"Not words, Worlds".
Oi.
Gosto muito desse gracejo do Gaiman em Fim dos Mundos. Na edição brasileira, foi alterado para "Fim dos mudos. Não mudos, mundos", e eu prefiro o original.
Há algumas semanas, me deparei com uma imagem, e eu discordei tanto dela...
Não vou fazer uma outra postagem sobre, literalmente, o fim dos mundos. Lembrei agora de um gracejo em Os Filhos de Anansi. Sobre onde era o fim do mundo e que era também o início, depende apenas da forma omo você olha.
Discordei por causa de um dos contos de Fim Dos Mundos, o "Uma História de Duas Cidades".
"Robert sacudiu a cabeça. 'Passei a vida inteira caminhando pela cidade. Esta não é a cidade, ainda que em certos momentos eu reconheça fragmentos dela, como alguém identificando um verso de um poema familiar num livro que nunca leu.'
O velho pôs a mão sobre o ombro de Robert.
'Esta é a cidade', repetiu.
'Então... Em que parte dela estamos?'
"Acho...' O velho fez uma pausa. O vento soprava frio no alto da ponte. 'Estou aqui há muitos, muitos anos. Quantos, não sei. E nesse tempo todo tive tempo para pensar.
Talvez uma cidade seja um ser vivo. Afinal, todas tem sua própria personalidade.
Los Angeles não é Viena. Londres não é Moscou. Chicago não é Paris. Toda cidade é uma coleção de vidas e construções, e a personalidade de cada uma é única.'
'E daí?'
'Daí que, se uma cidade tem personalidade, talvez também possua alma. Talvez sonhe.
Acho que estamos nisso. Nos sonhos da cidade. É por isso que alguns lugares são quase reconhecíveis. É por isso que quase sabemos onde estamos.'
'Você acha que estamos dormindo?'
'Não. Estamos acordados, imagino. Mas acredito que a cidade esteja dormindo e estejamos zanzando por seus sonhos.'
[...]
'Talvez algum dia eu retorne ao mundo desperto. Estou procurando por alguma rua que conheço na cidade verdadeira - e quando encontrar, andarei por ela até voltar ao mundo real.
É a minha esperança, e rezo por isso. Afinal, é preferível à alternativa.'
'Que seria...'
'A cidade acordar', disse o velho. 'Que ela acorde e...'
[...]
Conheci Robert num vilarejo do litoral escocês, poucos anos depois dos eventos que acabo de relatar.
[...]
'Você teme algum dia voltar aos sonhos da cidade?'
'O que eu temo é o dia em que as cidades acordarão. O dia em que as cidades se levantarão.'
Prefiro acreditar que foi o frio que me fez estremecer, que fiquei sem fôlego apenas porque uma réstia de névoa invadiu minha garganta.
Robert se afastou pela charneca e nunca mais o vi.
Desde então, cruzo as cidades com menos tranquilidade."
Algumas histórias do Gaiman tem a capacidade de me deixar de olhos arregalados todas as vezes que eu as leio. Essa é uma delas. Ramadã é outra. E Mortalha.
Bons sonhos.
Ramadã é tão lindo. "Assim, o seu palácio era o palácio das maravilhas"
Este blog é dedicado para os amantes das diversas coisas, entre elas, Palavras, Sonhos, Teorias, Conspirações, Livros e Músicas. Sei que há muitas pessoas assim. Meu desafio (e da minha equipe) será encontrá-las. Postaremos aqui as mais diversas coisas, mas sempre com um curto parecer sobre o que foi postado. Boa leitura.
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Words End.
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sábado, 15 de outubro de 2011
Omnia Mutantur, Nihil Interit.
Boa noite.
Em Sandman, mais especificamente em Despertar e sendo bem preciosista, em Exilados, tem essa citação de Ovídio. "Omnia Mutantur, Nihil Interit." É uma citação linda. É perfeita. Significa "Tudo muda, mas nada se perde realmente."
E isso é totalmente verdade. É uma coisa que me lembra Sinal e Ruído. Mas essa citação resume uma boa parte do meu mundo: nada se perde, apesar das constantes mudanças. Essa frase vei uns dois mil anos antes da de Lavoisier, se eu não me engano "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.".
E aqui estou eu, assistindo a uma transformação do meu mundo e dos meus conceitos e de mim mesmo. Não sei o que será de mim.
Bons sonhos.
Boas mudanças.
P.S.: achei essa postagem perfeita.
http://filosofandoamarteladas.blogspot.com/2009/05/omnia-mutantur-nihil-interit.html
Em Sandman, mais especificamente em Despertar e sendo bem preciosista, em Exilados, tem essa citação de Ovídio. "Omnia Mutantur, Nihil Interit." É uma citação linda. É perfeita. Significa "Tudo muda, mas nada se perde realmente."
E isso é totalmente verdade. É uma coisa que me lembra Sinal e Ruído. Mas essa citação resume uma boa parte do meu mundo: nada se perde, apesar das constantes mudanças. Essa frase vei uns dois mil anos antes da de Lavoisier, se eu não me engano "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.".
E aqui estou eu, assistindo a uma transformação do meu mundo e dos meus conceitos e de mim mesmo. Não sei o que será de mim.
Bons sonhos.
Boas mudanças.
P.S.: achei essa postagem perfeita.
http://filosofandoamarteladas.blogspot.com/2009/05/omnia-mutantur-nihil-interit.html
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domingo, 9 de outubro de 2011
Saramago. E Morte.
Boa noite!
Há quanto tempo!
Hoje eu estava pensando sobre a Morte. Sem nenhum motivo em especial, apenas lembrando de algumas teorias sobre ela. Talvez tenha sido devido a uma das minhas últimas postagens e o fato de Pandora ter comentado que a taxa de sobrevivência de alguém ter chegado a zero.
E eu lembrei de As Intermitências da Morte, de Saramago.
"No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómenos semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar.".
(Sinopse de As Intermitências da Morte. E um trecho também.)
Eu lembrei de Didi hoje. De uma forma completamente diferente da que eu tinha lembrado antes. Lembrei de como ela é. E como eu gosto de pensar que ela é. E eu senti uma profunda saudade dela. E de tudo o que ela representa. E estou me sentindo um pouco como Sexton Furnival.
E não, a postagem não faz muito sentido. É basicamente uma forma de tirar algumas coisas da mente. E de aproveitar o ensejo para dar um aviso: o único outro autor que continua constante está mais louco (podem ler no lugar de louco "alienado de esquerda") do que nunca. Desculpem por isso.
Bons sonhos.
Há quanto tempo!
Hoje eu estava pensando sobre a Morte. Sem nenhum motivo em especial, apenas lembrando de algumas teorias sobre ela. Talvez tenha sido devido a uma das minhas últimas postagens e o fato de Pandora ter comentado que a taxa de sobrevivência de alguém ter chegado a zero.
E eu lembrei de As Intermitências da Morte, de Saramago.
"No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómenos semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar.".
(Sinopse de As Intermitências da Morte. E um trecho também.)
![]() |
| Sexton e Didi |
E não, a postagem não faz muito sentido. É basicamente uma forma de tirar algumas coisas da mente. E de aproveitar o ensejo para dar um aviso: o único outro autor que continua constante está mais louco (podem ler no lugar de louco "alienado de esquerda") do que nunca. Desculpem por isso.
Bons sonhos.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Vida, Morte, Mortalidade.
| A heroína da postagem |
Estou eu tentando lembrar de onde é uma das melhores citações de Didi (Morte, Teleute etc de Sandman). A citação é a seguinte:
"Vida - e eu não acho que eu seja a primeira a fazer essa comparação - é uma doença: sexualmente transmissivel e invariavelmente fatal.
E eu acho que isso é verdade. Quero dizer, se você não faz sexo, você não faz vida. Mas assim que a coisa chamada vida começa, há uma série de outras coisas às quais você precisa ficar atento.
E é pra isso que eu estou aqui hoje. É para dar informação. Se você prestar atenção, você pode aumentar as suas chances de viver um pouco mais - cinquenta, sessenta anos talvez, se você tiver sorte.".
E eu passo uns três dias tentando lembrar de onde era. Olho aqui, olho ali, olho em todos os meus volumes de Sandman. Aí eu finalmente penso "Seria incrivelmente ridículo se estivesse em um dos números de Morte." E Estava. Está, aliás. Em Morte, o Preço da Vida. E eu fiquei me sentindo incrivelmente ridículo.
Tinha uma citação perfeita em Sinal e Ruído, mas vou evitar falar muito de Sinal e Ruído, já falei demais.
E eu decidi que irei citar outro livro: Clube da Luta.
"A morte vai começar em três, dois.
O luar banha o céu da boca.
Preparar para o último suspiro, já.
Abandonar."
"Eventualmente, a taxa de sobrevivência de todo mundo cairá a zero".
A minha duvida é: em quantos por cento estará a minha taxa de sobrevivência? E a sua?
Esta postagem foi meio que tapa buracos. Tinha umas outras duas ou cinco em mente, mas não tenho clima para fazê-las.
Uma sim, irei fazer.
A outra, farei talvez amanhã. Dependia de algo que deveria estar pronto, mas não está.
E é isso... A cada segundo nos aproximamos do momento de nossa morte... Acho que não disse o quão cansado estou. É bastante.
Bons sonhos, amigos e, por que não, boa morte.
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domingo, 18 de setembro de 2011
36 Tzaddikim. Ou seriam 2?
Oi.
Estive pensando há um bom tempo em fazer essa postagem.
E hoje eu peguei meu Fábulas e Reflexões para conferir uma citação e abriu nessa página. "Chamam de acaso..."
Resolvi que era hora de fazer essa postagem.
Em Três Setembros e Um Janeiro, em dado momento, Morte conversa com Joshua Norton sobre os 36 Tzaddikim. E ela diz "Dizem que o mundo se apoia nas costas de 36 santos... 36 homens e mulheres abnegados, por causa deles, o mundo segue existindo. São os reis e rainhas secretos deste mundo.".
Há um bom tempo (quando comecei a planejar essa postagem) eu pesquisei um pouco sobre isso (li a página da Wikipedia e umas outras duas no Google. Não tenho um exemplar do Torá em casa, mas gostaria) e o que eu entendi é: o Judaismo prega que, a cada geração, ocorrem os 36 Tzaddikim, sendo metade na Terra Santa e 18 no resto do mundo e que se apenas um não existisse, o mundo chegaria a um fim.
E eu achei este conceito extremamente interessante, se um dia eu fundar uma religião, este com certeza estará presente. Mas a religião não é foco da postagem. O foco é: posso nomear com certeza absoluta 2 dos Tzaddikim do meu mundo. Não sei se os outros eu já conheci e não consegui identificar ou se ainda estão por vir. E eu espero poder nomear todos até o fim do meu mundo.
Já parou para pensar sobre os seus? Experimente fazer uma lista com os seus Tzaddikim. Conte quantos dão.
Bons sonhos, amigos.
Estive pensando há um bom tempo em fazer essa postagem.
E hoje eu peguei meu Fábulas e Reflexões para conferir uma citação e abriu nessa página. "Chamam de acaso..."
Resolvi que era hora de fazer essa postagem.
Em Três Setembros e Um Janeiro, em dado momento, Morte conversa com Joshua Norton sobre os 36 Tzaddikim. E ela diz "Dizem que o mundo se apoia nas costas de 36 santos... 36 homens e mulheres abnegados, por causa deles, o mundo segue existindo. São os reis e rainhas secretos deste mundo.".
Há um bom tempo (quando comecei a planejar essa postagem) eu pesquisei um pouco sobre isso (li a página da Wikipedia e umas outras duas no Google. Não tenho um exemplar do Torá em casa, mas gostaria) e o que eu entendi é: o Judaismo prega que, a cada geração, ocorrem os 36 Tzaddikim, sendo metade na Terra Santa e 18 no resto do mundo e que se apenas um não existisse, o mundo chegaria a um fim.
E eu achei este conceito extremamente interessante, se um dia eu fundar uma religião, este com certeza estará presente. Mas a religião não é foco da postagem. O foco é: posso nomear com certeza absoluta 2 dos Tzaddikim do meu mundo. Não sei se os outros eu já conheci e não consegui identificar ou se ainda estão por vir. E eu espero poder nomear todos até o fim do meu mundo.
Já parou para pensar sobre os seus? Experimente fazer uma lista com os seus Tzaddikim. Conte quantos dão.
Bons sonhos, amigos.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Fênix...
Oi!
Então, como está a noite?
Tenho refletido um bocado sobre algumas coisas que tem acontecido na minha vida. E esta postagem está intimamente relacionada a essas coisas. Estou dando adeus ao um "Mestre Li".
Tenho andado para cima e para baixo com o meu Despertar.
E a parte que eu mais tenho lido é Exilados.
E tem este trecho. O velho sábio pergunta a Daniel o que foi dito pelo bárbaro. Este responde:
"Omnia mutantur, nihil interit.
'Tudo muda, mas nada se perde realmente.'
Adeus, mestre Li."
Este é o meu memento de hoje, pessoas.
Acho esta música linda. E o clipe achei perfeito. Ou filme. Espero que vocês apreciem.
Bons sonhos...
"Adeus, Mestre Li...
Somente a fênix ascende e não desce. E tudo muda.
E nada se perde realmente."
Tenho refletido um bocado sobre algumas coisas que tem acontecido na minha vida. E esta postagem está intimamente relacionada a essas coisas. Estou dando adeus ao um "Mestre Li".
Tenho andado para cima e para baixo com o meu Despertar.
E a parte que eu mais tenho lido é Exilados.
E tem este trecho. O velho sábio pergunta a Daniel o que foi dito pelo bárbaro. Este responde:
"Omnia mutantur, nihil interit.
'Tudo muda, mas nada se perde realmente.'
Adeus, mestre Li."
Este é o meu memento de hoje, pessoas.
Acho esta música linda. E o clipe achei perfeito. Ou filme. Espero que vocês apreciem.
Bons sonhos...
"Adeus, Mestre Li...
Somente a fênix ascende e não desce. E tudo muda.
E nada se perde realmente."
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domingo, 4 de setembro de 2011
Muros, Remendos, Vier Mauern, Geada
Olá, Pessoas!
Eu já escrevi antes sobre o quanto Sinal e Ruído se tornou uma obsessão para mim. Cada página, quadrinho e linha me impressiona.
(um aposto: tá tocando Here Comes The Sun. É uma boa música. Não sou um grande fã dos Beatles, mas essa é ótima)
E no início de Sinal e Ruído tem três... Não sei bem como descrever, deixemos como "Obras-primas", duas de McKean e uma deles dois (os dois são Gaiman e McKean). E uma delas me levou a Robert Frost.
Eu já tinha lido algumas coisas dele, mais especificamente, já tinha lido uma coisa dele, porque a "volta" de Desejo em Noites Sem Fim se chama "O Que Eu Experimentei de Desejo". É uma linha de "Fogo e Gelo".
Eu resolvi postar um poema de Robert Frost (Muro Remendado) e o Vier Mauern (este vem depois, quero colocar o Sinal, não só o Ruído [sim, eu me divirto um bocado escrevendo essas postagens e fazendo piadas de humor semi-privado :]).
Extraí o poema daqui: http://carva1.wordpress.com/2008/05/27/robert-frost/
Achei esse blog ótimo. A autora me lembrou três pessoas completamente diferentes e similares. Experimentem ler um dia.
Muro Remendado
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que enfia bojos de terra gelada por baixo,
E derrama as pedras superiores ao sol,
E faz buracos onde até dois podem passar abraçados.
O trabalho dos caçadores é outra coisa:
Eu cheguei depois deles e fiz a reparação
Onde não deixaram pedra sobre pedra,
Mas conseguiram pôr a lebre fora do esconderijo,
Para deleitar cães latidores. As brechas, quero dizer,
Ninguém as viu fazer ou as ouviu fazer,
Mas na época primaveril dos arranjos encontramo-as lá,
faço o meu vizinho saber para lá da colina;
E um dia encontramo-nos para percorrer a linha
E assentarmos o muro outra vez entre nós.
Mantemos o muro entre nós enquanto avançamos.
A cada um as pedras que caíram para cada um.
E algumas são formas e outras são tão como bolas
Que temos de usar um feitiço para as equilibrar:
“Fica onde estás até voltarmos as costas!”
Ficamos com os dedos ásperos de as manipular.
Oh, somente outro gênero de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Mas vai mais longe:
Aí onde se encontra, nós não precisamos de muro:
Ele é todo pinheiros e eu sou um pomar de maçãs.
As minhas macieiras nunca atravessarão
Para comer os cones sob os seus pinheiros, digo-lhe eu.
Ele só me diz, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
A primavera instiga-me e pergunto-me
Se lhe posso despertar a razão:
“Porque razão fazem bons vizinhos? Isso não é
Onde existem vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro eu inquiriria para saber
O que estaria a incluir ou a excluir,
E a quem era suposto ofender.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que o quer no chão”. Poderia dizer-lhe “duendes”,
Mas não são duendes exactamente, e eu prefiro
Que ele o diga a si próprio. Vejo-o por ali,
A agarrar uma pedra com firmeza pelo topo
Em cada mão, como um antigo selvagem armado de pedras.
Move-se na escuridão e parece-me,
Não apenas a das florestas e a da sombra das árvores.
Ele não irá atrás do dito de seu pai,
Gosta de ter pensado naquilo tão bem
E diz novamente, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
Em breve postarei mais coisas de Robert Frost.
"Existe alguma coisa que não aprecia o muro." Coloquemos abaixo alguns deles.
Bons sonhos a todos.
Eu já escrevi antes sobre o quanto Sinal e Ruído se tornou uma obsessão para mim. Cada página, quadrinho e linha me impressiona.
| Robert Frost |
E no início de Sinal e Ruído tem três... Não sei bem como descrever, deixemos como "Obras-primas", duas de McKean e uma deles dois (os dois são Gaiman e McKean). E uma delas me levou a Robert Frost.
Eu já tinha lido algumas coisas dele, mais especificamente, já tinha lido uma coisa dele, porque a "volta" de Desejo em Noites Sem Fim se chama "O Que Eu Experimentei de Desejo". É uma linha de "Fogo e Gelo".
Eu resolvi postar um poema de Robert Frost (Muro Remendado) e o Vier Mauern (este vem depois, quero colocar o Sinal, não só o Ruído [sim, eu me divirto um bocado escrevendo essas postagens e fazendo piadas de humor semi-privado :]).
Extraí o poema daqui: http://carva1.wordpress.com/2008/05/27/robert-frost/
Achei esse blog ótimo. A autora me lembrou três pessoas completamente diferentes e similares. Experimentem ler um dia.
Muro Remendado
| Quem adivinhar de onde é essa imagem, ganha um prêmio |
Que enfia bojos de terra gelada por baixo,
E derrama as pedras superiores ao sol,
E faz buracos onde até dois podem passar abraçados.
O trabalho dos caçadores é outra coisa:
Eu cheguei depois deles e fiz a reparação
Onde não deixaram pedra sobre pedra,
Mas conseguiram pôr a lebre fora do esconderijo,
Para deleitar cães latidores. As brechas, quero dizer,
Ninguém as viu fazer ou as ouviu fazer,
Mas na época primaveril dos arranjos encontramo-as lá,
faço o meu vizinho saber para lá da colina;
E um dia encontramo-nos para percorrer a linha
E assentarmos o muro outra vez entre nós.
Mantemos o muro entre nós enquanto avançamos.
A cada um as pedras que caíram para cada um.
E algumas são formas e outras são tão como bolas
Que temos de usar um feitiço para as equilibrar:
“Fica onde estás até voltarmos as costas!”
Ficamos com os dedos ásperos de as manipular.
Oh, somente outro gênero de jogo ao ar livre,
Um de cada lado. Mas vai mais longe:
Aí onde se encontra, nós não precisamos de muro:
Ele é todo pinheiros e eu sou um pomar de maçãs.
As minhas macieiras nunca atravessarão
Para comer os cones sob os seus pinheiros, digo-lhe eu.
Ele só me diz, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
A primavera instiga-me e pergunto-me
Se lhe posso despertar a razão:
“Porque razão fazem bons vizinhos? Isso não é
Onde existem vacas? Mas aqui não há vacas.
Antes de construir um muro eu inquiriria para saber
O que estaria a incluir ou a excluir,
E a quem era suposto ofender.
Alguma coisa existe que não aprecia o muro,
Que o quer no chão”. Poderia dizer-lhe “duendes”,
Mas não são duendes exactamente, e eu prefiro
Que ele o diga a si próprio. Vejo-o por ali,
A agarrar uma pedra com firmeza pelo topo
Em cada mão, como um antigo selvagem armado de pedras.
Move-se na escuridão e parece-me,
Não apenas a das florestas e a da sombra das árvores.
Ele não irá atrás do dito de seu pai,
Gosta de ter pensado naquilo tão bem
E diz novamente, “Boas cercas fazem bons vizinhos.”
| Muro na fazenda de Frost |
Em breve postarei mais coisas de Robert Frost.
"Existe alguma coisa que não aprecia o muro." Coloquemos abaixo alguns deles.
Bons sonhos a todos.
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Um soneto perdido (no meio de prosa) achado em um filme
Olá, pessoas!

Então, percebi que já tem um tempinho que eu não posto um poema.
Não na integra, visto que o ultimo, há quatro dias (21/08/2011) não conta.
E hoje eu resolvi fazer algo de útil com meu tempo extra e assistir um bom filme. Resolvi assistir, entre outros, O Homem que Copiava.
Há uns quatro anos, talvez, eu comecei a assistir, mas por alguma razão que não me lembro mais, parei de assistir e há quase três meses eu consegui o filme, mas não estava muito a fim de assistir. Oh, que naïve eu sou...
O filme é ótimo.
Perfeito, magnífico, maravilhoso e mágico. Tem senso de humor, críticas, trilha sonora bacana, roteiro, personagens... Ah, personagens... E tem esse soneto. É de Shakespeare.
E ele me lembrou bastante um soneto que eu postei há muuuuuuuito tempo de Camões.
http://sonhosteoriasepalavras.blogspot.com/2011/04/mudam-se-os-tempos.html
Para os camaradas que ainda não assistiram O Homem que Copiava: assistam.
Para os camaradas que já assistiram O Homem que Copiava: um brinde aos finais felizes. Para os que os terão e para os que sonharão em tê-los.
Bons sonhos...

Então, percebi que já tem um tempinho que eu não posto um poema.
Não na integra, visto que o ultimo, há quatro dias (21/08/2011) não conta.
E hoje eu resolvi fazer algo de útil com meu tempo extra e assistir um bom filme. Resolvi assistir, entre outros, O Homem que Copiava.
Há uns quatro anos, talvez, eu comecei a assistir, mas por alguma razão que não me lembro mais, parei de assistir e há quase três meses eu consegui o filme, mas não estava muito a fim de assistir. Oh, que naïve eu sou...
O filme é ótimo.
Perfeito, magnífico, maravilhoso e mágico. Tem senso de humor, críticas, trilha sonora bacana, roteiro, personagens... Ah, personagens... E tem esse soneto. É de Shakespeare.
Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta tempora assedia;
Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia a sobra franca
E em feixe atado agora o vejo trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;
Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono
Morrem ao ver nascer a graça nova.
Contra a foice do tempo é vão combate
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate
http://sonhosteoriasepalavras.blogspot.com/2011/04/mudam-se-os-tempos.html
Para os camaradas que ainda não assistiram O Homem que Copiava: assistam.
Para os camaradas que já assistiram O Homem que Copiava: um brinde aos finais felizes. Para os que os terão e para os que sonharão em tê-los.
Bons sonhos...
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sábado, 2 de julho de 2011
Fim.
Oi.
Tem um bom tempo, né?
Quero dizer, eu sei que tem um bom tempo.
Não tanto quanto no ano passado.
Não vou tentar criar desculpas para ter sumido. É contra a Regra Nº 1 da lindissima, fofissima, charmosissima Agente Especial Abby Borin (nunca fazer desculpas [ela é de NCIS. É interpretada por Diane Neal, que fez Casey Novak em Law & Order SVU]). Vou pedí-las. Sinto muito.
E eu estive procrastinando essa postagem a muito tempo.
Cerca de um mês e dez dias.
Ontem eu assisti o ultimo episódio da 3ª Temporada de Castle (sendo honesto, ontem eu devo ter assistido no mínimo seis episódios dessa temporada.) e pensei "Amanhã eu faço essa postagem. Não tem como adiar mais.".
É sobre fim. O Fim. (nota póstuma: a postagem está longa e é baseada em citações. Trechos inteiros. Se desistirem, de ler, não vou julgar vocês. E, mais importante: eu estou malucão hoje [só hoje?!], então, eu vou entender se quiserem colocar nos comentários coisas como "Rafael, na salada se coloca vinagre, não cachaça." ou "Acho que o Zé da sua mercearia está te vendendo outras coisas no lugar de coentro".)
Tem mais ou menos um mês e dez dias que eu comprei Sinal e Ruído.
É lindo.
Em certos momentos, é o melhor trabalho da parceiria Gaiman-Mckean (é claro que eu escreveria o nome de Gaiman antes, não poderia ser diferente no meu mundo).
Em certos momentos, é o melhor trabalho da parceiria Neil-Richard-Gaiman.
Em outros, é o que mais aproxima Gaiman da realidade.
Aprendi muito lendo esse livro.
Aprendi como sobreviver.
Aprendi como morrer.
Sobrevivi e morri.
Mas essa postagem não é sobre mim.
Ou talvez seja totalmente sobre mim.
Desculpa, estou me adiantando. E fazendo uma piadinha bem sutil, que só quem já leu muito pode perceber. Não é mais do que uma curta parafrase de um trecho de Signal to Noise. Divagando. Este trecho eu não escrevi na ordem que lhes aparece, devo dar um aviso: estou divagando demais hoje.
Minha ideia era postar um pouquinho só sobre Castle (uma parte eu já coloquei, a outra vem agora: é um dos meus seriados favoritos. Assistir o ultimo episódio disponível me fez pensar sobre fins e o quanto podem ser dificeis. Estou com saudade do seriado. E Stana Katic está lindíssima esta temporada. Caramba, ela é que nem um bom vinho: fica melhor com a idade. Quando eu a vi no inicio da temporada eu fiz ":-O Beckett? A mesma Beckett?".
E estou elocubrando demais. Saindo do foco.
Enfim, minha ideia era postar sobre Castle, Sinal e Ruído e fazer um link entre Sinal e Ruído e uma música que eu tenho ouvido... Bem, eu diria "obcecadamente", roubando as palavras de um amigo meu, mas o correto é 24/7, porque na minha mente, mesmo o mais obcecado tem que pausar por um momento sua obsessão (mesmo que seja para dormir durante 1/4 de segundo e voltar a lurkar. O mais dedicado stalker continua tendo sono, não? Embora ele possa dormir enquanto a presa que ele está stalkando [essa palavra não existe] também está [divagando de novo... Por favor, não me deixem sair assim do foco, tá?]). Voltando ao assunto, entre Sinal e Ruído e uma música que tenho ouvido o tempo todo. Literalmente. Estou ouvindo agora no Youtuberepeat.
Acho que eu deveria ter nomeado a postagem propriamente, e vou me retificar. É fazer um link entre a música e Sinal e Ruído.
A música é Waiting For The End.
Marquei um trecho.
Esse não é o fim, esse não é o começo
Apenas uma voz como uma revolta balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom e o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes, tem algo vazio dentro delas
Nós dizemos, "yeah"
Com os punhos voando no ar
Como se estivéssemos nos segurando a algo que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê da dor e do medo
Até morrermos,
Esquecermos,
Deixarmos tudo desaparecer
Esperando o fim chegar,
Desejando que eu tivesse força para suportar
Não é isso que eu tinha planejado
Isto saiu do meu controle
Voando à velocidade da luz,
Pensamentos giravam na minha cabeça
Tantas coisas que não foram ditas
É difícil deixar você partir
(oh) Eu sei o que é preciso para seguir em frente
(oh) Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero fazer é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
Sentando em um quarto vazio,
Tentando esquecer o passado...
Isso nunca foi feito para durar
Eu queria que não fosse assim
(oh) Eu sei o que é preciso para seguir em frente
(oh) Sei qual é a sensação de mentir
Tudo que eu quero é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
O que restou quando o fogo acabou
Eu achei que era o certo,
Mas o certo era errado
Tudo apanhado no meio da tempestade
E tentando entender qual era a sensação de seguir em frente
E eu nem mesmo sei que tipo de coisas eu disse
A minha boca continuava mexendo e a minha mente morreu
Juntando os pedaços sem ter por onde começar
A parte mais difícil de terminar é recomeçar
Tudo que eu quero fazer é trocar essa vida por algo novo
Tomando posse do que eu não tive
Esse não é o fim, esse não é o começo
É só uma voz como uma revolta balançando cada melhoria
Mas você ouve o tom e o ritmo violento
Embora as palavras pareçam firmes algo se esvazia dentro delas
Nós dizemos, "yeah!"
Com os punhos voando no ar
Como se estivéssemos nos segurando a algo que é invisível
Pois estamos vivendo à mercê da dor e do medo
Até morrermos,
Esquecermos,
Deixarmos tudo desaparecer
(segurando naquilo que eu não tenho)
Agora eu vou para Sinal e Ruído.
Tem andado comigo todo dia desde que eu comprei.
Praticamente não sai das minhas vistas.
A sinopse é "Em Londres, um diretor de cinema descobre que está com câncer e tem pouco tempo de vida. Ele estava para iniciar a produção do que seria seu maior filme: a história de um vilarejo na Europa Central durante os últimos minutos do ano 999 d.C, aguardando a vinda do apocalipse. Agora, esse roteiro jamais será filmado.
No entanto, ele continua trabalhando na pr odução em sua mente, fazendo um filme que ninguém jamais verá. Ninguém a não ser você."
Um dia talvez eu digitalize esse que nem eu fiz com A Paixão do Arlequim, cujo arquivo em .rar, acabei de reparar, está M.I.A... Tenho que achar... Talvez eu ache no meu antigo e-mail. Divagando... Enfim, eu digitalizo quando descobrir um jeito de digitalizar que não envolva machucar o meu bebê. E isto significa dobrar ou colocá-lo numa multifuncional. Ou seja, não tão cedo.
Pensei em tirar fotos de alguns trechos interessantes, mas a qualidade das fotos está horrível.
Não vou dar nenhum Spoiler.
Usarei citações desconexas e fora da ordem. Leiam Sinal e Ruído. Amem, riam, chorem. Desesperem-se. Mas não deixem de ler. Vale a pena. Cada milésimo de página.
"999 d.C., ultimo dia do ultimo mês do ano."
"A mortalidade é algo difícil de encarar.
'Aquilo que não nos mata nos fortalece'. Pode até ser, mas o que nos mata nos mata, e isso é dureza.
O que é preciso para a vida ter sentido?
Sinal e ruído:
O que é sinal? O que é ruído?"
Há algum tempo eu pensei um bocado sobre isso. Às vezes é melhor morrer que se fortalecer. Pode ser mais justo ou menos doloroso ou o certo. Às vezes é o errado. Às vezes, simplesmente é.
"A história é menos verdadeira por ser uma mentira?"
"Talvez eles estejam olhando para o céu.
Ali, está vendo?
Um deles está gritando...
...mas não conseguimos escutar o que diz.
Talvez estejam se preparando para deixar para trás tudo que possuem.
Talvez estejam, lenta e verdadeiramente, começando a acreditar..."
"Parado em um sinal de trânsito, olho de relance as linhas da minha mão - da mesma forma como o faço agora.
Vejo uma cicatriz na base do polegar, onde me cortei na infância com uma garrafa quebrada. Meu passado está escrito ali.
Mas e o meu futuro?
Examino a minha mão, tentando adivinhar um futuro na sua rede de ranhuras e caminhos.
Eles se mantêm ilegíveis.
E eu retorno ao passado."
Eu coloquei vários trechos para dizer coisas a um amigo. Tópicos que surgiram na nossa ultima conversa. Este é simplesmente para dizer a ele que não acredito em Destino. Ou se acredita em Destino ou em Justiça. Prefiro esse ultimo.
"Inanna falando,
dizendo coisas,
ela sente muito,
os médicos cometem erros,
ela sente muito mesmo,
novos tratamentos a cada dia,
se ela puder fazer alguma coisa,
sente muito de verdade,
e por aí vai,
falando,
mas sem dizer nada.
Somente ruído".
"Estão indo para um lugar mais alto esperar pelo fim do seu mundo."
"Só que eu não acredito no apocalipse.
Acredito na apocatástase.
Acho que esse é o título ideal para o Filme. É uma palavra difícil, e ninguém sabe o que significa, mas, fora isso, é um ótimo nome.
A-po-ca-tás-ta-se.
o significado:
1) Restauração, restabelecimento, restituição;
2) Retorno a um estado ou condição anterior;
3) (Astronomia) Retorno de um astro à sua posição aparente, conclusão de um período de rotação.
Pense a respeito."
Não acredito na Apocatástase. Nada retorna a um "estado ou condição anterior". Na primeira vez que pensei em voz alta (para mim mesmo, sendo honesto) sobre não acreditar na Apocatástase, me apareceu um diálogo entre duas pessoas. Dois amigos. Um homem e uma mulher (certo, vou admitir quem são e contar um segredo meu. Eram Castle e Beckett. Eu assisto isso tem mais de um ano, quando foi ao ar aqui. E gostei muito mesmo. É engraçado e divagando. Mas toda vez que eu gosto assim de um seriado ou filme, ou livro, ou um acontecido na minha realidade, entre um episódio e outro eu paro um pouco e penso como poderia ter sido ou um possivel diálogo que não foi às telas. Da ultima vez que isso me aconteceu, ou da penúltima, foi com O Livro do Cemitério) e ele falava para ela o porque de não acreditar. E ele ia "Não dá pra acontecer isso. Pense comigo. Estamos aqui, sentados. Se eu me inclino por esta mesa e te beijo, mesmo que não significasse nada pra mim ou que não signifique nada pra você e nós nunca mais falemos sobre isso e que isso não mude nada no nosso relacionamento, nunca vai voltar a ser o que era antes. Porque nós sabemos o que aconteceu." Inventei isso tudo. Agora. Não que eu brinco com possiveis realidades que aconteceram, não, isso eu faço. Acredito na MWI, e tenho certeza que há pelo menos uma centena de outros mundos em que eu estou escrevendo uma postagem diferente. Inventei a metáfora agora. Na minha mente deturpada e cansada, ficou legal. No papel site, eu não sei. Tem um mundo em que a Primavera em Paris nem sangrou nem terminou. Tem um que em que ela sangrou por um motivo completamente diferente. Tem um que nunca existiu. E por aí vai. Deixo aqui outras duas recomendações: FlashForward, livro e seriado. Eu amava esse seriado. Há um mundo em que esse seriado não foi cancelado na 1ª temporada, um em que ele nunca foi filmado, outro em que é um remake, outro que Gaiman faz o roteiro de um episódio, outro que Jack Sparrow aparece faz uma belíssima cena de luta de sabres de luz com o Comodoro Norrington (piadinha... Jack Davenport [Norrington] faz um dos papeis principais no seriado, o qual, por acaso, é no livro o protagonista), outro em que... Vocês já entenderam. Em qualquer um dos mundos.
"Eles disseram - os críticos, os resenhistas - que as minhas imagens eram desoladoras. E eu concordei com eles.
Na época eu concordei. Mas agora...
Talvez seja verdade.
Eu não sei. Vivemos em um mundo onde as únicas imagens utópicas são as que aparecem em intervalos comerciais: visões mágicas de um mundo impossivelmente hospitaleiro, povoado de homens, mulheres e crianças dotados de grande beleza, olhos faiscantes...
Onde ninguém morre...
Onde tudo o que é necessário se resume a um produto barato e fácil de encontrar - um pacote de amendoim salgado, ou um novo produto para limpar tapetes -, que trará felicidade imediata em altas concentrações.
Nos meus mundos as pessoas morriam.
E eu achava isso honesto.
Achava que estava sendo honesto.
Achava que estava dizendo a verdade. Achava que..."
"Os seres humanos estão sempre vivendo os seus ultimos dias.
Quanto tempo nós temos?
No máximo cem anos antes que o nosso mundo acabe."
"E eu me pergunto:
Por que estou escrevendo um filme que nunca vou filmar,
criando algo que ninguém vai ver?
O mundo está sempre acabando para alguém.
É uma boa fala.
Eu a coloco na boca do pai da crianla.
Ele diz isso à esposa.
'O mundo está sempre acabando para alguém', ele diz.
Ela está tentando acalmar o bebê, e não o ouve.
Duvido que faria diferença se tivesse ouvido."
"O grande apocalipse não existe. Só uma procissão de pequenos apocalipses."
Em algum momento em Signal to Noise, é afirmado algo como "Não acredito no Apocalipse. Existem diversos apocalipses. Um para cada um de nós.". Não concordo com essa ultima parte. Existem muito mais que apenas um apocalipse pessoal. Não sou a mesma pessoa que acordou esta manhã às 09:13 ou às 09:23 ou algo do tipo de um sábado. E que não era qualquer sábado. Mudei desde então. Não sou a mesma pessoa que almoçou. Ela morreu. Todo mundo muda. Ninguém nunca muda. Eu continuo sendo eu. Tenho a mesma altura, quase o mesmo peso, mesma cor de cabelo. Mesmos gostos. Mas na pior das hipóteses eu estou mais velho. E isso me muda completamente. E não muda nada. E esta postagem está mais louca do quê conversa de um bêbado com um poste, mas precisava tirar isto da mente.
"A parte mais dificil do fim é recomeçar." É. Em todos os níveis. Pensei em fazer uma relação com um trecho de O Livro do Cemitério, mas vou poupar vocês.
"Os apocalipses estão a cada esquina. As palavras significam o que nós queremos que signifiquem."
Está ficando tarde a a postagem está começando a feder de tão longa. Na realidade, acho que o que está fedendo são os cadáveres dos camaradas que tentaram ler a postagem toda e morreram no meio do caminho de velhice. É sério, Matusalém vai postar um comentário dizendo que ele demorou mais tempo lendo esse post do que vivendo antes de ser arrematado ou foi arrebatado, algo do tipo. E foram 969 anos. Saio com a uma sensação de dúvida: disse ou não tudo o que tinha pra dizer? Acho melhor pensar que disse tudo o que era pra dizer hoje.
Tinha uma nota que eu deveria fazer. E eu esqueci.
Uma eu ainda me lembro: o sábado é especial porque é Dois de Julho. Independência da Bahia. Me faz lembrar das aulas de Filosofia com Belzinho... Deus... Faz tempo. Toda uma vida.
Tem uma outra nota: é chato ter que esperar até uma temporada de um seriado querido ir ao ar. A 4ª de... Castle, é claro, não deve começar antes do dia 20/09/2011. Talvez, com sorte, seja no meu aniversário. Ia ser muuuuuuuito bom.
Desejo bons sonhos a vocês, meus amigos...
"But in the end,
It doesn't even matter."
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Fogo e Gelo
Olá, pessoas!
Então, Fogo e Gelo é um poema por Robert Frost.
Achei muito interessante.
Já tinha lido antes, mas não me recordo onde.
Fogo e Gelo
Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,
Outros dizem em gelo.
Pelo o que provei do desejo
Fico com quem prefere o fogo.
Mas, se tivesse de perecer duas vezes,
Acho que conheço o bastante do ódio
Para saber que a ruína pelo gelo
Também seria ótima
E bastaria.
Não farei uma análise. "As palavras significam o que queremos que signifiquem".
Deixo, porém, duas músicas. Motivo? "Você mantém a resposta bem no fundo de sua mente".
Não sei ainda como está a minha relação com sonhos. Quero dizer, não está nem ruim nem boa. Simplesmente está. Não devo, portanto, lhes desejar bons sonhos.
E acabou de passar pela minha cabeça outra ideia: deixar uma terceira música.
Era Whisper.
(Acabei de reencontrar Sinal e Ruído.)
E termino a postagem roubando palavras da lindíssima e maravilhosissima Amy Lee;
"Servatis a Periculum,
Servatis a Malificum."
Então, Fogo e Gelo é um poema por Robert Frost.
Achei muito interessante.
Já tinha lido antes, mas não me recordo onde.
Fogo e Gelo
Alguns dizem que o mundo acabará em fogo,
Outros dizem em gelo.
Pelo o que provei do desejo
Fico com quem prefere o fogo.
Mas, se tivesse de perecer duas vezes,
Acho que conheço o bastante do ódio
Para saber que a ruína pelo gelo
Também seria ótima
E bastaria.
Não farei uma análise. "As palavras significam o que queremos que signifiquem".
Deixo, porém, duas músicas. Motivo? "Você mantém a resposta bem no fundo de sua mente".
Não sei ainda como está a minha relação com sonhos. Quero dizer, não está nem ruim nem boa. Simplesmente está. Não devo, portanto, lhes desejar bons sonhos.
E acabou de passar pela minha cabeça outra ideia: deixar uma terceira música.
Era Whisper.
(Acabei de reencontrar Sinal e Ruído.)
E termino a postagem roubando palavras da lindíssima e maravilhosissima Amy Lee;
"Servatis a Periculum,
Servatis a Malificum."
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quarta-feira, 18 de maio de 2011
Inventando Alladim - Neil Gaiman
Hey, pessoas!
Estive levando uns puxões de orelha.
Duas pessoinhas estão reclamando que estou postando pouco.
Enfim, que melhor para pedir desculpas do quê Gaiman?
Lá vai.
Na cama com ele, aquela noite, como toda noite,
sua irmã a seus pés, ela termina a história,
então espera. Sua irmã rapidamente entende
e diz: - Não consigo dormir. Conta outra, por favor?
Scheherazade inspira nervosamente
e começa: - Na distante Pequim
vivia um jovem preguiçoso com sua mãe.
Seu nome? Alladim. Seu pai tinha morrido...
Ela conta como um mágico sombrio chegou,
dizendo ser seu tio, com um plano:
Levou o garoto para um lugar isolado,
deu-lhe um anel que, disse, o protegeria,
jogou-o numa caverna cheia de pedras preciosas,
-Traga-me a lâmpada! - e quando Alladim se recusou,
na escuridão foi abandonado e sepultado...
Pronto.
Alladim preso debaixo da terra,
ela para, seu marido fisgado por mais uma noite.
No dia seguinte
ela cozinha
alimenta os filhos
e sonha...
Sabendo que Alladim está preso,
e que sua história
só lhe deu mais um dia.
O que acontece agora?
Ela gostaria de saber.
É só quando a noite chega
e seu marido diz, como sempre:
-Amanhã cortarei sua cabeça-,
quando Dunyazade, sua irmã, pergunta: -Mas, por favor,
o que houve com Alladim? - só então ela sabe...
E, numa caverna adornada com joias,
Alladim esfrega sua lâmpada. O Gênio surge.
A história prossegue. Alladim conquista
a princesa e um palácio feito de pérolas.
Vejam só, o mago das trevas está voltando:
-Lâmpadas novas pelas velhas- ele canta pela rua.
E depois que Alladim perde tudo,
ela para.
Ele a deixará viver mais uma noite.
Sua irmã e seu marido adormecem.
Acordada, ela olha a escuridão
Vendo mentalmente as variações:
as maneiras de devolver a Alladim seu mundo,
seu palácio, sua princesa, seu todo.
E então ela adormece. O conto precisa de um final,
mas agora ele se desfaz em sonhos em sua mente.
Ela acorda,
Alimenta os filhos
Penteia o cabelo
Vai ao mercado
Compra um pouco de óleo
O vendedor de óleo o derrama para ela,
decantando-o
de um jarro enorme.
Ela pensa:
E se um homem se escondesse aí?
Ela compra também um pouco de sésamo.
Sua irmã diz: - Ele ainda não matou você.
-Ainda não. - Não dita, a frase espera: - Mas matará.
Na cama, ela lhes conta do anel mágico
que Alladim esfrega. O escravo do Anel aparece...
Mágico morto, Alladim salvo, ela para.
Mas se a história acaba, a narradora morre,
sua única esperança é começar outra.
Scheherazade inspeciona seu armazém de palavras,
ideias e sonhos semiprontos, mal cozidos, combinam-se
com jarros capazes de esconder um homem,
e ela pensa: Abre-te, Sésamo, e sorri.
-Ali Babá era um homem direito,
mas era pobre... - ela começa, e já engrenou,
e assim sua vida é salva por mais uma noite,
até que ela o entedie ou a imaginação falte.
Ela não sabe onde ficam as histórias
antes de serem contadas. (Tampouco eu sei.)
Mas quarenta ladrões soa bem, por isso serão quarenta
ladrões. Ela reza para ter ganhado mais um punhado de dias.
Nós nos salvamos de formas bastante improváveis.
E...
É isso.
Me pergunto se há alguma possibilidade de Scheherazade morrer.
Me pergunto se há alguma possibilidade dela fugir.
Me pergunto se há alguma
Não me pergunto nada.
Pensar sobre o que poderia ter ocorrido, as coisas boas que poderiam ter ocorrido, a felicidade que poderia existir é mais desesperador do que simplesmente encarar a realidade.
Estive levando uns puxões de orelha.
Duas pessoinhas estão reclamando que estou postando pouco.
Enfim, que melhor para pedir desculpas do quê Gaiman?
Lá vai.
Inventando Alladim,
Neil Gaiman
Na cama com ele, aquela noite, como toda noite,
sua irmã a seus pés, ela termina a história,
então espera. Sua irmã rapidamente entende
e diz: - Não consigo dormir. Conta outra, por favor?
Scheherazade inspira nervosamente
e começa: - Na distante Pequim
vivia um jovem preguiçoso com sua mãe.
Seu nome? Alladim. Seu pai tinha morrido...
Ela conta como um mágico sombrio chegou,
dizendo ser seu tio, com um plano:
Levou o garoto para um lugar isolado,
deu-lhe um anel que, disse, o protegeria,
jogou-o numa caverna cheia de pedras preciosas,
-Traga-me a lâmpada! - e quando Alladim se recusou,
na escuridão foi abandonado e sepultado...
Pronto.
Alladim preso debaixo da terra,
ela para, seu marido fisgado por mais uma noite.
No dia seguinte
ela cozinha
alimenta os filhos
e sonha...
Sabendo que Alladim está preso,
e que sua história
só lhe deu mais um dia.
O que acontece agora?
Ela gostaria de saber.
É só quando a noite chega
e seu marido diz, como sempre:
-Amanhã cortarei sua cabeça-,
quando Dunyazade, sua irmã, pergunta: -Mas, por favor,
o que houve com Alladim? - só então ela sabe...
E, numa caverna adornada com joias,
Alladim esfrega sua lâmpada. O Gênio surge.
A história prossegue. Alladim conquista
a princesa e um palácio feito de pérolas.
Vejam só, o mago das trevas está voltando:
-Lâmpadas novas pelas velhas- ele canta pela rua.
E depois que Alladim perde tudo,
ela para.
Ele a deixará viver mais uma noite.
Sua irmã e seu marido adormecem.
Acordada, ela olha a escuridão
Vendo mentalmente as variações:
as maneiras de devolver a Alladim seu mundo,
seu palácio, sua princesa, seu todo.
E então ela adormece. O conto precisa de um final,
mas agora ele se desfaz em sonhos em sua mente.
Ela acorda,
Alimenta os filhos
Penteia o cabelo
Vai ao mercado
Compra um pouco de óleo
O vendedor de óleo o derrama para ela,
decantando-o
de um jarro enorme.
Ela pensa:
E se um homem se escondesse aí?
Ela compra também um pouco de sésamo.
Sua irmã diz: - Ele ainda não matou você.
-Ainda não. - Não dita, a frase espera: - Mas matará.
Na cama, ela lhes conta do anel mágico
que Alladim esfrega. O escravo do Anel aparece...
Mágico morto, Alladim salvo, ela para.
Mas se a história acaba, a narradora morre,
sua única esperança é começar outra.
Scheherazade inspeciona seu armazém de palavras,
ideias e sonhos semiprontos, mal cozidos, combinam-se
com jarros capazes de esconder um homem,
e ela pensa: Abre-te, Sésamo, e sorri.
-Ali Babá era um homem direito,
mas era pobre... - ela começa, e já engrenou,
e assim sua vida é salva por mais uma noite,
até que ela o entedie ou a imaginação falte.
Ela não sabe onde ficam as histórias
antes de serem contadas. (Tampouco eu sei.)
Mas quarenta ladrões soa bem, por isso serão quarenta
ladrões. Ela reza para ter ganhado mais um punhado de dias.
Nós nos salvamos de formas bastante improváveis.
E...
É isso.
Me pergunto se há alguma possibilidade de Scheherazade morrer.
Me pergunto se há alguma possibilidade dela fugir.
Me pergunto se há alguma
Não me pergunto nada.
Pensar sobre o que poderia ter ocorrido, as coisas boas que poderiam ter ocorrido, a felicidade que poderia existir é mais desesperador do que simplesmente encarar a realidade.
domingo, 15 de maio de 2011
Retratos de Desespero - Números 6, 7, 9 e 10, fora o 3
Boa noite.
Não tenho um Scanner aqui.
Não tenho como arranjar um também. Vou direto para a postagem.
"E as pessoas perguntam
será que a Desespero se desespera,
será que o Sonho sonha,
será que o (a) Desejo deseja?
É mais simples que isso.
Ele é Sonho.
Ela(e) é Desejo.
Ela é Desespero.
Tire o desespero e nada sobra.
Nada, exceto um quarto vazio,
e um anzol de tamanho e forma
perfeitos para fisgar seu coração.".
"Seu beijo é o oceano profundo.
Seu beijo não é o oceano profundo.
Seu beijo são os céus cinzentos.
Seu beijo é um beco sem saída.
Seu beijo é seu toque, é sua respiração
é seu dedo, é o que resta
quando os risos se encerram.
Seu beijo é o cão negro que segue você na escuridão.
Existe um cão negro sob os céus cinzentos, pelo
beco sem saída, junto ao oceano profundo.
Não é o beijo dela. Aproxime-se..."
"Não foi o fato de se amarem, ou saberem que nunca poderiam estar juntos,
Não foi o fato de acordar com ela morta, enquanto você ainda estava vivo.
Foi a maneira como seus dedos tremeram. Fui um gagejar e o jeito de sua lingua
quando tentou falar. Foi o som das sirenes chegando mais perto.
Foi saber que nunca mais você teria outra chance."
"Desespero se lembra.
É uma recordação peculiar e chata,
na qual as coisas se tornam desoladoras e atadas à escuridão.
Existe alegria aqui,
é claro,
e amor,
e carícias.
A presença que faz
o presente ser absolutamente
insuportável.
"Ela decidiu fazer uma lista das coisas que a deixavam feliz.
Ela escreve 'flor da ameixeira' no topo da página.
Então, ela olha fixamente o papel,
incapaz de pensar em algo mais.
Por fim, começa a escurecer."
E eu estou experimentando alguns retratos de Desespero.
Já escureceu também.
Não matei ninguém, porém.
Não que eu saiba.
Não tenho um Scanner aqui.
Não tenho como arranjar um também. Vou direto para a postagem.
"E as pessoas perguntam
será que a Desespero se desespera,
será que o Sonho sonha,
será que o (a) Desejo deseja?
É mais simples que isso.
Ele é Sonho.
Ela(e) é Desejo.
Ela é Desespero.
Tire o desespero e nada sobra.
Nada, exceto um quarto vazio,
e um anzol de tamanho e forma
perfeitos para fisgar seu coração.".
"Seu beijo é o oceano profundo.
Seu beijo não é o oceano profundo.
Seu beijo são os céus cinzentos.
Seu beijo é um beco sem saída.
Seu beijo é seu toque, é sua respiração
é seu dedo, é o que resta
quando os risos se encerram.
Seu beijo é o cão negro que segue você na escuridão.
Existe um cão negro sob os céus cinzentos, pelo
beco sem saída, junto ao oceano profundo.
Não é o beijo dela. Aproxime-se..."
"Não foi o fato de se amarem, ou saberem que nunca poderiam estar juntos,
Não foi o vento no beiral da casa vazia, ou o ruido secoTambém não foi o gosto amargo com apenas uma caixa velha de vinho tinto para lavá-lo.
dos remédios dentro da garrafa de vidro marrom.
Não foi o fato de acordar com ela morta, enquanto você ainda estava vivo.
Foi a maneira como seus dedos tremeram. Fui um gagejar e o jeito de sua lingua
quando tentou falar. Foi o som das sirenes chegando mais perto.
Foi saber que nunca mais você teria outra chance."
"Desespero se lembra.
É uma recordação peculiar e chata,
na qual as coisas se tornam desoladoras e atadas à escuridão.
Existe alegria aqui,
é claro,
e amor,
e carícias.
A presença que faz
o presente ser absolutamente
insuportável.
Sem triunfo,
sem amor,
sem alegria,
o trabalho dela seria em vão."
"Ela decidiu fazer uma lista das coisas que a deixavam feliz.
Ela escreve 'flor da ameixeira' no topo da página.
Então, ela olha fixamente o papel,
incapaz de pensar em algo mais.
Por fim, começa a escurecer."
E eu estou experimentando alguns retratos de Desespero.
Já escureceu também.
Não matei ninguém, porém.
Não que eu saiba.
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Mudam-se os Tempos
Olá, Pessoas!
Como estão?
Espero que esteja tudo ótimo.
Enfim, irei à postagem.
Li este poema do Camões ontem e achei-o lindo. O nome é Mudam-se os Tempos
Como estão?
Espero que esteja tudo ótimo.
Enfim, irei à postagem.
Li este poema do Camões ontem e achei-o lindo. O nome é Mudam-se os Tempos
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Eu... Eu não tenho palavras para comentar sobre a singeleza deste incrivel soneto. Deixarei para vocês.
Espero que ele tenha a mesma importância que tem para mim.
Bons sonhos...
Eu... Eu não tenho palavras para comentar sobre a singeleza deste incrivel soneto. Deixarei para vocês.
Espero que ele tenha a mesma importância que tem para mim.
Bons sonhos...
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domingo, 17 de abril de 2011
Wo sind die Kinder?
Boa tarde, pessoas!
"Onde estão as crianças?
Ninguém sabe o que aqui aconteceu.
Ninguém viu nada
Onde estão as crianças?
Ninguém viu nada"
Ninguém sabe o que aqui aconteceu.
Ninguém viu nada
Onde estão as crianças?
Ninguém viu nada"
Rammstein - Donaukinder
Lembrei hoje do conto do Flautista de Hamelin. E a fábula do Menino e o Lobo. Não faço a menor ideia do porque que eu fiz uma relação entre os dois, mas eu fiz.
Imagino que todos conheçam a história do Menino e o Lobo (ou O Menino que Mentia. É aquele que o menino grita que o Lobo está indo devorá-lo. A mãe vai socorrê-lo e descobre que é sempre mentira. Ao final, quando o lobo realmente chega para devorá-lo, ele grita e a mãe não vem).
Enfim, postarei aqui apenas o conto do Flautista de Hamelin. É baseado num fato que aconteceu na Alemanha há quase oito séculos.
O Flautista de Hamelin - Irmãos Grimm
Há muito, muitíssimo tempo, na próspera cidade de Hamelin, aconteceu algo muito estranho: uma manhã, quando seus gordos e satisfeitos habitantes saíram de suas casas, encontraram as ruas invadidas por milhares de ratos que iam devorando, insaciáveis, os grãos dos celeiros e a comida de suas bem providas despensas. Ninguém conseguia imaginar a causa de tal invasão e, o que era pior, ninguém sabia o que fazer para acabar com tão inquietante praga. Por mais que tentassem exterminá-los, ou ao menos afugentá-los, parecia ao contrário que mais e mais ratos apareciam na cidade. Tal era a quantidade de ratos que, dia após dia, começaram a esvaziar as ruas e as casas, e até mesmo os gatos fugiram assustados. Ante a gravidade da situação, os homens importantes da cidade, vendo perigar suas riquezas pela voracidade dos ratos, convocaram o conselho e disseram: Daremos cem moedas de ouro a quem nos livrar dos ratos. Pouco depois se apresentou a eles um flautista taciturno, alto e desengonçado, a quem ninguém havia visto antes, e lhes disse: "A recompensa será minha. Esta noite não haverá um só rato em Hamelin". Dito isso, começou a andar pelas ruas e, enquanto passeava, tocava com sua flauta uma melodia maravilhosa, que encantava aos ratos, que iam saindo de seus esconderijos e seguiam hipnotizados os passos do flautista que tocava incessantemente. E assim ia caminhando e tocando, levou-os a um lugar muito distante, tanto que nem sequer se poderia ver as muralhas da cidade. Por aquele lugar passava um caudaloso rio onde, ao tentar cruzar para seguir o flautista, todos os ratos morreram afogados. Os hamelineses, ao se verem livres das vorazes tropas de ratos, respiraram aliviados. E, tranqüilos e satisfeitos, voltaram aos seus prósperos negócios e tão contente estavam que organizaram uma grande festa para celebrar o final feliz, comendo excelentes manjares e dançando até altas horas da noite. Na manhã seguinte, o flautista se apresentou ante o Conselho e reclamou aos importantes da cidade as cem moedas de ouro prometidas como recompensa. Porém esses, liberados de seu problema e cegos por sua avareza, reclamaram: “Saia de nossa cidade! Ou acaso acreditas que te pagaremos tanto ouro por tão pouca coisa como tocar a flauta?". E, dito isso, os honrados homens do Conselho de Hamelin deram-lhe as costas dando grandes gargalhadas. Furioso pela avareza e ingratidão dos hamelineses, o flautista, da mesma forma que fizera no dia anterior, tocou uma doce melodia uma e outra vez, insistentemente. Porem esta vez não eram os ratos que o seguiam, e sim as crianças da cidade que, arrebatadas por aquele som maravilhoso, iam atrás dos passos do estranho músico. De mãos dadas e sorridentes, formavam uma grande fileira, surda aos pedidos e gritos de seus pais que, em vão, entre soluços de desespero, tentavam impedir que seguissem o flautista. Nada conseguiram e o flautista os levou longe, muito longe, tão longe que ninguém poderia supor onde, e as crianças, como os ratos, nunca mais voltaram. E na cidade só ficaram a seus opulentos habitantes e seus bem repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por suas sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza. E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e vazia cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma criança.
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Me pergunto o que foi feito às nossas crianças. Às crianças que nós fomos. E aqui, volto a citar Till, Flake o os outros, mas me lembro de um excerto de Alice no País dos Espelhos (o mesmo que Neil utilizou para prefaciar [não sei se essa palavra existe...] Lendo as Entranhas):
"Onde estão as crianças?
Ninguém sabe o que aqui aconteceu.
Ninguém viu nada
Onde estão as crianças?
Ninguém viu nada
Mães ficam quase na correnteza
e choram um dilúvio.
Nos campos, através dos diques
aumenta a dor em todas as lagoas."
Ninguém sabe o que aqui aconteceu.
Ninguém viu nada
Onde estão as crianças?
Ninguém viu nada
Mães ficam quase na correnteza
e choram um dilúvio.
Nos campos, através dos diques
aumenta a dor em todas as lagoas."
"-Quero dizer - disse ela - que ninguém pode fazer nada para não envelhecer.
-Uma pessoa não pode - retrucou Humpty Dumpty -, mas duas podem. Com a adequada assistência, você pode para aos sete anos."
(Lewis Carrol, Alice no País dos Espelhos )
Me pergunto ainda se um dia recuperaremos a doçura da infância.
Mas acho que o ponto que eu queria chegar não era sobre o Flautista, mas sim sobre o Menino e o Lobo. Na fábula, o menino grita e grita. No final, sua mãe não mais vem para socorrê-lo. Mas isso não é verdade. Não sei exatamente qual é o meu ponto com essa postagem, qual a razão para tê-la feito e tudo o mais, mas... Aqui ela está. Talvez seja que a fábula do Menino esteja errada e que a mãe dele sempre venha, por mais que ele minta. Talvez seja que o "Field of Innocence", nas palavras da belíssima Amy Lee já se foi para quase todos nós. Talvez... Quem sabe.
Mas eu sei que hoje à noite eu dormirei cantando "Wo sind die Kinder".
Extraí o conto daqui:
http://members.fortunecity.com/gafanhota/hamelin.htm
Bons sonhos a todos.
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mr. Punch (ou)... Sangue! Sangue! Sangue!
Boa noite, meus amigos!
Esta postagem é para, em parte, responder a uma pergunta da Pandora. Em parte, é para me aliviar.
Hoje eu assisti Criminal Minds, e o episódio me deixou aceso. Não sei porque, o episódio não foi tão bom assim. Mas que deixou, deixou.
Para fazer a postagem, junto isso com o fato de que hoje eu estou relendo A Comêdia Trágica ou A Tragêdia Cómica de Mr. Punch. {mode ironia on] Quem conseguir adivinhar de quem é, ganha um prêmio. Quem errar, também ganha.
Não leia abaixo enquanto não der seu palpite. [mode ironia off]
Acho que esse é um dos trabalhos mais pertubadores do Neil. Embora quase todos sejam pertubadores, esse bate recorde. Os desenhos do Dave Mckean atrapalham me assustam.
E este trecho está me perturbando:
"Num mundo perfeito, ocorre-me agora, eu escreveria isto com sangue e não tinta.
Não se pode mentir quando se escreve com sangue. A responsabilidade é grande demais; e os fantasmas que a pessoa matou ressurgem e induzem a caneta a traçar linhas verdadeiras, transformam a palavra escrita em palavra não não escrita à medida que os traços vermelhos ficam marrons.
É por isso que os pactos com o Diabo têm que ser assinados com sangue. Se você assina seu nome com sangue, é o nome verdadeiro. Não há como mudar isso.
Pronto. Já estou falando de sangue, e era do passado que eu queria falar.
E dos mortos, é claro. Não há como escapar dos mortos."
A postagem é para falar dos mortos.
Mais especificamente, da estranha relação entre Harlequin e Rafael. Considerem-nos de Judy e Punch (respectivamente) nesta postagem, e só nessa. É só para que a metáfora seja entendida. A coisa real não foi nem de longe tão dramática. Na realidade, o trecho abaixo é só uma introdução. O excerto pretendido está em negrito.
Eu irei narrar a cena, não citarei apenas. É a forma como eu vejo-a, então, mil perdões se não é a forma usual. Conto com a indulgência de vocês, que já me perdoaram de coisa muito pior. Estou ficando muito folgado?
***********************************************************************
Punch acabara de arremessar o bebê para fora do palco. Judy pergunta-lhe onde está o bebê. Punch responde-lhe, com o sorriso mais irônico, louco e divertido possivel "Está dormindo".
Judy joga as palavras em Punch: "Mister Punch, seu malvado cruel. Ele não está dormindo. Está morto. Ele matou meu bebê, não foi, meninos e meninas?"
A plateia, a plateia composta de crianças responde "Sim!" "Sim!" "Sim!" "Sim!".
Punch reclama, vestido com seu roupão vermelho, laranja e verde, "Ah! Seus mentirosos malvados!". Mas Punch continua sorrindo. Sempre. É sua sina e seu dom.
E Judy, oh, Judy, envolvida em um vestido vagabundo e um avental branco exclama com sua vozinha leve e delicada "Você é muito mau, Mister Punch, e eu nunca mais vou te beijar". Punch procura no palco e acha o que procurava. Ele acha um pedaço de pau e ataca Judy com ele.
O malvado Mister Punch atinge Judy no rosto, ela cambalheia. "Eles começaram a bater um no outro, numa confusa dança de pancadas". E Punch atinge, e atinge e atinge a pobre Judy. Punch está psicótico. Seus olhos brilham numa selvageria extrema. E ele volta a bater e bater e bater.
"Até... O fantoche de Judy voar pelos ares... E cair sem vida... bem. na. frente. do. palco".
Punch fica surpreso. Arregala os olhos. Se assusta. "Punch chorou por Judy quando percebeu que ela estava morta, depois fez uma dancinha. Ocorreu-me então que a morte só acontece com tanta frequência em teatros de fantoche para que o ator fique com a mão esquerda livre, a fim de apresentar um novo personagem".
**************************************************************
O que eu descobri (ou, melhor dizendo, me dei conta) agora é que é horrivel deixar uma postagem incompleta de um dia para o outro. Chegando agora, eu percebi que havia um "A" no meio da postagem. Eu não faço ideia do que mais eu ia escrever ontem à noite.
E provavelmente terminarei a postagem por aqui... Não conseguirei lembrar o que queria escrever.
E me despeço aqui, celebrando o acontecimento do A com uma poesia do Drummond:
Bons sonhos.
Esta postagem é para, em parte, responder a uma pergunta da Pandora. Em parte, é para me aliviar.
Hoje eu assisti Criminal Minds, e o episódio me deixou aceso. Não sei porque, o episódio não foi tão bom assim. Mas que deixou, deixou.
Para fazer a postagem, junto isso com o fato de que hoje eu estou relendo A Comêdia Trágica ou A Tragêdia Cómica de Mr. Punch. {mode ironia on] Quem conseguir adivinhar de quem é, ganha um prêmio. Quem errar, também ganha.
Não leia abaixo enquanto não der seu palpite. [mode ironia off]
Acho que esse é um dos trabalhos mais pertubadores do Neil. Embora quase todos sejam pertubadores, esse bate recorde. Os desenhos do Dave Mckean atrapalham me assustam.
E este trecho está me perturbando:
"Num mundo perfeito, ocorre-me agora, eu escreveria isto com sangue e não tinta.
Não se pode mentir quando se escreve com sangue. A responsabilidade é grande demais; e os fantasmas que a pessoa matou ressurgem e induzem a caneta a traçar linhas verdadeiras, transformam a palavra escrita em palavra não não escrita à medida que os traços vermelhos ficam marrons.
É por isso que os pactos com o Diabo têm que ser assinados com sangue. Se você assina seu nome com sangue, é o nome verdadeiro. Não há como mudar isso.
Pronto. Já estou falando de sangue, e era do passado que eu queria falar.
E dos mortos, é claro. Não há como escapar dos mortos."
A postagem é para falar dos mortos.
Mais especificamente, da estranha relação entre Harlequin e Rafael. Considerem-nos de Judy e Punch (respectivamente) nesta postagem, e só nessa. É só para que a metáfora seja entendida. A coisa real não foi nem de longe tão dramática. Na realidade, o trecho abaixo é só uma introdução. O excerto pretendido está em negrito.
Eu irei narrar a cena, não citarei apenas. É a forma como eu vejo-a, então, mil perdões se não é a forma usual. Conto com a indulgência de vocês, que já me perdoaram de coisa muito pior. Estou ficando muito folgado?
***********************************************************************
Punch acabara de arremessar o bebê para fora do palco. Judy pergunta-lhe onde está o bebê. Punch responde-lhe, com o sorriso mais irônico, louco e divertido possivel "Está dormindo".
Judy joga as palavras em Punch: "Mister Punch, seu malvado cruel. Ele não está dormindo. Está morto. Ele matou meu bebê, não foi, meninos e meninas?"
A plateia, a plateia composta de crianças responde "Sim!" "Sim!" "Sim!" "Sim!".
Punch reclama, vestido com seu roupão vermelho, laranja e verde, "Ah! Seus mentirosos malvados!". Mas Punch continua sorrindo. Sempre. É sua sina e seu dom.
E Judy, oh, Judy, envolvida em um vestido vagabundo e um avental branco exclama com sua vozinha leve e delicada "Você é muito mau, Mister Punch, e eu nunca mais vou te beijar". Punch procura no palco e acha o que procurava. Ele acha um pedaço de pau e ataca Judy com ele.
O malvado Mister Punch atinge Judy no rosto, ela cambalheia. "Eles começaram a bater um no outro, numa confusa dança de pancadas". E Punch atinge, e atinge e atinge a pobre Judy. Punch está psicótico. Seus olhos brilham numa selvageria extrema. E ele volta a bater e bater e bater.
"Até... O fantoche de Judy voar pelos ares... E cair sem vida... bem. na. frente. do. palco".
Punch fica surpreso. Arregala os olhos. Se assusta. "Punch chorou por Judy quando percebeu que ela estava morta, depois fez uma dancinha. Ocorreu-me então que a morte só acontece com tanta frequência em teatros de fantoche para que o ator fique com a mão esquerda livre, a fim de apresentar um novo personagem".
**************************************************************
O que eu descobri (ou, melhor dizendo, me dei conta) agora é que é horrivel deixar uma postagem incompleta de um dia para o outro. Chegando agora, eu percebi que havia um "A" no meio da postagem. Eu não faço ideia do que mais eu ia escrever ontem à noite.
E provavelmente terminarei a postagem por aqui... Não conseguirei lembrar o que queria escrever.
E me despeço aqui, celebrando o acontecimento do A com uma poesia do Drummond:
"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra."
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domingo, 27 de março de 2011
Oh Morte, Não te Orgulhes
Boa noite, Pessoas do Mundo!
Como estão vocês?
Eu... Gostaria de pedir desculpas por ter demorado mais ou menos duas semanas para fazer esta postagem. No pedido de desculpas está incluido o meu arrependimento por ter faltado com minha palavra para com vocês e por ter deixado o blog às moscas.
Pois bem, vou ao motivo da postagem. Estou ainda brigado com minha Perpétua preferida. Não com ela, pois acredito que a Morte é mais natural do que a Vida, mas por algumas mortes específicas. A postagem é um poema do John Donne, se chama Oh Morte, Não te Orgulhes. De quebra, postarei um outro do autor, Nenhum Homem é Uma Ilha. A interpretação é livre.
Oh, Morte, não te orgulhes, pois ruim
Como dizem não és, medonha e forte;
Quem pensas que abateste, pobre Morte,
Não morre; nem matar podes a mim.
Se o sono, o teu retrato, agrada assim,
Contigo fluirá melhor a sorte;
E o bom, ao conhecer o teu transporte,
Descansa o corpo e se liberta enfim.
Serva de reis, destino, acasos e ânsia,
À droga, à peste e à guerra te associas;
E adormecem-nos ópios e magias
Mais que teu golpe. Então, por que a jactância?
Um breve sono a vida eterna traz,
E, vai-se a morte. Morte, morrerás.
Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
Tendo feito a postagem, só me falta dizer mais uma coisa: o segundo poema me soa bem mais real do que o primeiro. Beem mais real.
Bem, meus amigos... Tenham uma boa noite de sono...
Bons sonhos.
Como estão vocês?
Eu... Gostaria de pedir desculpas por ter demorado mais ou menos duas semanas para fazer esta postagem. No pedido de desculpas está incluido o meu arrependimento por ter faltado com minha palavra para com vocês e por ter deixado o blog às moscas.
Pois bem, vou ao motivo da postagem. Estou ainda brigado com minha Perpétua preferida. Não com ela, pois acredito que a Morte é mais natural do que a Vida, mas por algumas mortes específicas. A postagem é um poema do John Donne, se chama Oh Morte, Não te Orgulhes. De quebra, postarei um outro do autor, Nenhum Homem é Uma Ilha. A interpretação é livre.
Oh, Morte, Não te Orgulhes
Oh, Morte, não te orgulhes, pois ruim
Como dizem não és, medonha e forte;
Quem pensas que abateste, pobre Morte,
Não morre; nem matar podes a mim.
Se o sono, o teu retrato, agrada assim,
Contigo fluirá melhor a sorte;
E o bom, ao conhecer o teu transporte,
Descansa o corpo e se liberta enfim.
Serva de reis, destino, acasos e ânsia,
À droga, à peste e à guerra te associas;
E adormecem-nos ópios e magias
Mais que teu golpe. Então, por que a jactância?
Um breve sono a vida eterna traz,
E, vai-se a morte. Morte, morrerás.
Nenhum Homem é uma Ilha
Tendo feito a postagem, só me falta dizer mais uma coisa: o segundo poema me soa bem mais real do que o primeiro. Beem mais real.
Bem, meus amigos... Tenham uma boa noite de sono...
Bons sonhos.
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