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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

♠ Ato 2, Cena I

[Chegam numa cidade escura e enevoada]
Chernobyl, Harlequin?
[Pierrô está relutante.]
Onde mais podemos estar salvos? Aelita nunca se lembrará de nos procurar aqui!
[Harlequin está muito mais confiante e animado]
Mas... Aqui é Chernobyl! Foi devastada e está sob controle de vampiros.
Sim... Está.
[A despreocupação de Harlequin está paupável]
Não se preocupe, esqueceu que eu já passei muito tempo com eles? Tu tens que saber apenas algumas coisas sobre eles:
Existem basicamente três tipos de vampiros andando por aqui: Nosferatu, Succubus e Draculae. Os Nosferatu estão decadentes, começaram a decair lá pelo ano 2000. Estão também em extinção e o poder está ameaçado. São o vampiro comum.
Contra eles, podemos lutar com cruzes, estacas, facas e coisas do tipo, contanto que de prata.
As Succubus e seus parceiros Inccubus são incomuns e só nos atacam quando dormindo. Você irá vê-las como a mulher mais bela que há. Duvido que você veja um Inccubus... Se vir uma delas, grite! E depois disso, só durma com uma navalha do seu lado.
E...?
Os Draculae são, de longe, os mais perigosos. Se transformam em lobos, ratos, nevoa e até pequenos tigres. Descendem do próprio, e são tão ruins de matar quanto. Mas eles raramente atacam viajantes e exilados. Não, provavelmente os vampiros serão nossa menor preocupação. Talvez possamos barganhar ajuda deles. A única coisa que eles temem são rios. Eles nunca os atravessam com a maré cheia...
[Fica pensativo]
Ah, é claro! Também temos o bom e velho método do arroz. Se um vampiro estiver te perseguindo, faça uma pilha de arroz e corra. Ele vai ficar lá contando.
Ainda assim, é o fim do mundo!
Só o é se você veio da direção errada...
[Os dois ficam espantados. Um homem com capote negro como o breu e silencioso como a noite havia se aproximado.]
♦ Por que estão tão serios? Ora, não tenham medo!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Harlequin, Colombina e Pierrot...

Sou uma metamorfóse ambulante. Isso faz com que eu não consiga nunca me entender. Não sei quem eu sou, e isto é estranho. Mas é bom. Mas meu estado de espiríto costuma transitar entre dois polos: Harlequin e Pierrot. E eles dois desejam uma mesma Colombina. Vou definí-los todos, para poder me entender. Começarei pela minha querida Colombina [é claro que a minha Colombina pode ser diferente da Colombina dos outros, digamos, a do Aurélio ou do Houaiss]: Ela é linda, Inteligente, Meiga, Esperta, É "má", Não é fútil, Ela rouba sempre o coração do Harlequin e do Pierrot. Vejamos agora o Harlequin: Irônico, Consquistador, Extremamente sarcástico, Divertido. Alegre, "Um Arlequim apaixonado é uma criatura de dar pena", Gosta de coisas com Losangos, É o encarregado de tirar o Pierrot da tristeza, dando a ele uma nova razão para enxergar, Se apaixona pela Colombina. Finalmente falarei sobre o Pierrot: Ele é romântico, Tolo, Sonhador, Poeta, Sofredor, Triste, É o encarregado de tirar o Harlequin de sua alegria hedonista, Se apaixona pela Colombina. Estudemos agora a interação entre os três, especialmente quando os três são apenas dois: Quando há apenas dois, são a Colombina e um Arlequim Apaixonado ou um Pierrot Sarcástico. Sei como é o Harlequin Apaixonado... Ele é metade Harlequin e metade Pierrot. Ele se aproxima da Colombina como Harlequin. Ele pode até não ter boas intenções, mas o Pierrot assume logo depois. Ele é tolo, mas não é muito lerdo. O Harlequin se preserva alegre, mas as dores do Pierrot o deixam mal na metade do tempo. Ele sofre quando vê sua paixão triste, Ele saltita por aí, mas só por saltitar, Seu coração sonha muito, mas ele o consegue prender, Ele sofre e sofre e sofre. Ele nunca acredita em dicionários. Ele prefere perguntar a alguém que já conheça o que ele não sabe, pois sabe que as informações lá são parciais e incompletas. Ele sabe que a Paixão não é só uma atração muito forte por alguém, pois nesta definição não entra a dor que ele sente quando vê sua "Colombina" ou "Luz" com ódio dele. Não entra o medo que ele sente quando ela diz que irão conversar. Não entra tanta coisa... Ele é muito triste, com palpitações de alegria ocasionais. Ele é muito alegre, com palpitações de tristeza ocasionais. Nestes casos, o próprio Harlequin é o Pierrot, a Colombina atri a atenção dos dois na mesma pessoa. Não há realmente um triangulo amoroso, mas sim um relacionamento em que um dos termos é extremamente idiota e indeciso, mas que está apaixonado pela Colombina de corpo e alma. E o Harlequin Apaixonado pode até ser estranho, mas tem sentimentos. Ele sofre pela Colombina. E espera que o relacionamento deles não esteja terminado. Sinto muito...

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

♠ Ato I, Cena 7

Eu andei sozinho por muitos anos, pequeno Misha... [O Arlequim começa a divagar, perdido em seus pensamentos] ★ Mas agora está acompanhado de um irmão e um doutor... [O Pierrô dá o seu sorriso] O Kabbalista acha que pode realmente entender a minha mente, mas não sabe de tudo... Não sabe qual a minha utopia. [E o Arlequim, costumamente levemente sorridente, está agora sério.] Não sei, talvez o pedido do Doutor seja um pouco pesado, mas veio em bom tempo... Alguns dos meus sonhos passaram a se realizar, pessoas estão a se encantar, e tenho vários ingressos para pegar, apesar disso, algo me impede de totalmente me alegrar. Talvez o melhor que eu possa fazer é na minha mente delirar, mas sei que não posso neste projeto me jogar, pois outras coisas tenho para acertar! E as fodas são sempre boas, mas tudo o que começa rápido termina rápido. Mais vale demorar um pouco e conquistar um coração do que ser instantâneo e só ter um corpo. [e foi com esta resposta elegante que o Arlequim se despediu no ar da noite, cantarolando uma musiquinha que uma pessoa lhe fez cantar]. ★ Não, não se vá... Ainda temos outras musicas para cantar... E a noite começou.

♦ Ato I, Cena 6

[Kabbalista em um salto esconde-se entre duas casas bem velhas, puxando pelo braço seu amigo Pierrô]

♦ Um dia esse mundo muda... A Roda da Fortuna gira uma vida por dia e breve será o dia da Rainha.

♦ Um senhor que governa o mundo a força jamais terá o amor do povo.

[Kabbalista respira fundo, tira de seu bolso um sigilo e o coloca à frente de seus olhos]

♦ Agarre meu braço Pierrô. Aproveitemos a chegada da rainha, enquanto a cidade se destrai, para que eu possa mostrar-lhe algo excepcional.

[Kabbalista vibra a velha Conjuração de Enoch enquanto foca o sigilo. Pierrô e Kabbalista avistam a sua frente um caminho florido]

♦ Vamos Pierrô, não temos muito tempo.

♦ Mas e o Harlequin? - Questiona Pierrô

♦ Já o levei para o local para onde vamos um pouco antes de levar você. Ao chegarmos lá, lhe explicarei tudo o que está acontecendo.

♦ Nunca consegui entender como você faz esse tipo de coisa. Se você estava lá sentado, como poderia tê-lo levado para lá?

♦ Nada demais. Nada demais...

[Ambos iniciam a caminhada rápida por aquele caminho perfumado pelas violetas e jasmins. Após pouco mais de 1 minuto de caminhada avistam Harlequin sentado abaixo de um Baobá]

♦ Que lugar é este Kabbalista? - Questiona Pierrô.

♦ É um lugar maravilhoso não? Este local é o meu templo, para onde fujo sempre que a tirana aparece por aqui. Posso fugir para dentro de mim mesmo, lugar onde ninguém, jamais me encontrará. E agora, vocês compartilham um lugar que jamais havia sido visto por outros olhos humanos.

♦ Mania de grandeza a sua não Kabbalista? - Retruca Harlequin - E a Rainha não é uma tirana. Você é que não consegue ver além das aparências.

♦ Olha meu querido amigo, todo o sistema que não nasce dentro do EU, e sim das tiranias do EGO, é tirano. Esqueça todos os *ismos. Aqui estás livre de tudo o que possa lhe tirar a liberdade. "Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei".

♦ Kabbalista, afinal, o que viemos fazer aqui neste lugar? - Questiona Pierrô

♦ Não lugar, lugares. Estamos dentro de nossas mentes. Estou lhes dando a oportunidade de viajar pelas densas florestas de suas mentes. Vocês devem encontrar os monstros que abitam os lagos da consciência. Devem enfrentar e matar os egos. Seremos os homens a mudar o destino desta terra.

♦ A troco de quê? - Questiona Harlequin.

♦ A troco de podermos levar a cabo a verdadeira reforma comum. Tornar os homens livres é o trabalho dos homens. Não podemos mudar todo o mundo por nossas mãos, mas com a consciência de que somos homens e de que estamos todos a mesma distância do círculo da vida humana. Vão, adentrem as negras matas de suas mentes. Estarei esperando vocês aqui quando voltarem. Mas só quero que vocês entrem lá quando acharem que estão preparados.

[Kabbalista entrega uma pequena pedra a cada um de seus dois amigos]

♦ Quando voltarem, gostaria que me relatassem o que encontraram ao mergulhar nas águas pérfidas de seus corações. Cuidem destas pedras. Elas são a chave da passagem entre Marte e este mundo. Quando quiserem sair daqui, ou vir para cá, basta mentalizar a vontade e o caminho será mostrado à frente de vocês. Eu ficarei por aqui um bom tempo, se precisarem de mim basta vir para cá e encaminhar-se para o castelo.


[Kabbalista beija a testa de cada um dos amigos e dá as costas aos dois, caminhando para o grande castelo que se ergue ao fundo, acima dos montes]

♦ Que história louca é essa Pierrô? - Questiona Harlequin

♦ Não faço a mínima idéia amigo. Só sei que ele me parecia bem sério ao falar. Acho melhor voltarmos para Marte. Kabbalista é o mago real, a Rainha não se importaria com seu sumiço. Mas se nós sumirmos, a história será outra. Vamos para casa, quando pudermos, voltaremos e conversaremos com o Kabbalista sobre está loucura.

[Pierrô e Harlequin pegam suas pedras nas mãos e desejam voltar para casa. O caminho se abre e eles o atravessam. Em menos de um minuto estão de volta ao mundo real, as dores reais e ao peso do trabalho. Não falam mas tem um acordo mental: voltarão em breve e enfrentarão seus demônios. A jornada do Tarot logo começará].

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

♦ Ato I, Cena 4

[Kabbalista aparece despindo-se de seu traje ritual]

♦ Se sois homens, Harlequin e Pierrô, sabeis que não vivemos sem uma boa foda e toques sensuais.

[Kabbalista solta uma gargalhada ululante]

♦ A vida não gira em torno de um único pilar, senão três. O pilar mais sublime é o do amor, mas a misericórdia e a severidade fazem parte de nossa experiência. Nenhum homem alça a coroa de rei de sua vida sem conhecer as dores do mundo.

♦ Um doutor [Kabbalista olha nos olhos de Harlequin] nas lições do mundo acima de nossa vivência compreende que a paixão é um dos fogos que mantém o homem vivo. Mas entregar-se a elas como um condenado entrega sua cabeça ao carrasco é pedir à morte que nos dê um beijo.

[Kabbalista senta-se no chão, em posição de lótus]

♦ Mas de nada adiantaria, se ficássemos imóveis para sempre meditando, se não tivessemos como por em prática o que aprendemos do outro lado.

♦ Um doutor, fala em enigmas que só ele e seus irmão entendem. Mas o idioma do coração é universal, apenas nosso nível e forma de compreensão difere.

♦ Uns encontram o amor no indivíduo, o outro, na sociedade. Não se enganem com a frieza e dureza do doutor aqui, seus sentimentos são cavalos selvagens, nunca errantes, mas sempre livres. Sua casca material serve a sua vontade, mas seu coração serve apenas AO amor. Uma pessoa tem a chave deste coração sofrido, mas só eu sei como abri-lo.

[Kabbalista, consciente do monte de besteiras roânticas e do conteúdo new age do que enunciou até aqui, decide cantar uma música que define sua visão do amor, afim de evitar maiores constragimentos com a sua recente inabilidade com as palavras]



[Após cantar sua musiquinha em tom de nostagia e anacronismo, Kabbalista balbucia algumas palavras initeligiveis, fecha os olhos e mergulha no vazio da mente, não retornando mesmo com o barulho retumbante dos seus dois amigos. Sabe que está sob o efeito das drogas do amor, que só será capaz de proferir palavras de alguma valia, quando for capaz de equilibrar ambos os mundos. Absorto no vazio, ele cria a sua própria realidade e se refugia do resto da terra]

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

♦ Ato I, Cena 3

[O Harlequin levanta a cabeça sorridente] Ah, Pierrô não sabes como eu sou? Num dia apaixonado por uma, no dia seguinte a outra amar! [Saltito alegremente pelo recinto]. Me surpreendo com a minha capacidade de me auto-enganar, De formas diferentes a vida encarar, E agora mesmo estou a assobiar! Mas não vou me iludir... A Minha fiel Colombina não irei trair!

terça-feira, 3 de novembro de 2009

♠ Ato I, Cena 2

É claro que estou. A minha alma está desde mui atrás comprometida. Comprometida com Uma Ninfa Especial não nominada. Talvez o Doutor não entenda... Mas tenho certeza de que meu Irmão, o Pierrô poderá me compreender... [responde calmamente o Harlequin].

domingo, 1 de novembro de 2009

Entre Os Vivos

♠ Isto simplesmente passa pela minha cabeça desde umas duas horas atrás. ♠ Pode ser que saia um lixo, mas acho interessante colocá-lo aqui. ♠ Desde as 18:00 de hoje, passam duas frases pela minha cabeça: "Among The Living" e "Suck Here". ♠ Pode aviso novamente: não considerem se estiver ruim. São apenas insanidades. Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж Entre Os Vivos... Sempre me disseram que eu deveria viver minha vida. Estudar, arranjar um emprego decente, uma[s] boa[s] namorada[s]... E simplesmente viver. Ser mais um numa multidão. Mas, por algum motivo, eu decidi que não conseguiria viver assim. Não consigo ser apenas mais um no mundo. Não consigo ser apenas mais um canalha. Não consigo ser apenas mais um estudante. Não consigo ser apenas mais um trabalhador. Não consigo ser apenas mais um ser vivente. Nunca entendi porque me chamavam de louco. Nunca entendi porque me chamavam de ingênuo. Nunca entendi porque me chamavam de romantico... Nunca entendi o mundo. "Nunca entendi" é realmente o correto. Eu fui um Doutor: sabe de muito, mas não entende nada. E então, eu mudei. Me tornei um tolo Pierrô apaixonado pela pior que poderia haver. Estava acabado, triste, com baixa auto-estima, depressivo. Transbordava tristeza. Aquelas músicas tristes me afetavam. Mas eu havia mudado. E mudei de novo! Li sobre teoria política, aprendi algumas coisas, conversei com gênios, me estressei, me apaixonei, fiz amizades. Não posso dizer o que me tornei. Mas posso dar as características do que sou agora: ♦ Gostamos de usar máscaras, ♦ Gostamos de maquiagens, ♦ Gostamos de respirar o mais puro AR!, ♦ Gostamos de Ler em prosa E poesia ♦ Gostamos de recitar poesias, ♦ Gostamos de encantar pessoas, ♦ Gostamos de fazer encenações, ♦ Gostamos de Querer as coisas mais impossíveis, ♦ Gostamos de Usar simbolos característicos, ♦ Gostamos de nos sentir Sonhadores Idealizadores, ♦ Gostamos de nos sentir deslocados, fora dos padrões, ♦ Gostamos de nos sentir Menos humanos, mais sonhadores, ♦ Nós não estamos vivos, nós não somos humanos, nós não desistimos de conquistar o sonhar! ♦ Nós não nos importanos do que nos chamam, somos diferentes do resto do mundo. ♦ Gostamos de fazer coisas que fazem os outros simplesmente "Suck Here". ♦ Gostamos de sentir que APENAS ESTAMOS ENTRE OS VIVOS! Não pertencemos aos vivos. Não aos deste mundo. ♦ Somos Poetas Insanos, Companheiros, Camaradas, Sonhadores. E vamos nos unir um dia. Para voltar ao nosso lugar de origem. E quando formos, levaremos junto os nossos irmãos opostos, os Pierrôs. Um dia. Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж---Ж---Ф---Ф---Ж ♠ São insanidades de uma noite de domingo ditas por uma alma apaixonada e sonhadora. São tolices de um jovem. São apenas excertos extraidos da minha cabeça. Mas são. E só estão entre os vivos. Um dia vão se libertar. Enquanto isto, eu apenas espero. E espero. E espero. E espero. E espero.