certo: a tortura física fora mais gentil. E então, a tortura se encerrou. E, no mesmo momento em que se encerrara, se iniciou novamente. Havia o sentimento de que a primeira vez jamais ocorrera, o que de alguma maneira tornava tudo muito pior em seus olhos. A partir de então, a cada palavra balbuciada, o ódio do homem em relação a si mesmo aumentava. Não havia dentro de si lugar para mentiras, fugas ou qualquer outro elemento que não fosse a dor e a cólera. E então, deixou as palavras correrem de sua boca. Parou de derramar lágrimas por elas. Quando decidiu parar, um milênio depois, rezou para que, naquele momento, o demônio se dirigisse à parede e escolhesse a faca de esfolar, ou a mordaça, ou até mesmo os parafusos. "Mais uma vez," disse o demônio. Era como descascar uma cebola - mais uma camada que ocultava a vítima era destruída. Desta vez, aprendeu sobre consequências. Aprendeu sobre os resultados daquilo que praticara; tomou consciência de coisas para as quais estava cego ao colocá-las em prática; as maneiras pelas quais tornou o mundo algo pior; os danos causados a pessoas que nunca conhecera, encontrara ou tinha consciência da existência. Fora a mais dura lição até então. "Mais uma vez," repetiu o demônio, passados mil anos. A vítima se ajoelhou no chão, em frente ao braseiro, contorcendo-se suavemente de olhos fechados enquanto contava a história de sua vida. Experimentava-a novamente assim que a recontava - do nascimento à morte, com uma fidelidade ímpar à verdade, sem se esquecer de nada e suportando cada momento. Seu coração se abriu. Quando terminou, sentou-se de olhos fechados, esperando a voz demoníaca dizer "mais uma vez", mas nada aconteceu. Abriu os olhos. Se levantou devagar. Estava sozinho. Na outra ponta da sala, havia uma porta. Ela se abriu. Um homem passou por ela. Havia terror em sua face, bem como arrogância e orgulho. Vestia roupas caras, e hesitou em dar os primeiros passos dentro da sala longa e cinzenta. Então, compreendeu. "O tempo é fluido por aqui", disse ao recém chegado. Vou ler por trás do que foi escrito:
Nós mesmos:
Nossos demônios nos torturam com todas as nossas ações. Nos torturam profundamente, fisica e emocionalmente. Eles despirão as nossas camadas de cebola - nunca se esqueça que ao cortar uma cebola, você irá chorar - lentamente, ou seja, de forma bem dolorosa. Eles nos farão sofrer tudo. Tudo mesmo. "Cada ato que não deveria ter sido posto em prática. Cada mentira contada - para si, ou para outrem. Cada pequena ferida, e todas as grandes. Tudo fora arrancado de suas entranhas, detalhe por detalhe, lentamente. O demônio destruiu o manto do esquecimento, rasgando-o até a verdade se sobressair, e aquilo doeu mais do que tudo." Isto significa que cada ato de maldade que fizermos, cada mentira que contarmos, cada ação má que realizarmos o nosso demônio fará voltar contra nós memsos. "Era como descascar uma cebola - mais uma camada que ocultava a vítima era destruída. Desta vez, aprendeu sobre consequências. Aprendeu sobre os resultados daquilo que praticara; tomou consciência de coisas para as quais estava cego ao colocá-las em prática; as maneiras pelas quais tornou o mundo algo pior; os danos causados a pessoas que nunca conhecera, encontrara ou tinha consciência da existência. Fora a mais dura lição até então." Isto é terrível. Simplesmente doloroso. A dor é profunda e forte. Real. Não para. Simplesmente não vai embora. "Seu coração se abriu." Isto para mim não é nada bom. Todas as vezes que o meu se abriu, algo ruim aconteceu. Muito tempo sofrendo. Ainda não sei o que vai me acontecer amanhã [12/11/09], mas estou preparado para o pior. Mas, a conclusão do texto é impressionante: seu demônio é você mesmo. Você mesmo que se fez sofrer voltará para te fazer sofrer mais. Você tem a chave da sua felicidade. Você tem a chave da sua tortura. Você, e não um demônio. Por favor, acreditem em mim: não se torturem. A coisa não é boa. Você conseguirá te fazer mais dor do que você pode imaginar. Deixe seu demônio sob controle. Não seja idiota que nem o cara que digitou este comentário aqui numa tentativa de parar de se torturar. Ele está depressivo e querendo que o dia passe logo, para ler uma carta que lhe será entregue. Ele tá mal. E sabe que quem fez isto foi ele mesmo. E quer parar de sofrer. Extraído daqui. ¹: Filha Lázara é, de acordo com a minha pesquisa, um instrumento que faz com que a pessoa sinta a dor de ter uma filha bastarda.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Trilhos Descarrilados

Durante minha vida, segui alguns padrões. [Eu escutei os pregadores, Eu escutei os tolos] Não sei de quem foi a culpa. Conforme expliquei à "Amy", tem uma receita bem fácil para produzir alguém bem parecido comigo. ♦ Pegue uma criança do sexo masculino com seis anos, ♦ Ensine ele a ler, ♦ Ensine ele a escrever, ♦ Dê muitos livros sobre Idade Média, Romance, Amizade etc, ♦ Dê muitos filmes sobre Idade Média, Romantismo, Amizade etc, ♦ Dê muitos livros sobre Utópicos sobre Liberté, Egalité, Fraternité, periodos em que as coisas eram direitas e... Voi Lá! ♦ Você terá em casa, praticamente gratuitamente, um Camarada/Tolo/Ingenuo/Itopico/Romantico/Sonhador com um punhado de ideias sobre o mundo ideal numa mão e umas citações legais sobre como se tratar bem as pessoas. Conforme ela ressaltou, a culpa não é dos livros. O problema é bem mais simples: eu acreditei. E fui vivendo a minha vida, de uma forma a levar tudo adiante... Sabendo de muito mas não entendendo nada. Mas então... Coisas aconteceram. Pessoas chegaram. Aromas também. Filmes e músicas ganharam significados... Minha vida mudou. Da noite pro dia. Sofri muito. Não dá para descrever. Ou melhor, não quero descrever.[Feridas mentais que ainda gritam, Me deixando louco] E agora, eu realmente saí dos trilhos. Estou sendo o mais hedonista possível. Aproveitando. Vivendo. [Estou saindo dos trilhos num trem maluco] E é agora que eu começo a assobiar. Este prelúdio faz parte de uma promessa que eu havia feito a um amigo. A análise da letra vem depois. я тебя люблю.

sábado, 17 de outubro de 2009

Duas Profecias

Outro dia, meu querido professor de Filosofia instruiu-nos fazer um trabalho que deu um enorme trabalho. Incluia ler, resumir e fazer um parecer de O Manifesto do Partido Comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels, O Sermão da Montanha, O Decálogo e Os Dez Mandamentos para posteriormente analisar um texto de Richard Rorty. Eu pensei -perdão às damas que venham a ler isto- "Caralho, esse miserável faz ideia de quanto trabalhoso isso será?" e fiquei morrendo de raiva, mas sabia que era melhor fazer o trabalho. Eu bati na boca depois de ler o texto de Rorty e O Manifesto. Peço perdão aqui ao meu professor por ter pensado tal coisa. Se arrependimento matasse... O texto dele está abaixo, assim como o parecer que fiz. Em breve postarei um apendice com as referencias que Rorty faz. Texto bom é texto cheio de referencia! Boa leitura! Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж
Duas Profecias
Richard Rorty
Profecias falhas muitas vezes ensejam leituras inestimavelmente inspiradoras. Tome dois exemplos: o Novo Testamento e o "Manifesto Comunista". Ambos foram pensados por seus autores como previsões do que iria acontecer -previsões baseadas no conhecimento supremo das forças que determinam a história humana. Ambos os conjuntos de previsões foram, até agora, um fiasco risível. Ambas as pretensões de conhecimento tornaram-se objetos do ridículo. Cristo não voltou. Aqueles que sustentam que seu retorno é iminente e que seria prudente tornar-se membro de uma seita particular, a fim de preparar-se para esse evento, são corretamente vistos com suspeita. Ninguém pode provar, é claro, que o segundo advento não ocorrerá — o que forneceria evidência empírica da encarnação. Mas estamos à espera há um bom tempo. Analogamente, ninguém poderá provar que Marx e Engels estavam errados ao afirmarem que "a burguesia forjou as armas que lhe trazem a morte" (die Bourgoisie hat... die Waffen geschmiedet, die ihr den Tod bringen). É possível que a globalização do mercado de trabalho, no próximo século, reverta a progressiva burguesificação do proletariado europeu e norte-americano e que se torne verdade que "a burguesia é incapaz de seguir reinando, pois é incapaz de assegurar uma existência aos escravos no interior da própria escravidão" (die Bourgeoisie ist unfähig noch länger zu herrschen, weil sie unfähig ist ihrem Sklaven die Existenz selbst innerhalb der Sklaverei zu sichern). Talvez ocorra, então, o colapso do capitalismo e a tomada do poder político por um proletariado virtuoso e esclarecido. Talvez, em resumo, Marx e Engels tenham errado por um ou dois séculos. Contudo, o capitalismo superou muitas crises no passado e aguardamos há um bom tempo por esse proletariado. Mais uma vez, nenhum zombeteiro poderá dizer ao certo se o que os cristãos evangélicos designam como "tornar-se um Novo Ser em Jesus Cristo" não é uma experiência autenticamente transformadora, miraculosa. Mas os que declaram ter renascido dessa forma não parecem portar-se de maneira diversa do que se portavam no passado, pelo menos não tanto quanto esperávamos. Esperamos há um bom tempo que os prósperos cristãos se portem com mais dignidade do que os prósperos pagãos. De modo análogo, não podemos dizer ao certo se algum dia vislumbraremos novos ideais que tomarão o lugar daqueles que Marx e Engels chamaram — com desdém — de "individualidade, independência e liberdade burguesas" (Bourgeoispersönlichkeit, selbständigkeit und freiheit). Mas aguardamos pacientemente que os regimes ditos marxistas expliquem exatamente como são esses ideais e como devem ser transformados em realidade. Até agora, todos esses regimes provaram ser retrocessos a uma barbárie pré-iluminista, e não estágios iniciais de uma utopia pós-iluminista. Há também, é claro, aqueles que lêem as Escrituras cristãs para descobrir o que o futuro, dentro de alguns anos ou décadas, lhes reserva. Foi o caso de Ronald Reagan, por exemplo. Até recentemente, inúmeros intelectuais liam o "Manifesto Comunista" com o mesmo propósito. Assim como os cristãos aconselharam paciência e nos asseguraram que é injusto julgar Cristo pelos erros de seus fiéis sequazes, os marxistas nos asseguraram que todos os regimes "marxistas" foram, até hoje, perversões absurdas dos propósitos de Marx. Os poucos marxistas sobreviventes admitem, agora, que os partidos comunistas de Lênin, Mao e Castro não guardavam nenhuma semelhança com o poderoso proletariado dos sonhos de Marx, mas foram simples instrumentos de autocratas e oligarcas. Mas, nos dizem, algum dia haverá um genuíno partido revolucionário, um genuíno partido do proletariado — um partido cujo triunfo nos trará uma liberdade tão diversa da "liberdade burguesa" quanto a doutrina cristã de que o amor é a única lei difere dos ensinamentos arbitrários do Levítico. A maioria de nós não leva mais a sério nem os adiamentos ou as ratificações marxistas ou cristãs. Mas isso não nos impede, nem deve nos impedir, de buscar inspiração e encorajamento no Novo Testamento e no "Manifesto". Pois ambos os documentos são expressão da mesma esperança: que um dia seremos capazes de tratar as necessidades de todos os seres humanos com o respeito e a consideração com que tratamos as necessidades daqueles que nos são mais próximos e que amamos. Ambos os textos acumularam um grande poder inspirador ao longo dos anos. Os dois são documentos fundadores de movimentos que fizeram muito pela liberdade e igualdade humanas. Até hoje, ambos inspiraram inúmeros homens e mulheres valentes e abnegados, que arriscaram as suas vidas e fortunas para impedir que as gerações futuras sofressem inutilmente. É possível que haja tantos mártires socialistas quanto mártires cristãos. Se a esperança humana puder sobreviver a ogivas carregadas de carbúnculo, a inventos nucleares do tamanho de valises, à superpopulação, ao mercado de trabalho globalizado e aos desastres ambientais do próximo milênio, e se tivermos descendentes que, daqui a um século, ainda sejam capazes de consultar os registros históricos ou buscar inspiração no passado, talvez eles se recordem de Santa Inês e Rosa Luxemburgo, de São Francisco e Eugene Debs, de Padre Damien e Jean Jaurès como membros de um só movimento. Do mesmo modo que o Novo Testamento é lido por milhões de pessoas que não perdem muito tempo pensando se Cristo retornará algum dia, assim também o "Manifesto Comunista" ainda é lido por quem espera e acredita que a justiça social pode ser atingida sem uma revolução do tipo previsto por Marx: que uma sociedade sem classes, um mundo "em que o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos" (worin die freie Entwicklung eines jeden, die Bedingung für die freie Entwicklung aller ist), pode surgir como consequência daquilo que Marx desdenhava como "reformismo burguês". Pais e professores deviam encorajar os jovens a ler esses dois livros. O jovem será moralmente melhor por tê-los lido. Devemos educar nossos filhos para que considerem insuportável o fato de nós, leitores do Frankfurter Allgemeine Zeitung, sentados atrás de mesas e computadores, ganharmos dez vezes mais do que aqueles que sujam as mãos limpando lavabos e cem vezes mais do que aqueles que fabricam nossos computadores no Terceiro Mundo. Devemos nos certificar de que eles tenham consciência de que os países pioneiros na industrialização possuem uma riqueza cem vezes maior do que aqueles que ainda não se industrializaram. Os nossos filhos têm de aprender, desde cedo, a enxergar as desigualdades de suas fortunas e aquelas de outras crianças não como a "Vontade de Deus", nem como "o preço necessário da eficiência econômica", mas como uma tragédia evitável. Eles devem começar a pensar, o mais cedo possível, sobre como modificar o mundo, de modo a fazer com que ninguém passe fome enquanto outros se empanturram. As crianças precisam ler a mensagem de fraternidade humana de Cristo em conjunto com o relato de Marx e Engels sobre como o capitalismo industrial e o mercado livre -indispensáveis como são hoje- tornaram muito difícil instituir essa fraternidade. Elas precisam ver as suas vidas como esforços no sentido de realizar a nossa potencialidade moral, inerente a nossa capacidade de comunicar as nossas necessidades e esperanças. Elas devem ouvir histórias sobre as congregações cristãs que se reuniam nas catacumbas e sobre os comícios de operários nas praças de metrópoles. De fato, ambos cumpriram papéis igualmente importantes no longo processo de realização dessas potencialidades. O conteúdo inspirador do Novo Testamento e do "Manifesto Comunista" não é diminuído pelo fato de milhões de pessoas terem sido escravizadas, torturadas ou terem morrido de fome a mando de pessoas sinceras ou moralmente sérias, que recitavam trechos de um ou de outro texto, a fim de justificar seus atos. A lembrança dos porões da Inquisição e das salas de interrogatório da KGB, da cobiça e arrogância impiedosas do clero cristão e da nomenclatura comunista deve, de fato, advertir-nos contra o perigo de depositar o poder nas mãos de algumas pessoas que alegam saber o que Deus, ou a História, quer. Muitas vezes, a esperança assume a forma de uma previsão errada, como ocorreu em ambos os documentos. Porém a esperança pela justiça social é a única base para uma vida humana digna desse nome. Cristianismo e marxismo ainda podem causar muito mal, pois tanto o Novo Testamento quanto o "Manifesto Comunista" ainda podem, efetivamente, ser evocados por hipócritas morais ou gângsteres egocêntricos. No meu próprio país, por exemplo, uma organização chamada Coalizão Cristã mantém sob rédea curta o Partido Republicano (e portanto o Congresso). Os líderes de tal movimento convenceram milhões de eleitores que taxar os bairros ricos para auxiliar os guetos é algo pouco cristão. Em nome dos "valores da família cristã", a coalizão ensina que o amparo do governo norte-americano a crianças de mães adolescentes, desempregadas e solteiras acabaria por "minar a responsabilidade individual". As atividades da coalizão são menos violentas do que as do movimento peruano Sendero Luminoso, hoje já moribundo. Mas os resultados de sua obra são igualmente funestos. O Sendero Luminoso, em seu auge assassino, era encabeçado por um professor de filosofia perturbado, que acreditava ser o sucessor de Lênin e Mao: um intérprete contemporâneo inspirado nos escritos de Marx. A Coalizão Cristã é encabeçada por um tele-evangelista carola: o reverendo Pat Robertson — um intérprete contemporâneo dos Evangelhos que, provavelmente, causa muito mais sofrimento nos Estados Unidos do que Abiel Guzmán conseguiu causar no Peru. Em suma: é melhor, ao ler o "Manifesto" ou o Novo Testamento, ignorar os profetas que se dizem intérpretes autorizados de um ou outro texto. Ao ler os próprios textos, devemos relevar as previsões e nos concentrar nas expressões de esperança. Devemos ler a ambos como documentos inspiradores, apelos ao que Lincoln chamava "os melhores anjos de nossa natureza", e não como relatos precisos da história do destino humano. Se tratarmos o termo "cristianismo" como o nome deste apelo, e não como uma pretensão ao conhecimento, essa palavra ainda designará uma força poderosa, a serviço da dignidade e da igualdade humanas. "Socialismo", de forma semelhante, será o nome da mesma força -um nome atualizado, mais preciso. "Socialismo cristão" será um pleonasmo: hoje, não se pode esperar pela fraternidade que pregam os Evangelhos sem esperar que os governos democráticos redistribuam a renda e as oportunidades, em oposição ao mercado. Não se pode levar a sério o Novo Testamento como um imperativo moral, e não como uma profecia, sem levar igualmente a sério a necessidade de uma tal redistribuição. Datado como é o "Manifesto", ainda assim ele é uma declaração admirável da grande lição que aprendemos ao ver o capitalismo industrial em ação: que a derrubada de governos autoritários e o advento da democracia constitucional não bastam para assegurar a igualdade ou a dignidade humanas. Hoje, assim como em 1848, é inegável que os ricos tentarão ficar mais ricos ao fazer os pobres mais pobres, que a total mercantilização do trabalho levará à miséria dos assalariados, que "o Executivo do Estado moderno é apenas um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa" (Die moderne Staatgewalt ist nur ein Ausschuss, der die gemeinschaftlichen Geschäfts der ganzen Bourgeoisklasse verwaltet). A distinção proletariado-burguesia hoje talvez soe tão antiquada como a distinção cristão-pagão, mas se substituirmos "os 20% mais ricos" pelo termo "burguesia" e "os outros 80%" pelo termo "proletariado", a maioria das frases do "Manifesto" permanecerá verdadeira (é claro, porém, que elas soam um pouco menos verdadeiras em "Welfare States" totalmente desenvolvidos, como a Alemanha, e um pouco mais verdadeiras em países como o meu, no qual a cobiça predomina e as conquistas do "Welfare State" são rudimentares). Dizer que a história é a história da luta de classes ainda é verdadeiro, se seu significado for que, em toda cultura, sob qualquer forma de governo e em todas as situações imagináveis (na Inglaterra, quando Henrique 8º dissolveu os monastérios, na Indonésia, depois que os holandeses partiram, na China, após a morte de Mao, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos de Thatcher e Reagan), as pessoas que já tenham posto as mãos no poder e no dinheiro farão de tudo para que seus descendentes os monopolizem para sempre. Se a história apresenta um espetáculo moral, este é a luta para romper tais monopólios. O uso da doutrina cristã para pleitear a abolição da escravatura (e para repudiar o equivalente norte-americano das leis de Nurembergue — as leis de segregação racial) revela o melhor do cristianismo. O uso da doutrina marxista para despertar a consciência dos operários, para esclarecer-lhes como eles são explorados, revela o melhor do marxismo. Quando elas se fundem, como no movimento "Evangelho Social", nas teologias de Paul Tillich e Walter Rauschenbusch e nas encíclicas papais mais socialistas, a luta pela justiça social pode transcender as controvérsias entre teístas e ateístas. Tais controvérsias devem ser superadas: importa muito mais (é o que ensina o Novo Testamento) a forma de tratarmos os outros no dia-a-dia do que o resultado de disputas sobre a existência ou a natureza de outro mundo. O movimento sindical, que Marx e Engels pensavam apenas como uma transição para os partidos políticos revolucionários, revelou-se a encarnação mais inspirada das virtudes cristãs da abnegação e da ágape fraternal já registrada na história. A ascensão dos sindicatos, sob o aspecto ético, é o desenvolvimento mais promissor dos tempos modernos. Ele testemunhou o mais puro e altruísta heroísmo. Embora muitos sindicatos tenham se tornado corruptos e outros, petrificados, a estatura moral dos sindicatos faz sombra à igreja e às empresas, aos governos e às universidades. Pois os sindicatos foram fundados por homens e mulheres que tinham muito a perder -arriscava-se perder o trabalho e não levar comida para os familiares. Eles assumiram esse risco em proveito de um futuro humano melhor, e todos lhes somos gratos. As organizações por eles fundadas estão santificadas pelos seus sacrifícios. O "Manifesto" inspirou os fundadores da maioria dos sindicatos dos tempos modernos. Ao citarem as suas palavras, os fundadores dos sindicatos são capazes de incitar milhões de operários contra as condições degradantes e os salários de fome. Tais palavras reforçaram a crença de que o sacrifício dos grevistas -sua disposição de ver suas crianças passarem fome, mas não de ceder às exigências de maior retorno para o investimento do proprietário- não seria em vão. Um texto que foi capaz disso sempre fará parte dos tesouros de nosso legado intelectual e espiritual. De fato, o "Manifesto" exprimiu algo de que os trabalhadores aos poucos se davam conta: "Em vez de se erguer com o progresso da indústria", o trabalhador corria o risco de "afundar, cada vez mais, abaixo das condições de existência de sua própria classe" (Die moderne Arbeiter dagegen, statt sich mit dem Fortschritt der Industrie zu heben, sinkt immer tiefer unter die Bedingungen seiner eignen Klasse hinab). Na Europa e nos Estados Unidos, tal risco foi evitado, ao menos por certo tempo, graças à coragem de trabalhadores que leram o "Manifesto" e, como resultado, sentiram-se no dever de exigir sua parcela de poder político. Se esperassem pela bondade e caridade de seus superiores, suas crianças ainda seriam analfabetas e mal-nutridas. As palavras do Evangelho e do "Manifesto" talvez tenham proporcionado igual quantidade de coragem e inspiração. Mas, em muitos aspectos, o "Manifesto" é um livro mais apropriado ao jovem do que o Novo Testamento. Este último, de fato, padece do defeito moral do escapismo: a sua sugestão de que podemos separar o problema de nossa relação individual com Deus — a nossa chance individual de salvação — de nossa participação nos esforços cooperativos para dar cabo de sofrimentos inúteis. Muitas passagens dos Evangelhos sugeriram que os proprietários de escravos tinham legitimidade em fustigar seus escravos e que os ricos podiam deixar os pobres morrerem de fome. Afinal de contas, todos eles iriam para o céu e seus pecados seriam perdoados por terem aceitado Cristo como Senhor. Como texto do mundo antigo, o Novo Testamento aceita uma das convicções centrais dos filósofos gregos, para quem a contemplação das verdades universais era a vida ideal para um ser humano. Segundo essa convicção, as condições sociais da vida humana nunca mudarão, ao menos em nenhum aspecto importante: sempre teremos pobres ao nosso lado — e talvez também escravos. Tal convicção leva os autores do Novo Testamento a desviarem a atenção da possibilidade de um futuro melhor e a se concentrarem na esperança de um lugar no céu. A única utopia que tais autores imaginam situa-se num outro mundo, totalmente diverso. Nós, modernos, somos superiores aos antigos -tanto pagãos quanto cristãos- em nossa capacidade de imaginar uma utopia aqui na Terra. Os séculos 18 e 19 testemunharam, na Europa e na América do Norte, uma alteração radical na esperança humana -uma alteração da eternidade para o tempo futuro, da especulação sobre como ganhar as benesses divinas para o planejamento da felicidade das gerações futuras. Essa noção de que o futuro humano pode ser modificado pelo passado, desvinculado de poderes não-humanos, é magnificamente expresso no "Manifesto". Seria melhor, é claro, se tivéssemos um novo documento para dar inspiração e esperança às crianças — que fosse isento dos defeitos do Novo Testamento e do "Manifesto". Seria bom se houvesse um texto reformista, que prescindisse do caráter apocalíptico dos dois livros -que não dissesse que todas as coisas precisam ser refeitas ou que a justiça "só pode ser alcançada por meio da destruição violenta de toda a ordem social existente" (nur erreicht werden -kann- durch den gewaltsamen Umsturz aller bisherigen Gesellschasftsordnung). Seria bom se houvesse um documento que exprimisse os detalhes dessa utopia terrena, sem nos assegurar que essa utopia emergirá com plena maturidade, e rapidamente, tão logo algumas mudanças decisivas sejam tomadas — tão logo a propriedade privada seja abolida ou tão logo aceitemos Jesus em nosso coração. Seria melhor, em suma, poder conviver sem profecias ou pretensões ao conhecimento das forças determinantes da história -se é que esta esperança pode se sustentar sem tal apoio. Talvez algum dia tenhamos um novo texto para dar a nossas crianças -um que se abstenha de previsões, mas expresse o mesmo anseio por fraternidade que o Novo Testamento e esteja cheio de acuradas descrições das formas mais recentes de desumanidade, como o "Manifesto". Nesse ínterim, só temos a agradecer a esses dois textos, que nos ajudaram a ser pessoas melhores e a superar, em certa medida, nosso egoísmo grosseiro e nosso sadismo cultivado. Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж Eu adorei ler esse texto e fazer esse parecer. Infelizmente não está numa ordem inteligível e tem emoção demais, um pecado inefável para um escritor. Pensei várias vezes se deveria ordenar numa ordem "aceitável", mas decidi que não, vai assim mesmo. Este parecer apresentado aqui é levemente diferente do que apresentei em sala, alterei uma ou outra coisa. As coisas parecem melhores ou piores quando revistas. Lá vai!

♠ Tenho conversado muito com um amigo sobre política. Chego cada vez mais à conclusão de que uma mudança é necessária. É necessário ensinar o povo.

♠ Um dia seremos todos iguais. Mas não da forma sugerida por George Orwell, em A Revolução dos Bichos. Haverá um dia em que todos aqueles que lutaram, de uma forma (religiosa) ou de outra (comunista) ou ainda de uma terceira (culturalmente) ou quarta (militarmente) serão reconhecidos como heróis. Heróis que lutaram dignamente ou não pelo que acreditam. “O que nós precisamos é de um herói”.

♠ O poder corrompe. Ou fez com quem o manipula já fosse corrompido antes de poderem controlá-lo.

♠ Este próximo vem de uma das muitas conversas que tive tem pouco tempo. Digamos apenas que tudo o que esta pessoa diz reluz (irei chamá-la de "Amy", como um pseudonimo). "Sobre política, meu ex marido foi um político, e como todos, ele se transformou. Vi isso dentro da minha casa, com um cara que fui casada por 11 anos. Então fica minha teoria: todo mundo com poder vira Smeagol e olha pro anel dizendo: meu precioso. Espero que nada disso aconteça nem a você nem ao seu amigo.".

Por algum motivo, fiquei com um nó na garganta quando li isto, especialmente a parte do "espero que nada disso aconteça nem a você nem ao seu amigo.". Cara... isto realmente me bateu forte! Não sei o que a política faria a mim e nem a um cidadão que conheço (chamemos de "General Lopez", por enquanto), mas eu sonho em mudar o Brasil. Tenho princípios demais num mundo mau, em que há poucas pessoas que ainda fazem valer algo. O Brasil precisa ser mudado. Sem duvida, o poder corrompe. Algum filosofo já disse isso. Mas os principios não estão à venda. O Brasil precisa de Educação de qualidade, e este é um principio meu. Não está à venda. Sem duvida, o poder corrompe. E não sei se sou forte o suficiente para lutar contra ele. Mas acredito nos meus ideais, e talvez as pessoas achem que eu e meu amigo sejamos tolos jovens sonhadores, e provavelmente somos, mas ainda assim, corro o risco de estar repetindo este paragrafo demais e de forma. Acho que vou encerrar este por aqui, com uma citação que nunca lembro se quem disse foi Winston Churchil ou Aleister Crowley: "você pode matar um homem, mas nunca seus ideais.". A maior prova disto é Jesus Cristo. Morreu pelo que acreditava, e até hoje é lembrado de forma quase exaustiva em grande parte do mundo.

♠ O Brasil precisa ser mudado. Precisa-se mudar seus conceitos de importância.

♠ Talvez isto explique um pouco do que é necessário acontecer: estava no Respostas e vi uma pergunta Você gostou ou não da nomeação do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016?. Minha resposta teve como base duas que já havia respondido:

♠ " eu não dou a mínima para as Olimpíadas". A mais pura verdade. ♠ "afinal pouco me importa se o BRASIL ganhar medalhas e blá blá blá". No Brasil se investe teoricamente muito em Esportes e nada em Cultura. ♠ "até porque não irá mudar nada na minha vida se isso acontecer", apenas os competidores e emissoras serão beneficiadas se isso ocorrer ♠ "o povo é muito fútil , existe tantas coisas para nos preocuparmos" estava conversando com um amigo meu (General Lopez) assistindo um jogo de futebol amigo. Em pouco tempo, uma discussão profunda irrompeu no campo, sobre se havia sido falta ou não. Eu e meu amigo começamos a filosofar sobre este assunto e como o Brasileiro Médio é futil. ♠ ,"no fundo OLÍMPIADAS significa : Ganhar dinheiro dos trouxas", não tenho nem ideia do quanto LULA e sua corja irá ganhar com isto. ♠ "quantos brasileiros irão juntar dinheiro pra ir lá pro Rio ver os Jogos Olímpicos? Te garanto que muitos" As pessoas irão deixar de usar dinheiro para comprarem livros e educação para irem para os jogos. Com o preço de um ingresso (cerca de R$ 87 [preço previsto para cada ingresso]), uma pessoa poderia comprar um livro escolar volume único de Filosofia, Sociologia, Historia e quase todos os outros e ainda sobraria. Mas estas três seriam minha recomendação pessoal. Se a pessoa não quiser comprar um desses, vou citar o preço máximo das editoras mais acessiveis (embora, não necessáriamente as mais corretas [fui avisado pela Amy que existe roubo de direitos autorais quanto a MC]): Martin Claret: R$ 10,50 edição normal de 'Coleção a Obra Prima de Cada Autor'. L&PM Pocket: R$ 14,50 edição Pocket. Martin Claret: R$ 18,50 edição da Serie Ouro. A MC tem cerca de 295 livros publicados na normal, 60 na Ouro e a L&PM mais de 700 volumes. Fazendo as contas, você pode comprar entre 8 e 4 ou 5 livros, estou com preguiça de calcular direito... ♠ "e te garanto também que se eles for parar pra refletir eles não irão ganhar nada com isso" O Brasileiro Médio não ganhará nada indo assitir a um destes jogos. ♠ "achei tao fula essa comemoraçao do governos , Pelé, brasileiros , me desculpe ser um pouco rude mas essa é my opinion ;]". É extremamente fútil, assim como muitas coisas relacionadas a esportes. Se não me engano, Pitágoras ou Platão já escreveu sobre isso. ♠ "Na verdade eu acho que as pessoas são muito influenciadas por coisas sem impotância, sendo hipnotizadas á perder dinheiro e tempo no que realmente importa" são levadas pelas crenças e preconceitos, influencias e ignorancia. ♠ "Vai trazer muito dinheiro pro BRASIL ,mas não para nosso bolso". O Brasileiro Médio, muito pelo contrário, só irá gastar em obras ultra-hiper-mega-giga-tera-superfaturada… Serão estádios reformados, construções novas, tudo! Digamos que um estádio saia por R$ 800 milhões. Para fins de "aproximação e tornar o calculo mais fácil", os encarregados arredondarão para o valor fechado mais próximo: R$ 1 bilhão. E aí, cadê os R$ 200 milhões a mais? Numa(s) conta(s) da Suiça. Agora, imagine se todos os R$ 1 bilhão fossem para Educação e/ou Saude. O Brasil seria menos desmoralizante. ♠ Esta citação é de outro respondente: ♠ "quem deve estar comemorando é a Rede Globo, SBT, Record etc..." Ele foi "agudo" nesta. ♠ "eles vão faturar bastante, não é?" Muitos bilhões em propagandas e anunciantes e patrocinadores. ♠ "Soltaria uma caixa de foguete e ficaria feliz da vida... se fosse aprovado a diminuição da idade penal. Isso me afeta [mais] diretamente," Concordo também. Uma pessoa com 16 anos já serve para votar, então ela já serve para beber (legalmente, pois ilegalmente, quase todos já fazem) e ser presa. Já tem ideia das consequencias dos seus atos. ♠ "Entende?"

♣ Encerradas aqui as citações do Yahoo! Respostas. ♣

♠ O Brasileiro gastará R$ 87 para assistir um único jogo que durará pouco tempo. Se ao invés disso parasse para comprar algum dos livros sugeridos, ele ganharia muito mais. Ganharia conhecimento. Perderia ignorância e a capacidade de ser enganado. Mas isto não é interessante para o Estado, é? Deve-se deixar o povo ignorante para que ele continue sendo enganado.

♠ Talvez este parecer esteja completamente equivocado. Provavelmente está. Talvez também esteja muito mal feito. Mas foi assim que eu entendi o texto: uma metáfora para mudarmos o mundo.

Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж

♠ E foi só até aí que foi o parecer.

♠ Mas ainda posso relacioná-lo posteriormente com um discurso de Martin Luther King sobre os Sonhos. E este eu farei questão de publicar.

♠ Hoje meu professor me enviou uma pequena mensagem sobre Mikhail Bakunin, (o "inventor" do Anarquismo e russo [caramba, amo a Rússia. É meu sonho de consumo. Podem me chamar de louco, mas desejo falar russo e ir para lá.]). Ela comprovava o que a Amy dizia. Acho que clicando na imagem você amplia.

♠ Irei estudar mais sobre Bakunin e postarei algo aqui. Mas antes, minha prioridade é o discurso de MLK.

Obrigado a quem leu (que sei que são pouquíssimos, atualmente). xoxo

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lendo as Entranhas: Um Rondel

Ok. Este é mais um texto do Neil. O nome é ligeiramente óbvio, trata-se de um Rondel. Aprendi com este conto a colocar sempre uma introdução (leia citação [amo citações. Vou procurar um blog só de citações e seguir]) no início de um texto. Ainda não concluí o Parecer Crítico, depois posto ele.
Lendo as Entranhas: Um Rondel
Neil Gaiman
-Quero dizer - disse ela - que ninguém pode fazer nada para não envelhecer. -Uma pessoa não pode - retrucou Humpty Dumpty -, mas duas podem. Com a adequada assistência, você pode para aos sete anos.
-Lewis Carrol, Alice no País dos Espelhos
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino-
As cartas e estrelas que tombam por vontade própria.
O amanhã se manifesta e traz a conta
Para cada beijo e morte, as pequenas e as grandes.

Queres saber o futuro, amor? Então espera:
Responderei tuas impacientes perguntas. Ainda-
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino,
As cartas e estrelas que tombam por vontade própria.

Irei até ti esta noite, meu bem, quando for tarde,
Não me verás, talvez te arrepies.
Esperarei até que durmas, então tomarei o que é meu,
E será teu futuro numa bandeja.
Chamam de acaso, ou sorte, ou chamam de Destino.


Lendo as Entrelinhas: Um Comentário
Apesar de dizer que só postaria o parecer depois, resolvi fazer isto logo. Neil escreveu isso para uma antologia sobre os perigos de se prever o futuro. Ele ia escrever um vilancete (que é horrível de se escrever. É o pior de todos que já escrevi.), porque faz eco (repetição). Resolveu, então, escrever um Rondel. Ora, eu já disse que um Rondel é delicioso de se escrever. É fácil, é repetitivo, é simples, é delicioso! Temos muitas formas de prever o futuro. Listarei algumas: ♠ Tarot. É uma das formas de adivinhação mais antigas que existem, mas nem por isso, antiquada. Vem da interpretação de cartas (ou laminas ou arcanos). Existem muitos baralhos. Místico, Marselha, Golden Dawn, Thot (ou de Crowley), Anjos etc. ♠ Leitura de Entranhas: antigo método de adivinhação. Os celtas eram os melhores nesta. É bem simples: pega-se um animal, pega-se uma faca ritualística, enfia-se a faca na barriga do animal e lê-se as entranhas. É esta a que é referida no Rondel. ♠ Runas. A pessoa pega as runas (geralmente quatro ou nove, de marfim ou de ébano. Gosto mais das de ébano) e joga para cima. Elas tem entalhes de um lado. A base é a seguinte: se todos os ntalhes caem para baixo, é "não". Para cima, é "sim". Daí, pode-se chegar a muitas conclusões. Esta é a utilizada por Lilin em Stardust, de Neil Gaiman, quem mais? Nota: elas vem da velha Mitologia Nórdica, a mais interessante de todas. Foram criadas por Odin, o Patriarca. ♠ Oráculo. Haviam dois tipos: ♣) A pessoa ia para o Oráculo e dizia sua dúvida para um sacerdote. Ela dava a oferenda e o sacerdote transmitia a dúvida da pessoa para a Pítia (em termos básicos, uma médium) que estava em frente a uma fogueira aonde algumas ervas queimavam. A Pítia então transmitia uma suposta "mensagem dos deuses" para o sacerdote que a interpretava e dizia para o contratante. Quanto melhor a oferenda, melhor a interpretação. ♣) O homem escolhia uma virgem grega linda e, através de bebidas e drogas, levavá-a a um extase onde ela dava mensagens divinas. Depois disso, a Oráculo serviria a apenas ele, pois ela não seria aceita como Oráculo por outro homem, visto que sua virgindade já havia sido perdida. ♠ O método de Nostradamus. Este eu falarei posteriormente. ♠ Folhas de chá. O consultado (chamemos de contratante) bebia chá de folhas. Depois, utiliza- se a borra que fica no fundo da xícara para a previsão do futuro. Cada forma diferente, um significado diferente. ♠ Bola de Cristal. O vidente olha a Bola e, através dela, visualiza cenas do futuro de uma pessoa. Este método me parece o mais... Irreal. ♠ Leitura das mãos. Também pode ser encontrado como Quiromancia. Na linhas existentes nas mãos é possível visualizar as aptidões de alguém. Mais informações aqui, ali e nesse outro. Atualmente tenho me aventurado no Tarot. Mas também gosto de runas. Mas adivinhações são altamente complexas. Não queira comprar um kit de algo e já sair por aí fazendo leituras do passado/presente/futuro só porque já leu um livro de Tarot. "E será teu futuro numa bandeja.". Pode ser o teu futuro e/ou a tua cabeça numa bandeja. Cuidado. Não mexa com as coisas antigas se não puder ajudá-las. Ouça os conselhos... Paz!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

My Immortal...

Evanescence é ótimo. É meio sinistro, mas simplesmente ótimo. E a Amy Lee... Ela tem uma voz linda e profunda. A maquiagem é gótica, sombria e misteriosa, mas... Linda. Este é um bom jeito de se definir a melódia de My Immortal: Linda e profunda. É uma história de Amor e Dor. Nossa heroína sente uma dor inefável após a perda de alguém. Pode ser alguém amado que se foi, pode ser um filho, pode ser uma irmã. Segundo alguns comentários que li (e que não foram confirmados), esta música pode ter relação com a morte da irmã da Amy Lee. Todas as pessoas que já amaram platônicamente podem se identificar com esta música. Todas as pessoas que já perderam alguém que amaram podem se identificar com esta música. Todas as pessoas que já sofreram por alguém querido que está doente podem se identificar com esta música. Vou tomar como base alguém apaixonado para escrever a maior parte deste comentário. É mais fácil, embora não queira dizer que eu pertença a este grupo. É mais teórico. Depois irei pegar o fio de sofrimento por alguém que está doente. "Estou tão cansada de estar aqui Reprimida por todos os meus medos infantis E se você tiver que ir, Eu desejo que você vá logo Porque sua presença ainda permanece aqui E isso não vai me deixar em paz" "É uma delícia estar apaixonado, mas é horrível não ser correspondido. Isso vai acontecer na vida de todo mundo várias vezes, apesar de pensarmos quando estamos sofrendo que vai ser a última". Estas palavras são da melhor escritora que conheço atualmente, apesar de ela não gostar do que escreve. No fundo, todos os nossos medos são infantís. Você tem medo de algo que não consegue entender ou compreender. E não acho que minha interpretação deste verso esteja boa. Quando você se apaixona e não é correspondido, uma hora você irá se curar. Mas enquanto você não se cura, a Dor é uma personalidade própria, com nome, sobrenome e meia vida (muito longa, por sinal). Você fica desejando que seus sentimentos vão embora. E eles irão. E, no final, você perceberá que o vazio que você sente é pior do que a alternativa. A presença dela(e) continua nos seus pensamentos, te torturando. "Essas feridas parecem não querer cicatrizar Essa dor é muito real Isso é simplesmente muito mais do que o tempo não pode apagar" A dor é extremamente aguda! Como disse minha amiga "quando sofremos, pensamos que vai ser a última". Ora, "há muito que o tempo não pode apagar". Shakespeare disse justamente o contrário, num texto maravilhoso. Mas eu acho (e estou acompanhado por algumas pessoas) que há muito que o tempo não pode apagar. A dor de se perder alguém é uma dessas. "Quando você chorou eu enxuguei todas as suas lágrimas Quando você gritou eu lutei contra todos os seus medos Eu segurei a sua mão por todos esses anos Mas você ainda tem tudo de mim" Uma pessoa que ama se sente tentada a sofrer por seu amor. Se ele tem algum mal, sofre duas vezes, pois sente o que a outra sente e por não poder fazer algo para melhorar. "Você ainda tem tudo de mim". Quando se dá adeus a alguém, não se pode deixar tudo ir embora tão rápido. É impossivel. Um amigo meu, outro dia me perguntou "Ei, Castro, você ainda tá nessa?", ao que eu respondi "Cara, eu gostaria que pudesse ser tão simples assim. O frio que se passa não sai tão facilmente assim.". Metade disto é verdade. A outra metade é um pouco de prosa. "Você costumava me cativar Pela sua luz ressonante Agora eu estou limitada pela vida que você deixou para trás Seu rosto assombra Todos os meus sonhos, que já foram agradáveis Sua voz expulsou Toda a sanidade em mim" Aqui, Amy Lee já está se curando do "mal" que é o Amor Platônico. A pessoa amada começa a perder o encanto que tinha. Os sonhos que tivemos com ela(e) se tornam assombrosos, a voz começa a não ter mais tanta força em nossos corações. "Eu tentei com todas as forças dizer a mim mesma que você se foi Mas embora você ainda esteja comigo Eu tenho estado sozinha todo esse tempo". O fim de tudo. A pessoa vai embora e tudo o que continua é um pouco de dor reincidente. Agora, vou contar um segredinho: há umas duas semanas (dia 26/09/2009) uma pessoa que adoro ficou doente. Sofri muito por conta disto. A música também fez sentido para mim naquele momento. Ok, agora deixarei vocês. Todos os românticos, platônicos, amantes, pessoas no luto e sofredores em geral, saibam que não estão sozinhos. Se cuidem! Ouçam Evanescence! P.S.: este post marca o início da divulgação do Blog e de uma parceiria (no caso, com um canal do Youtube).

domingo, 27 de setembro de 2009

A Sestina do Vampiro

Conforme havia afirmado na postagem anterior (há quase um mês), postarei aqui a Sestina do Vampiro. A partir desta postagem, passarei a procurar contos e textos para postá-los aqui. Junto aos textos postados, irei colocar um parecer escrito por mim sobre o texto. (Não que muita gente por enquanto queira ler, mas não custa muito publicá-los, correto?) Agradeço a um amigo por me dar disposição para postar isto aqui e mudar o relógio do blog. Pra falar a verdade, gostei mais do novo do que do antigo. Ele fazia um barulinho irritante...
A Sestina do Vampiro
Neil Gaiman
Espero aqui, nas fronteiras do sonho, todo envolto em sombra. O ar escuro tem gosto de noite, tão frio e vivificante, e espero pelo meu amor. A lua alveja a cor da sua lápide. Ela virá e, então, difundiremos neste belo mundo vivo a escuridão e o ressaibo de sangue. É um jogo solitário, a procura de sangue, mesmo assim, um corpo tem direito ao sonho e não desistiria por todo o mundo. A lua sangrou a escuridão da noite. Permaneço nas sombras, fitando sua lápide: Ressucita, meu amor... Oh, ressucita, meu amor? Sonhei com você enquanto hoje dormia e o amor significou mais para mim do que a vida - significou mais do que sangue. A luz do sol buscou-me, fundo sob minha lápide, mais morto do que qualquer cadáver, mas ainda um sonho até eu acordar feito vapor na noite e o pôr-do-sol me forçar a sair pelo mundo. Por muitos séculos ando pelo mundo repartindo algo que se assemelha ao amor - um beijo roubado e, então, de volta na noite, contente pela vida e pelo sangue. E vem a manhã e eu era só um sonho, corpo frio congelando debaixo de uma lápide. Disse que não iria machucá-la. Seria eu uma lápide para deixá-la vítima do tempo e do mundo? Ofereci-lhe a verdade além do seu maior sonho enquanto tudo o que você tinha a oferecer era o seu amor. Disse-lhe para não se preocupar e que o sangue tem gosto mais doce na asa e tarde da noite. Algumas vezes, minhas amantes erguem-se para caminhar à noite... algumas vezes, deitam-se, cadáver frio debaixo de uma lápide, e nunca conhecem as alegrias da cama e do sangue, de andar pelas sombras do mundo; em vez disso, apodrecem aos vermes. Oh, meu amor, sussurram que você se ergueu, em meu sonho. Esperei ao lado da sua lápide metade de noite, mas você não deixou seu sonho para caçar sangue. Boa noite, meu amor. Ofereci-lhe o mundo.
Vampiros são muito caros*
"No meu tempo, vampiros eram mais machos". Esta frase, dita por uma pessoa muitissimo inteligente e maravilhosa, sintetiza tudo. Stephenie Meyer simplesmente transformou vampiros, que são espertos como lobos, lindos como trigres, inteligentes como usros, e, sintetizando raposas. Ela os transformou em poodles*. O Neil reviveu os vampiros machos. Bampiros não são caras bons. Eles são caras sarcásticos, fortes, inteligentes e com humor britânico. Lembram o Garfield. Eles fazem o máximo que podem para conseguir o que querem. Eu acho que gosto disso. São solitários, mas se acharem um amor, lhes oferecerão o mundo. Eu simpatizo com este vampiro. Ele se apaixonou por uma mortal - a perdição de todo ser imortal - e sonha com ela durante os dias. Ele então lhe explica como funciona o mundo dos vampiros. Após explicar-lhe isto, ele passa à fase que mais gosto: ele a põe num pedestal. Ele se humilha. São sempre tristes canções*... A seguir vem a parte das recordações do que já fez antes de conhecê-la. Ele então começa a acordar. Percebe que tem muito a oferecer, e que, apesar de outras quererem, ela tem toda a preferencia. Ele nunca irá machucá-la, visto que ele prefere sofrer no lugar dela. "Na noite, todos os gatos são pardos"*. Durante a noite, o frio fica mais intenso, e o Amor, mais forte. Me responda uma coisa... Você já sonhou, e, quando acordou, se sentiu tão enganado por não poder fazer com o sonho se tornasse realidade? Nosso vampiro também passou por isso. Só quem já passou por isto sabe como é. Se você ainda não passou por isto, espero que nunca venha a passar*. Há algum tempo tive um sonho maravilhoso! Eu amei o sonho! Foi o pior sonho que eu já tive. Eu não queria despertar dele. Quando acordei... Que decepção! O vampiro é um monstro humano. Ele tem colo (ou bainha), tem soluços, sorri etc. Mas continua sendo um milagre*. Então o vampiro se cansa de esperar e sofrer pelo seu amor e simplesmente lhe deseja boa noite. Boa noite, meu amor/leitor. Bons sonhos.
*: O título é uma referencia ao poema Dragões são Muito Raros, de Ogden Nash. Assim que terminar um ou outro problema quanto à tradução, o postarei aqui. *: referencia à serie Luz e Escuridão, de Stephenie Meyer, que tem um vampiro no mínimo... Tresloucado. *: esta é uma referencia a duas coisas: -às antigas canções trovadorescas de Amor, que em breve irei apresentar algumas, e -à musica The Sun, de Maroon 5, que tem um trecho que é mais ou menos assim: "sometimes it's a sad song...". *: isto está deslocado, mas, por algum motivo, não acho que devo tirá-lo. *: mais informações sobre isto neste link... Você irá para o Yahoo! Respostas. *: mais uma referência ao poema Dragões são Muito Raros.